Um peregrino cuspiu no rosto de uma manifestante que participava da Marcha das Vadias, realizada neste sábado (27), no posto 5 de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. Em resposta à agressão, as mulheres rebolaram, mostraram os seios e a bunda.
O protesto é contra a política da Igreja Católica sobre o aborto e pedem por um “verdadeiro” Estado laico. Um dos gritos que elas entoavam perguntava pelo morador que sumiu da Rocinha, na semana passada: “Papa levanta o seu vestido, quem sabe aí embaixo está o Amarildo?”
Um grupo de aproximadamente 50 peregrinos da França, do Chile e da Itália, que participam da Jornada Mundial da Juventude, se sentiram ofendidos com o ato e iniciam um bate-papo com as participantes do ato.
Segundo Rogéria Peixinho, ativista da AMB (Associação de Mulheres Brasileiras), a visita do pontífice a capital fluminense tem como “contraponto a livre manifestação de outra juventude”, na rua, “protestando contra a opressão e o controle da vida e da sexualidade das mulheres”.
“A presença do papa e os recursos públicos alocados para a visita de um líder espiritual colocam em xeque a laicidade do Estado. (…) Esse tema está dentro dos eixos da marcha, assim como o direito ao corpo, as denúncias sobre os casos de estupro que estão aumentando principalmente no Rio, e a formulação de políticas públicas de proteção às mulheres”, disse ela.