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Canto, humor e sofrimento dão vida ao segundo dia do festival Boca de Cena

Grupo Fulano di Tal comemorou 15 anos durante Mostra Boca de Cena, com a “Ópera do Malandro

Aliny Mary Dias Publicado em 28/03/2018, às 18h12

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Grupo Fulano di Tal comemorou 15 anos durante Mostra Boca de Cena, com a “Ópera do Malandro

O Grupo Fulano di Tal comemorou seus 15 anos durante a Mostra Boca de Cena, com a encenação da “Ópera do Malandro”, de Chico Buarque. A exibição teve seu segundo dia aberto com feixes de luzes, cortinas vermelhas e entonação do ator e diretor Breno Moroni que transportava a plateia aos anos dourados do espetáculo circense. Após a abertura, as luzes deram lugar a penumbra e aos poucos as cortinas foram se abrindo para dar espaço aos personagens da trama.  

A peça conta a história de um cafetão de nome Duran (Samir Henrique), que se passa por um grande comerciante, e sua mulher Vitória (Manolo Schittcowisck), que do nome nada herdou, sendo uma cafetina que vivia da comercialização do corpo. Sua filha Teresinha (Gabriela Coniutti) é “apaixonada” por uma patente superior, Max Overseas (Yuri Tavares), que vive de golpes e conchavos com o chefe de polícia Chaves (Edner Gustavo). Também movimentam a história as prostitutas Fichinha (Lydiane Coimbra) e Shirley (Andressa Bussolaro), além da travesti Geni (Vini Ferreira), que só serve para apanhar, cuspir e dar para qualquer um. Recheada de problemáticas que perduram até hoje e são tratadas como tabus, como prostituição, homosexualidade, travestilidade e corrupção, a peça se desenrola de forma cativante intercalando assuntos sérios e humor.

Chico Buarque escreveu a obra em 1978, durante a ditadura militar. Num misto de drama e graça, a peça a tem um tom político que condiz com o cenário político atual. “Ele não podia ser transparente, por isso se inspirou nos anos quarenta. Desde então nada mudou, estamos cansados de tudo o que está acontecendo. Mas a gente tem grandes chances de mudar isso. Queríamos encenar algo de contestação por conta do momento político que o Brasil está vivendo”, diz o diretor Marcelo Leite.  

História

Esta é a sétima vez que o Grupo participa, e a quinta consecutiva. “É muito legal ver a evolução da Mostra, a quantidade dos grupos e o intercâmbio entre eles. É legal ver esse crescimento da Mostra, se consolidando, e lutamos para que aconteça sempre na Semana do Teatro. Quero agradecer à Fundação de Cultura, que organiza a Mostra, e também aos outros grupos que estão participando, ao iluminador, Douglas Caetano aos técnicos da Fundação e do Teatro Dom Bosco. Até domingo vamos ter teatro e circo de graça nesta cidade. Por favor, compareçam”, convida Marcelo.

“Hoje é um dia especial para nós do Grupo Fulano di Tal, pois foi aqui neste palco que tudo começou, há 15 anos”, disse o diretor Marcelo Leite, após a encenação da “Ópera do Malandro”, na noite desta terça-feira, 28 de março, no Teatro Dom Bosco, durante a Mostra Sul-Mato-Grossense de Teatro e Circo – Boca de Cena 2018.

Para o ator Manolo Schittcowisck, que também trabalha como diretor dos trabalhos do grupo, o Boca de Cena traz uma experiência estética em que todos saem ganhando. “Se é teatro, se e esta coisa que é viva, só acontece quando ela é feita. Para o público é o que conta. A formação de plateia não é só quando é direcionada, com ações pontuais, tem que ter a continuidade. Se não tem teatro aqui, também não tem como o público vir. Essa experiência estética que o Boca de Cena traz faz todo mundo ganhar”..

Para quem também quer participar dessa experiência estética, a Mostra Boca de Cena traz espetáculos gratuitos de teatro e circo até o dia 1º de abril, próximo domingo.

Confira a programação completa aqui.

Serviço

Todas as apresentações são gratuitas. Mais informações com Márcio Veiga, coordenador do Núcleo de Teatro da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul pelos telefones (67) 3318-9170 ou (67) 9 9272-9770.

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