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Afinal, onde está o pai da criança de 9 anos estuprada pelo irmão de 18?

Na tragédia familiar em Naviraí, pai nem sequer foi lembrado
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Na tragédia familiar em , pai nem sequer foi lembrado

Na última quinta-feira (12), a matriarca de uma família de Naviraí, a 359 quilômetros de , volta de madrugada de uma festa, acompanhada do filho de 18 anos. Ele adentrou a residência enquanto ela permaneceu conversando com o namorado no portão de casa. Até que foi surpreendida pelos gritos da filha de 9 anos. Ao socorrê-la, percebeu que a criança havia sido vítima de violência sexual. Horas depois, o filho foi preso em flagrante na 1ª Delegacia de Polícia Civil, por estupro de vulnerável.

O caso é lastimável e sem dúvidas chocou os leitores do Jornal Midiamax. De tão inacreditável, a notícia permaneceu entre as mais lidas do site até a manhã desta sexta-feira (13). Na página do jornal no Facebook, os leitores encheram a caixa de comentários da matéria e se alternavam na escrita do principal questionamento: “Cadê a mãe desta criança?”

A pergunta saiu com naturalidade, como se fosse igualmente natural esperar que, a qualquer momento, um rapaz estupre a própria irmã ou como se a mãe pudesse ser tão onipresente quanto Deus e tão imaculada quanto a Virgem Maria, para gerar filhos sem um pai.

Em outras palavras, a pergunta que mais interessa não foi feita nenhuma vez: Afinal, onde está o pai da criança de 9 anos estuprada pelo irmão de 18?

Mais do mesmo

Um fato ignorado nos comentários é que, independente de quem seja a culpa, a mãe da menina está sofrendo duplamente com a situação. Primeiro, por ter uma filha, ainda criança, vítima de estupro. Segundo, pelo crime ter sido cometido pelo filho mais velho. Todavia, pouquíssimos ‘ousaram’ se colocar no lugar dela. Para a maioria, foi mais fácil julgar uma mãe solteira de dois filhos, a solidarizar-se com o drama que ela agora enfrenta. Ou lembrar que o pai das crianças também é responsável pelo que ocorreu, já que o papel de cuidar dos filhos não pode ser restrito apenas Às mães.

Confira alguns comentários:

“Essa criança estava sob os cuidados de quem enquanto a mãe estava no baile com o filho? Ela sai para divertir, namorar, e a criança de 9 anos estava em casa sozinha? Na minha opinião, se essa criança estava sozinha em casa, a mãe tem tanta culpa quanto o irmão (que cometeu o estupro)”.

“Estranho é que, pelo relato, a mãe e filho estavam fora festejando e bebendo, enquanto uma criança de 9 aninhos ficou sozinha em casa???”.

“Ela também tinha que ficar presa. Muitas vezes isso acontece por culpa dos próprios pais, de não saberem cuidar do seus filhos”.

Explicações possíveis

Mas o que motiva tanta insensibilidade, partindo, inclusive, de outras mulheres, para com uma pessoa que também é claramente vítima da situação descrita? O que leva as pessoas a relativizaram a participação paterna na criação dos filhos?

Para a historiadora especialista em gênero, que também coordena o Núcleo de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher da Subsecretaria de Políticas para as Mulheres do Estado de Mato Grosso do Sul, Rosana Monti Henkin, este fundamento está na organização patriarcal da sociedade, que atribui a mulheres e homens funções diferentes. “Os homens são os provedores, que fazem as regras e que cuidam do dinheiro. Já as mulheres são responsáveis por educar crianças, preparar alimentos e cuidar da casa”, explica.

Para Henkin, todo resultado da desigualdade social sexista recai sobre a mãe porque foi desta forma que esses papéis de gênero foram socialmente construídos. “Assim, reverter esta situação requer necessariamente o debate sobre a desconstrução. Com iguais valores dentro da sociedade, a responsabilidade pela educação e criação da família seria compartilhada”, explica.

O que resta de esperança é que, no futuro, as próximas gerações saibam interpretar melhor as causas, consequências, culpados e vítimas de situações extremas e dolorosas como a ocorrida em Naviraí, a exemplo de alguns parcos comentários que conseguiram ir além do que se viu: “Parem de botar a culpa na mãe!!! Ela é vítima tanto quanto a filha!!!!”.

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