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Agronegócio brasileiro já sofre com crise política na Ucrânia

O recrudescimento da crise política na Ucrânia e as manobras russas derivadas dessa turbulência sacudiram os mercados financeiros globais na semana passada e deixaram como saldo, no caso das commodities agrícolas, valorizações expressivas das cotações de trigo e milho. Já no Brasil, o setor que mais se ressente é o de carne suína. Apesar da […]

Arquivo Publicado em 10/03/2014, às 19h44

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O recrudescimento da crise política na Ucrânia e as manobras russas derivadas dessa turbulência sacudiram os mercados financeiros globais na semana passada e deixaram como saldo, no caso das commodities agrícolas, valorizações expressivas das cotações de trigo e milho.

Já no Brasil, o setor que mais se ressente é o de carne suína. Apesar da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs) afirmar que não haverá reflexos, já existem sinais de que haverá problemas. Para o presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Folador, já é possível sentir os primeiros efeitos da crise envolvendo os dois países.

Em janeiro, as exportações brasileiras de carne suína in natura tiveram redução de 6,4% sobre o volume exportado no mês anterior. Na comparação com janeiro de 2013 a queda é ainda mais expressiva: 15,6%, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria e Comércio (Secex). O mercado aguardava uma recuperação a partir de fevereiro, mas a crise na Rússia e Ucrânia freou esta expectativa.

“A indústria já sente alguns reflexos porque Rússia e Ucrânia são os dois principais países importadores. Em 2013 eles lideraram o ranking. Estive conversando com alguns frigoríficos que têm habilitação pra exportar para estes dois países e eles me disseram que os embarques que estavam prontos, apenas esperando autorização, estão parados”, diz Folador.

A pausa nos embarques para estes dois países tende a pressionar ainda mais o preço do suíno vivo para baixo. No mercado interno, os preços dos suínos vivos recuaram em torno de 20% para o produtor em janeiro e fevereiro, de acordo com os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), uma queda comum para esta época do ano. Mas, mesmo com a queda, os preços estão maiores do que no mesmo período de 2013 – no Rio Grande do Sul, a cotação na última semana de fevereiro foi 7% maior que no mesmo período do ano passado.

“O produtor ainda está em vantagem com preços acima do ano passado, e tivemos um janeiro atípico, com os preços de novembro e dezembro mantidos”, diz Folador, acrescentando que acredita em poucos dias a paralisação nos embarques para Rússia e Ucrânia deva se resolver.

Mesmo assim, a queda nos preços preocupa, pois os custos de produção estão aumentando, seguindo a alta do milho e do farelo de soja. No Rio Grande do Sul, a saca de milho está em R$ 24,50 e o farelo de soja à vista R$ 1.273,33 a tonelada. Além disso, Folador diz que grande parte dos produtores e integradoras gaúchos estão estocando milho para se protegerem de uma possível quebra de segunda safra de milho.

Trigo

Mas não é apenas a carne de suíno que enfrenta problemas. Outras commodities já sentem os efeitos da crise na Eurásia. A maior delas é o trigo. Na bolsa de Chicago, os contratos para maio encerraram a última sessão negociados a US$ 6,4350 por bushel, com ganhos de 2,9% em relação à véspera e de 6,8% na comparação com a semana anterior. Conforme o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a Ucrânia seria o quinto maior país exportador do cereal nesta safra. As altas não foram mais expressivas porque, segundo traders, os principais portos exportadores do país não tinham sido afetados pelos problemas políticos.

No mercado de milho de Chicago, os papéis para maio fecharam a US$ 4,8425 por bushel, valor 4,5% superior ao da semana anterior. Ainda que a Ucrânia também produza milho, as valorizações foram puxadas sobretudo pela escalada do trigo, já que ambos podem ser usados com a mesma finalidade em alguns segmento, como o de rações. Também as preocupações com o clima na América do Sul colaboraram para o aumento nos preços.

Jornal Midiamax