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11 escritores da literatura sul-mato-grossense que você não pode deixar de ler

Pesquisadores da literatura local apontam alguns nomes fundamentais para a construção da identidade literária de MS

João Ramos Publicado em 25/07/2021, às 08h00

Manoel de Barros, Raquel Naveira e Glorinha Rosa de Sá são alguns dos mais tradicionais escritores
Manoel de Barros, Raquel Naveira e Glorinha Rosa de Sá são alguns dos mais tradicionais escritores

Rica e diversificada, a literatura sul-mato-grossense conta com muitos talentos importantes do passado e da atualidade. O Estado se destaca por um estilo muito próprio e regionalizado de compor suas obras. Poesias, crônicas e pesquisas são o forte do legado literário de Mato Grosso do Sul.

Neste domingo (25), é celebrado o dia do escritor, e para honrar a história local marcada por grandes nomes, o Jornal Midiamax pediu para que pesquisadores e membros da Academia Sul-mato-grossense de Letras sugerissem alguns autores que foram e são de extrema importância no cenário da literatura regional.

Nesta lista, infelizmente, é claro que muita gente importante e talentosa vai ficar de fora, seria impossível elencar todos os nomes relevantes da cultura local, mas a intenção é mostrar e saudar alguns deles, os mais tradicionais. A seleção abaixo foi feita por opiniões de quem entende e conhece bem a obra do Estado, e não por critérios rígidos ou matematizados.

Conheça 11 escritores que você não pode deixar de ler quando o assunto é MS, ou seja, leitura essencial.

Manoel de Barros

Um dos principais poetas contemporâneos, Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu em Cuiabá, Mato Grosso, no dia 19 de dezembro de 1916. Passou a infância na fazenda da família localizada no Pantanal. Na adolescência, estudou em colégio interno na cidade de Campo Grande, época em que escreveu suas primeiras poesias.

Manoel de Barros foi um poeta espontâneo, um tanto primitivo, que extraía seus versos da realidade imediata que o cercava, sobretudo a natureza, apesar da formação cosmopolita. Mostrava-se distante do rótulo de “Jeca Tatu do Pantanal”, que lhe tentaram impingir. Gostava de invenções verbais e neologismos como “eu me eremito”.

Faleceu de falência múltipla dos órgãos, aos 97 anos, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, no dia 13 de novembro de 2014.

Algumas obras de Manoel de Barros:

  • Poemas Concebidos Sem Pecado (1937)
  • Face Imóvel (1942)
  • Poesias (1946)
  • Compêndio Para Uso dos Pássaros (1961)
  • Gramática Expositiva do Chão (1969)
  • Matéria de Poesia (1974)
  • O Guardador de Águas (1989)
  • Livro Sobre Nada (1996)
  • Retrato do Artista Quando Coisa (1998)
  • O Fazedor de Amanhecer (2001)
  • Memórias Inventadas I (2005)
  • Memórias Inventadas II (2006)
  • Memórias Inventadas III (2007)
  • Portas de Pedro Vieira (2013)

Abílio de Barros

Irmão de Manoel de Barros, Abílio nasceu em 15 de janeiro de 1929, em Corumbá, que na época ainda pertencia ao estado de Mato Grosso. Foi advogado, professor universitário e pecuarista. Licenciado e Bacharel em Filosofia, também dedicou boa parte de sua obra ao Pantanal e às regionalidades sul-mato-grossenses, assim como o irmão. Faleceu em outubro de 2019, aos 90 anos de idade.

Obras publicadas:

  • Gente Pantaneira
  • Uma Vila Centenária
  • Opinião
  • Histórias de Muito Antes
  • Pantanal – Pioneiros
  • Crônicas de uma nota só (A Era Lula)
  • Recoluta – livro lançado em 24/10/2013, editado pela Ed. Letra Livre
  • “A Crônica dos Quatro”, em parceria com Maria Adélia Menegazzo, Maria da Glória Sá Rosa e Theresa Hilcar

Raquel Naveira

Nasceu em Campo Grande, em 23 de setembro de 1957. Formada em Direito e em Letras pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), onde lecionou. Em 1977, iniciou a sua atuação na imprensa (jornais e revistas) e publicou seus primeiros poemas. É ganhadora de inúmeros prêmios da literatura brasileira.

A obra de Raquel tem enorme fortuna crítica, sendo reconhecida e apreciada por escritores e críticos como Fábio Lucas, Lygia Fagundes Telles, Nelly Novaes Coelho, Antônio Houaiss, Lêdo Ivo e outros. Escreveu vários livros, entre eles: "Abadia" (poemas, editora Imago, 1996) e "Casa de Tecla" (poemas, editora Escrituras, 1999), indicados ao Prêmio Jabuti de Poesia, pela Câmara Brasileira do Livro. Escreveu ainda o infanto-juvenil, "Pele de Jambo", e o livro de ensaios, "Fiandeira".

