Autor do requerimento para criar comissão, Siufi diz que já tem assinaturas suficientes para investigar calote apesar da prefeitura ter dinheiro em caixa
Os vereadores podem aprovar a segunda CPI na Câmara Municipal, desta vez para investigar a situação das finanças da prefeitura e o suposto calote nos prestadores de serviços e empresas. A nova comissão, proposta pelo vereador Paulo Siufi (PMDB), já teria o número necessário para ser instalada. “Já existem assinaturas suficientes” para aprovação, afirmou o peemedebista, mas não revelou o número de parlamentares
Batizada de CPI do Calote, a comissão tem o objetivo de apurar a falta de pagamento para duas empresas que têm contratos firmados com a prefeitura – a CG Solurb, concessionária responsável pela coleta de lixo da Capital, cuja dívida gira em torno de R$ 25 milhões desde dezembro do ano passado, e a RDM Recuperadora de Créditos, que tem R$ 4,406 milhões a receber da administração municipal.
Siufi justificou a medida na tribuna, onde questionou o porquê de a prefeitura não quitar as dívidas, enquanto tem condições de efetuar os pagamentos. “Se a prefeitura tem dinheiro em caixa, porque não está pagando a Solurb e RDM?”, diz.
Conforme Siufi, ele enviou requerimento à prefeitura para que informe o saldo em caixa desde o mês de janeiro até agora, e pede a relação de fornecedores, com empenhos, pagamentos já feitos e a serem realizados.
Segundo ele, o Tribunal de Contas do Estado será solicitado para acompanhar as investigações. “Não seria necessário, já que foi comprovado que a prefeitura não está pagando. Ainda assim, vamos encaminhar o pedido ao TCE”, disse.
O vereador Alex (PT) ocupou a tribuna depois de Siufi e, como líder de Bernal na Câmara, disse estar “ansioso” pela discussão, porque o contrato com a RDM sempre foi alvo de discussões entre ele e o prefeito.
“Estou absolutamente convencido de que as duas matérias são importantes”, reforçou. Alex acrescentou que para a Câmara “não comer poeira”, também deveria analisar a situação da dívida da Santa Casa e as denúncias de superfaturamento de medicamentos para os postos de saúde do município.
A Câmara Municipal já criou a CPI da Saúde, que tem a finalidade de investigar as irregularidades no tratamento do câncer na Capital. A segunda pode atingir, diretamente, a administração de Alcides Bernal, que teria R$ 382 milhões em caixa, mas não vem honrando os contratos firmados pelo município.