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Antes só do que mal acompanhados, solteiros dão a volta por cima após términos em MS

Esporte, viagens, novos estilos e tattoos, solteiros se abrem a possibilidades para mudar de vida após términos

Nathália Rabelo Publicado em 15/08/2021, às 08h00

Solteiros mudam de vida após término
Solteiros mudam de vida após término - Foto: Reprodução

Já que o Dia dos Namorados existe, alguém achou que seria interessante criar uma data destinada para as pessoas que ainda não encontraram a sua “cara-metade”. E foi assim que nasceu o Dia dos Solteiros. Mais do que homenagear as vantagens, benefícios e facilidades da solteirice, celebramos nesse domingo (15) o fim de ciclos que não foram tão bons para dar início a outros muito melhores.

Em Mato Grosso do Sul, solteiros contam como deram a volta por cima após términos complicados, descobrindo novos horizontes, onde a principal chave de descoberta era o amor-próprio e evolução de si mesmos.

É o caso da estudante Alice Carolina Estival Navarro, de 22 anos, que namorou por sete anos. Como ela começou o relacionamento muito nova, tinha a sensação de que não se conhecia tão bem. Mas, quando terminou, descobriu um universo pelo qual nunca imaginou que iria se apaixonar: o crossfit.

“No término, engordei cerca de 6 quilos e quando me toquei que estava assim, eu me matriculei no crossfit (já praticava musculação), e apaixonei pelo esporte! Hoje, estou numa composição corporal muito melhor do que antes, e agora participo de competições. Além de eu ter conhecido outro mundo, fiz muitas amizades. O que foi essencial pra um 'novo começo'”, reflete a jovem.

Alice no treino de crossfit (Foto: Arquivo Pessoal)

O término foi essencial para que Alice também tivesse mais tempo para ela e, consequentemente, focar na sua carreira. Na reta final para pegar o diploma de nutricionista, Alice criou um delivery de doces funcionais, o Acarola Fit.

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Alice também saiu da zona de conforto e abriu delivery de comidas funcionais (Foto: Reprodução/Instagram)

“Sempre foi meu hobbie fazer receitas funcionais e fits, e quis levar o sabor delas para as pessoas, de uma forma que não seja muito cara, como é comum por aqui, e que seja deliciosa! Mas, principalmente, saudável”, disse.

Ao longo desse tempo, Alice só tem a agradecer à “solteirice” por oportunizar uma grande transformação na sua vida. “Fiz novos contatos, amizades e aprendi a me virar sozinha. Além de estar muito mais feliz e realizada comigo mesma, pelo físico e pela performance”, refletiu a estudante.

Autodescoberta

Já a Bárbara Yres Santos Orona Silva destaca que passou por muitas transformações depois de viver um relacionamento tóxico por 1 ano e 8 meses. Depois que terminou, voltou a se conectar a ela mesma.

“O pós-término pra mim foi maravilhoso. Eu não sofri porque eu já estava sofrendo há muito tempo, então quando eu terminei, na verdade, foi um alívio. Foi muito bom, só que me incomodava porque ele vivia correndo atrás de mim e isso era chato, mas de resto eu não demorei pra superar, só sinto ranço dele e penso que me sujeitei a um relacionamento 'lixo' por muito tempo. Mas superei total”, comemora a estudante de arquitetura, de 23 anos.

Chorar pelos cantos definitivamente não faz o estilo de Bárbara. Muito pelo ao contrário, quando se “livrou” do ex-namorado, se abriu a oportunidades que antes desconhecia. Nessa lista, destaca-se:

Se reaproximou de várias amizades, se afastou de pessoas que não gostava, parou de fazer coisas só para agradar os outros, cortou o cabelo, mudou o estilo de roupas, fez uma tatuagem, comprou uma viagem para a Argentina com a amiga, começou a academia, trocou de emprego, saiu totalmente de sua zona de conforto, recuperou a autoestima e voltou a ter hábitos que deixou de lado no relacionamento, como ler e fazer cursos.

Se antes Bárbara vivia em um relacionamento que a prendia, hoje ela pode dizer com certeza que se livrou de todas as algemas. E, principalmente, está vivendo sua época dourada.

“Sinto que abriu um mar de possibilidades depois que eu terminei. Eu amadureci muito, infelizmente tive que passar por isso para abrir meu olho, me atentar mais como eu me entrego em um relacionamento. Hoje, eu prefiro conhecer uma pessoa muito bem antes de me relacionar e assumir um compromisso”, conta.