Unindo história e poesia, publicou os romanceiros "Guerra Entre Irmãos" (poemas inspirados na Guerra do Paraguai) e "Caraguatá" (poemas inspirados na Guerra do Contestado), que se transformou no curta-metragem "Cobrindo o céu de sombra", monólogo com a atriz Christiane Tricerri, sob a direção de Célio Grandes.

Confira o acervo de suas muitas obras publicadas:

  • Via Sacra (1989)
  • Fonte Luminosa (1990)
  • Nunca-Te-Vi (1991)
  • Fiandeira (1992)
  • Guerra Entre Irmãos (1993)
  • Sob os Cedros do Senhor (1994)
  • Canção dos Mistérios (1994)
  • Abadia (1995)
  • Mulher Samaritana (1996)
  • Maria Madalena (1996)
  • Caraguatá (1996)
  • Pele de Jambo (1996)
  • O Arado e a Estrela (1997)
  • Rute e a Sogra Noemi (1997)
  • Intimidades Transvistas (1997)
  • Casa de Tecla (1998)
  • Senhora (1999)
  • Stella Maia e Outros Poemas (2001)
  • Xilogravuras (2001)
  • Maria Egipcíaca (2002)
  • Casa e Castelo (2002)
  • Tecelã de tramas – ensaios sobre interdisciplinaridade (2005)
  • Portão de ferro (Escrituras, 2006)
  • Literatura e drogas – e outros ensaios (Nova Razão Cultural, 2007)
  • Guto e os bichinhos (2012)
  • Sangue Português (2012)
  • Álbuns de Lusitânia (2012)
  • Jardim Fechado – Uma Antologia Poética (2016): livro comemorativo dos seus 30 anos de carreira literária.

Glorinha de Sá Rosa

Maria da Glória Sá Rosa foi umas das principais professoras de Campo Grande. Glorinha lecionou nas Universidades Fucmt, hoje UCDB, e UFMS. Fundou a Aliança Francesa em Campo Grande e foi membro atuante da Academia Sul-mato-grossense de Letras. Como escritora, se tornou referência em relatar a história da cultura do Estado e teve cerca de 12 livros publicados. Recebeu o cobiçado título de Doutora Honoris Causa, outorgado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e Professora Honorária pela UNIGRAN de Dourados.

Nasceu em Mombaça, Ceará, no dia 4 de novembro de 1927, tendo vindo criança para Campo Grande, onde residia desde 1939 e faleceu em 28 de julho de 2016, aos 88 anos de idade.

Publicou as obras:

  • Cultura, Literatura e Língua Nacional (1976) em parceria com Albana Xavier Nogueira
  • Memória da Cultura e da Educação em Mato Grosso do Sul (1990), acompanhada de vídeo
  • Memória da Arte em Mato Grosso do Sul (1992), em parceria com Idara Duncan e Maria Adélia Menegazzo, acompanhada de vídeo
  • Deus Quer, o Homem Sonha, a Cidade Nasce (1999)
  • Crônicas de Fim de Século (2001)
  • Contos de Hoje e Sempre: Tecendo Palavras (2002)
  • Artes Plásticas em Mato Grosso do Sul (2005), em parceria com Idara Duncan e Yara Penteado
  • A Música em Mato Grosso do Sul (2009), em parceria com Idara Duncan
  • A Literatura Sul-mato-grossense sob a ótica de seus construtores (2011), em parceria com Albana Xavier Nogueira

Além de nove livros, publicou, também, centenas de artigos sobre cultura nos jornais locais e fez inúmeras conferências sobre educação e cultura em todo o Estado, prefácios para autores de Mato Grosso do Sul e apresentações de catálogos de arte.

Paulo Coelho Machado

Considerado uma grandeza, o livro “A Rua Velha”, de Paulo Coelho Machado, é um dos maiores momentos da literatura sul-mato-grossense. Escritor historiador, advogado e professor de Direito, nasceu em Campo Grande, onde foi vereador.

Membro da Academia Sul-mato-grossense de Letras, faleceu em 26 de julho de 1999. Foi secretário de Agricultura de Mato Grosso; presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul). Presidiu a Liga da Divisão do Estado.

Ele resgatou a história de Campo Grande, escrevendo sobre suas ruas e habitantes. Como professor de Direito Civil, despertou o gosto pela Justiça em seus numerosos alunos.

