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Mulheres ‘plus size’ se revoltam com propaganda ‘enganosa’ e rebatem marca

Na Capital, opinião é semelhante

Daiane Libero Publicado em 08/09/2016, às 12h03

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Na Capital, opinião é semelhante

Mulheres 'plus size' se revoltam com propaganda 'enganosa' e rebatem marcaTudo começou com a blogueira plus size e modelo Ju Romano, famosa por ter mais de 90 mil seguidores nas redes sociais falando sobre o assunto. Nessa semana, a C&A, loja de roupas no estilo "fast fashion", lançou uma campanha supostamente para mulheres gordas, com os dizeres "Sou gorda & Sou Sexy". 

O grande problema, conforme apontou a blogueira, é que a modelo retratada na campanha não era gorda. "A modelo escolhida (…) veste 44/46 no máximo, ela é linda e talentosa, mas não é gorda e também não acredito que ela passe por um décimo das dificuldades e preconceitos que as gordas passam no dia a dia – como por exemplo tentar achar uma peça que sirva dentro de lojas de departamento, pra dizer o mínimo", definiu a blogueira em seu site. 

A polêmica foi amplamente divulgada nas Redes Sociais, e houve indignação por parte das moças que se sentiram afetadas. Em Campo Grande, o MidiaMAIS procurou algumas meninas que se encaixam no padrão plus size para saber a opinião delas. A estudante Amanda Luana de Oliveira, 23 anos, concorda com a opinião de Ju Romano, e acredita que a marca não está realmente preocupada com as mulheres gordas. "Precisamos parar de nos sentir escravas do nosso corpo. É caótico, cansativo, achar roupa nessas lojas, geralmente têm poucas peças GG e o máximo que você encontra é 46. Eu que uso 50, sou obrigada a ver alternativas, é muito ridículo passar por isso nos dias de hoje", define. 

Blogueira brasileira Ju Romano / Foto: Ju Romano/Divulgação

Para ela, essa tentativa de incluir as mulheres plus size no marketing é uma atitude que mostra uma preocupação apenas na esfera da propaganda. "E ainda colocam uma mulher visivelmente dentro dos padrões para estrelar a campanha. Eu nem me arrisco mais a ver roupa em lojas de 'fast fashion'. Compro tudo na internet", explicou Amanda à reportagem. 

A vendedora Luisa Rocha, 33 anos, de Dourados, acredita que a intenção da marca não foi ruim, mas com as redes sociais, "foi um tiro no pé". "Todo mundo quer se sentir incluído hoje em dia. Eu que uso manequim 48, estou vários quilos acima do peso, também quero. Achei que eles erraram na concepção da ideia como um todo. Acho triste pois gosto das roupas da marca, embora precise procurar muito para achar algo que goste e sirva lá dentro. Mas ir até uma loja para gordos também não é fácil, as roupas são feias e muitas vezes ficam grandes para quem tem um manequim menor que 52", indica. 

Exemplos da moda

No Brasil, ser gorda e andar na moda sem gastar muito e sem sofrimento pode até ser algo distante da nossa realidade, mas fora do país o mercado plus size tem estado em franco crescimento. Um exemplo disso é a modelo norte-americana Tess Holliday, que foi a primeira modelo plus size a integrar o casting da agência Milk, uma das mais famosas do mundo, que até então só tinha em sua seleção modelos muito, muito magras. Outro exemplo é Fulvia Lacerda, modelo brasileira mas que encontrou o sucesso no segmento quando morava nos Estados Unidos. 

Tess Holliday é uma das modelos plus size mais bem pagas do mundo / Foto: Divulgação

As duas modelos, além de mostrarem que mulheres gordas podem usar qualquer tipo de roupa que esteja na moda, também costumam apontar que, em uma indústria que explora a imagem das mulheres o tempo todo, tudo bem amar seu próprio corpo. A campanha "Body Positive" ("Corpo positivo") é uma das encabeçadas por Tess. "Para mim, o problema é realmente a associação errada da palavra gorda com uma mulher esguia, com barriga reta e pernas finas. O problema é a marca se apropriar de uma causa que ela não apoia de fato", finalizou a blogueira Ju Romano. 

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