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Narração feminina gera ataques machistas e expõe luta constante no esporte em MS

Isabelly Melo sofreu ataques machistas por ter sido a 1ª mulher a narrar um jogo de futebol em MS

Nathália Rabelo Publicado em 16/04/2021, às 16h39

Isabelly Melo é a 1ª mulher a fazer a narração de um jogo de futebol em MS
Isabelly Melo é a 1ª mulher a fazer a narração de um jogo de futebol em MS - Foto: Arquivo Pessoal

O ano é 2021. As mulheres já votam, trabalham e exercem os direitos sociais que antes eram restritos somente aos homens. Mesmo assim, essas mesmas mulheres ainda sofrem diversos preconceitos e consequências de uma estrutura machista que permanece enraizada nos costumes e crenças sociais. No cenário esportivo, o machismo se mostra ainda mais escancarado, feito por homens – e até mesmo mulheres – contemporâneos que continuam disseminando ideias retrógadas. E isso não é novidade para ninguém, mesmo que chocante para muitos.

Ontem (15), o Midiamax publicou o feito da Isabelly Melo, a jovem de 23 anos que se tornou a primeira mulher a narrar um jogo de futebol profissional em Mato Grosso do Sul. O que se tornou uma conquista e até mesmo símbolo de representatividade para tantas outras que buscam espaço no segmento, para muitos foi motivo de insultos e piadas. O porquê disso? Simples: é uma mulher ocupando um cargo de destaque que antes era restritamente destinado ao homem.

“Na boa, o máximo que mulher deveria chegar do futebol é levar cerveja pro marido no sofá”, disse um internauta nos comentários. Esse é só um exemplo de centenas de outros que vieram em seguida, inclusive publicados por...mulheres.

“Homem se incomoda com cada coisa”, brincou Isabelly, que achou graça dos comentários feitos por internautas. Segundo a jornalista, os ataques não são nenhuma novidade para ela. Apaixonada por esporte, ela joga futebol há muito tempo e desde cedo ouve que ela não pertence àquele lugar. E que o futebol é um esporte masculino porque homens têm mais aptidão com a prática.

“Eu concordo que homens tem mais afinidade com o esporte desde criança, mas porque isso é cultural. A maioria das mães colocam os filhos na escolinha de futsal e as filhas na aula de balé. Então eu acredito que as mulheres precisam simplesmente fazer o que elas querem fazer”, comenta Isabelly sobre a resistência feminina.

Para ela, trata-se de uma luta conjunta. Todas as mulheres devem se apoiar para que, cada vez mais, conquistem os espaços que desejam na sociedade. No esporte, na política, religião ou âmbito profissional, elas devem se ajudar para que a figura feminina seja mais vista com normalidade na hora de ocupar altos cargos. “As mulheres precisam apoiar também, senão é uma luta em vão”.

Questionada sobre o que analisou sobre os comentários, Isabelly afirma que eles não atrapalham em nada nos seus sonhos. Além disso, tem esperança de que as novas gerações venham com mais consciência e repensem esses comportamentos.

Mulheres na narração esportiva

E para quem achava que mulher não pertence ao esporte, muito menos à narração, está muito enganado. Isso porque as narradoras são destaques na TV e ocupam cada vez mais espaços. E não é só em Mato Grosso do Sul, não. A mulherada está com tudo nas telinhas brasileiras e ao redor do mundo também.

Grandes canais de televisão, principalmente os especializados em esportes, estão qualificando mulheres para narrar o mundo esportivo de grandes campeonatos. Nas rádios a mesma coisa.

O esporte não é masculino, essa foi a ideia construída para ele. Mas nos últimos anos, as mudanças sociais têm provado o contrário. Seja com o microfone na mão, na cabine do estádio narrando a partida, jogando no campo ou apenas torcendo. Lugar de mulher é onde ela quiser, e não apenas levando cerveja para o marido sentado no sofá, diga-se de passagem.

Jornal Midiamax