Escreveu:

  • A Parceria Pecuária (1972)
  • A Criminalidade em Mato Grosso
  • Processo e Julgamento de Nosso Senhor Jesus Cristo (1954)
  • Arlindo de Andrade, Primeiro Juiz de Direito de Campo Grande (1988)
  • E a série Pelas Ruas de Campo Grande — “A Rua Velha” (1990)
  • A Rua Barão (1991)
  • A Rua Principal (1991)
  • A Rua Alegre
  • A Grande Avenida (2000)

Henrique de Medeiros

Atual presidente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, Henrique Alberto de Medeiros Filho é natural de Corumbá (MS). Passou sua infância, adolescência e estudos acadêmicos em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde se formou e exerceu parte de sua carreira profissional, retornando a Mato Grosso do Sul no início da década de 80, fixando residência em Campo Grande, onde recebeu o título de cidadão honorário.

É graduado em Comunicação Social pela Universidade Gama Filho do Rio de Janeiro (1976), e exerce atividades multimídias, culturais e empresariais.

Escritor, publicitário, jornalista, editor e empresário, tem ampla participação na vida cultural sul-mato-grossense através de sua presença em inúmeros projetos culturais (nas manifestações da arte regional e nacional), tanto no setor das artes cênicas, como das musicais, audiovisuais e literárias.

Escritor, é autor dos livros:

  • O Azul Invisível do Mês Que Vem (ed. Letra Livre, 1993 / 2ª ed. 2009), poemas e contos.
  • Pirâmide de Palavras (ed. Letra Livre, 1996 / 2ª ed. 2009), poemas.
  • David Cardoso – Memórias do Rei da Pornochanchada (ed. Letra Livre, 2006), biografia memorialista.
  • Que as Dores se Transformem em Cores (ed. Letra Livre, 2009), poemas.
  • Vozes das Artes Plásticas de Mato Grosso do Sul (Fundação de Cultura do Estado de MS, 2013), coautor (organizado por Fábio Pellegrini e Daniel Reino).
  • Palavras Correndo Atrás de Textos (ed. Letra Livre, 2016), poemas e outros conto.
  • Azur Macadam (Editions Estaimpuis, France, 2016), poemas.
  • Vertentes: Nossos Poemas (ed. Life, 2020), poemas (coautor).

Elpídio Reis

Elpídio Reis nasceu em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, em 14 de fevereiro de 1920. Foi advogado, assistente social, jornalista, professor e escritor brasileiro. Em vida, exerceu as seguintes funções: Diretor do Instituto 15 de Novembro, obra social de menores (Ministério da Justiça); Diretor Superintendente do Jornal Tribuna da Imprensa, Diretor Superintendente e Redator-chefe do Jornal Shopping-News, do Rio de Janeiro; Procurador Geral da Fundação Legião Brasileira de Assistência; Diretor técnico e Professor da Escola de Serviço Social da PUC-RJ; Presidente da Associação Brasileira de Assistentes Sociais, Seção Rio de Janeiro. Faleceu em 1997.

Livros publicados:

  • 1976 – Tempo de saudade (poesia e prosa)
  • 1977 – O cavalo preto
  • 1978 – Eu por aí...
  • 1979 – Moralize-se!
  • 1980 – Os 13 pontos de Hélio Serejo (biografia)
  • 1981 – Ponta Porã - Polca, churrasco e chimarrão (ensaio)

Hildebrando Campestrini

Campestrini nasceu em 6 de maio de 1941, na cidade de Cedro, Santa Catarina, e vivia há mais de 55 anos no Estado, quando faleceu em novembro de 2016, em decorrência de um câncer. Era escritor e membro da Academia Sul-mato-grossense de Letras.

“Hildebrando foi um homem que estudou e ensinou a todos sobre a história do Estado e sobre a língua portuguesa, um historiador dedicado à fidelidade dos fatos. Foi meu professor em 1992. Mato Grosso do Sul perdeu hoje uma parte de sua história”, disse o presidente da OAB/MS, Mansour Karmouche.

Entre as obras de Hildebrando estão a ‘História de Mato Grosso do Sul’, que vai para a oitava edição, ‘Santana do Paranaíba’, ‘Eldorado – memória e riquezas’, além de organizar e reeditar autores sul-mato-grossenses ou ligados à nossa história, como ‘Obras Completas de Hélio Serejo’, ‘Obras Completas de Raul Silveira de Mello’, além de organizar a Série Memória Sul-Mato-Grossense. E é, também, coautor da Enciclopédia das Águas de Mato Grosso do Sul, obra ímpar na cultura regional.