Bárbara em passeio ao Morro do Paxixi, em MS (Foto: Arquivo Pessoal)

Uma nova vida

Algo parecido aconteceu com a estudante de Jornalismo Isabelly Cristaldo, que também viveu um relacionamento, no mínimo, desgastante com um garoto de Campo Grande.

“Fui me doando cada vez mais para o namoro em si e me desconectando do que eu gostava de verdade. Tudo era por nós, todos os meus planos eram pensando em nós, nada em mim”, recorda. Mas, logo que abriu os olhos, decidiu mudar de vida rápido: comprou uma passagem só de ida para a capital paulista para focar nos estudos.

“Assim que tomei o 'pé na bunda', me mudei para São Paulo para começar a faculdade e uma vida nova, então foi bem mais fácil de superar".

Outro processo fundamental para Isabelly foi a terapia. Isso ajudou para que ela revesse comportamentos e entendesse quando as atitudes dos outros são prejudiciais.

“Acredito que tudo passamos é um aprendizado e nos amadurece para as próximas relações, então tudo que eu passei faz parte da minha história e quem tiver que gostar de mim vai levar o pacote completo”, afirma a estudante. No auge da sua juventude, Isabelly definitivamente está muito melhor hoje do que quando namorava o ex.

Marcado na pele

Solteira, a Thayse Nantes também se livrou de um relacionamento muito conturbado. Mas o término foi tão bom que ela decidiu eternizar na pele o sentimento de liberdade. Foi, então, que ela tatuou uma borboleta no antebraço.

Ela namorou com uma pessoa por três anos e afirma que o término foi complicado para ambas as partes porque ela queria seguir em frente, enquanto ele desejava manter o relacionamento. Mas isso não impediu que ela fosse atrás da própria felicidade.

“Você tem que ser dona de si mesma, não se deixar ser humilhada pelas outras pessoas, e sempre seguir em frente. Relaciona com você mesma primeiro e depois relacione com outras pessoas, porque elas não vão te dizer que você é a melhor”, reflete.

Tatuagem de borboleta que Thayse fez após terminar relacionamento (Foto: Arquivo Pessoal)

Um novo hobby

O técnico da Telecom Wesley Garcete, de 33 anos, descobriu um novo esporte depois que terminou um relacionamento de cinco anos: ciclismo. Ele contou ao jornal Midiamax que se mudou para Maracaju, no interior do Estado, após o divórcio para ter um novo recomeço.

“Acho que todo o relacionamento quando chega ao fim, não tem quem não sofra. No meu caso, não foi de imediato a sofrência, fui começar a sentir mesmo uns 6 meses depois. Mas hoje já superei legal”, confessa. Foi então que descobriu o interesse pelo esporte.

"A principal vantagem foi ter conhecido pessoas que andam de Bike. Comecei para sentir o vento no rosto e a liberdade. É um momento único e indico o esporte. Também fiz algumas tattoos”, afirma Wesley.

Wesley fazendo trilhas de bike (Foto: Arquivo Pessoal)

Amor-próprio e superação

Como você viu até aqui, todos os entrevistados deram a volta por cima e superaram o relacionamento depois que se abriram a novas oportunidades, além de dar mais atenção a si mesmos. Se você, por acaso, está passando por alguma situação semelhante, trouxemos aqui dicas de especialistas para superar o fim de um relacionamento:

1 – Desabafe os seus sentimentos com pessoas confiáveis;

2 – Siga em frente e entre no movimento;

3 – Organize o seu quarto e jogue fora o que for velho;

4 – Faça coisas inusitadas e saia da zona de conforto;

5 – Restabeleça seu networking;

6 – Evite stalkear as redes sociais do(a) ex;

7 – Trabalhe a segurança e amor-próprio.

A última dica talvez seja a mais importante, isso porque é comum — não normal — que os relacionamentos acabem sugando muita energia dependendo da dinâmica do casal ou se a pessoa está num relacionamento tóxico, por exemplo. E trabalhar a segurança e amor-próprio, priorizando o seu universo, é o melhor jeito de superar relacionamentos e determinar como será o próximo.

Mesmo que ainda existam muitos estigmas com pessoas solteiras, especialmente mulheres — como se elas só tivessem valor ao lado de um par — o Dia do Solteiro é exatamente isso: muito mais do que festa e bebedeira, é se conhecer e se sentir feliz sozinho. Afinal, é muito melhor estar solteiro e feliz do que namorando, mas infeliz, não é mesmo? No fim do dia, cada um tem um amor ainda maior: o próprio.

Jornal Midiamax