Theresa Hilcar

Cronista, nasceu em Lagoa da Prata (Minas Gerais), em 18 de junho de 1957. Casou-se em 1978 e mudou-se para Campo Grande em 1980. Depois de ter seu segundo filho, voltou ao mercado de trabalho e iniciou sua trajetória no jornalismo como apresentadora de telejornal na recém inaugurada TV Campo Grande.

Em 1990, publicou sua primeira crônica em um jornal da Capital. Meses depois, ela tornou-se parte integrante do Correio do Estado, sendo publicada semanalmente às terças-feiras. Entrevistou várias personalidades do mundo cultural, artístico e político do cenário nacional, fazendo amizades com escritores do quilate de Fernando Sabino, Ignácio de Loyola Brandão, Marina Colasanti e Ziraldo. Incentivada pelos dois amigos, Loyola e Ziraldo, publicou seu primeiro livro, coletânea de crônicas, intitulado “No outro lado do peito”.

Em 1997, lançou seu segundo livro “Tereza toda Terça” e no mesmo ano retornou à Belo Horizonte onde continuou a faculdade de comunicação social na Instituição Faculdades Integradas Newton Paiva, curso iniciado na UCDB. Voltou para Campo Grande em 1999, depois de breve temporada morando em Paris. Lançou seu terceiro livro em 2005 “No trem da vida”. Em 2013, pela Editora Letra Livre – Campo Grande, lançou o livro de crônicas “No fundo do poço não tem mola”. Também é autora de "A crônica dos quatro".

  • Concorreu e foi eleita – em 16 de maio de 2006 – para a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (Cadeira nº 06).
  • Tomou posse solene no dia 24 de julho de 2006, e foi saudada (em nome da ASL), na ocasião, pela acadêmica Maria da Glória Sá Rosa.

Hélio Serejo

Hélio Serejo nasceu em Nioaque, em 1 de junho de 1912  e faleceu em Campo Grande, no dia 8 de outubro de 2007. Foi um escritor, jornalista e folclorista brasileiro.

Foi para São Paulo tratar dos olhos, fixando residência em Presidente Venceslau, em 1948, logo se mudando para Campo Grande, onde trabalhou como ervateiro. A produção da erva-mate o permitiu conhecer o universo e o folclore de sua gente, que retratou em suas obras.

Foi membro de diversas instituições e academias, dentre as quais o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, a Academia Mato-Grossense de Letras, no Brasil, e de instituições estrangeiras, como Centro Folclórico Sul-Americano de Bogotá, o Cultura Crioula de Paissandu, do Uruguai ou a Sociedade de Pesquisa Folclórica de Lisboa.

Serejo deixou cerca de 60 livros publicados, dos quais se destacam:

  • Tribos Revoltadas – Novela Íncola – 1935
  • Carreteiro de Minha Terra – 1936
  • Modismo do Sul de Mato Grosso – 1937
  • 3 Contos – 1938
  • 4 Contos – 1939
  • Homens de Aço – A Seita nos Ervais de Mato Grosso – 1946
  • Ronda Sertaneja – 1949
  • Rincão dos Xucros – 1950
  • Prosa Rude – 1952
  • Tinha um pé de maconha em casa -1955
  • Canto Caboclo – 1958
  • O Homem Mau de Nioaque – 1959
  • Poesia Mato-Grossense – 1960
  • Buenas Chamigo – 1960
  • De Galpão em Galpão – 1962
  • Versos da Madrugada – 1969
  • Carta de Presidente Venceslau ao Cumpadre Nasermo – 1970
  • Prosa Xucra – 1971
  • Pialo Bagual – 1971
  • Vento Brabo – 1971
  • Rodeio da Saudade – 1974
  • Vida de Erva – 1975
  • Contas do Meu Rosário – 1975
  • Zé Fornalha – 1976
  • Abusões de Mato Grosso e de Outras Terras – 1976
  • Campeiro da Minha Terra – 1978
  • Fogo de Angico – 1978
  • 7 Contos e Uma Potoca – 1978
  • Lendas da Erva-Mate 1 – 1978
  • Pelas Orilhas da Fronteira – 1981
  • Lobisomem – 1982
  • Palanques da Terra Nativa – 1983
  • Caraí - 1984

José Couto Vieira Pontes

Advogado e magistrado aposentado, nasceu em 10 de maio de 1933, em Três Lagoas. Escritor, contista e crítico literário. Ex-Presidente e um dos fundadores da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras. Autor de inúmeros prefácios de obras literárias.

Algumas obras publicadas:

  • Deste Lado do Horizonte
  • Jorge Luiz Borges, a Erudição e os Espelhos
  • História da literatura Sul-Mato-Grossense
  • Do diário de Cândido Hambre Del Calabozo
  • A casa dos Ofendículos
  • Os Vinte Anos da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras
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