Geral

Atirador norueguês usou videogame para planejar ataque

O fanático anti-islâmico norueguês Anders Behring Breivik disse nesta quinta-feira (19) à Justiça que usou jogos de computador para preparar seus ataques de 2011, depois de passar quase um ano inteiro isolado da sociedade para dedicar horas a fio a um videogame. Breivik, julgado pela morte de 77 pessoas em 22 de julho, disse que […]

Arquivo Publicado em 19/04/2012, às 15h27

None

O fanático anti-islâmico norueguês Anders Behring Breivik disse nesta quinta-feira (19) à Justiça que usou jogos de computador para preparar seus ataques de 2011, depois de passar quase um ano inteiro isolado da sociedade para dedicar horas a fio a um videogame.


Breivik, julgado pela morte de 77 pessoas em 22 de julho, disse que passou “muito tempo” jogando Modern Warfare, jogo de tiro em primeira pessoa, e que também dedicou quase um ano a World of Warcraft, jogo de guerra para vários jogadores, com mais de 10 milhões de participantes on-line.


“Eu realmente não gosto desses jogos, mas é bom se você quer simular para propósitos de treinamento”, disse Breivik, que sorriu ao descrever o sistema de mira de Modern Warfare.


Breivik matou oito pessoas com um carro-bomba no centro de Oslo, e depois assassinou a tiros outras 69 – principalmente adolescentes – em um acampamento do Partido Trabalhista numa ilha próxima à capital norueguesa.


Ele admitiu os assassinatos, mas declarou ser inocente e ter agido em legítima defesa, já que para ele as vítimas eram traidores que ameaçavam a pureza étnica norueguesa ao apoiarem a imigração e o multiculturalismo.


Breivik disse que no Réveillon de 2010 para 2011 passou 17 horas seguidas jogando Modern Warfare, e acrescentou que jogos desse tipo serviam para simular a reação policial ao atentado e a melhor estratégia de fuga.


“Calculei a probabilidade de sobreviver ileso em menos de 5 por cento”, afirmou ele ao tribunal no terceiro dia de depoimentos, referindo-se ao atentado a bomba entre prédios governamentais, quando ele esperava ser cercado por policiais. “Eu me treinei para sair dessa situação. Era isso que eu estava simulando.”


Quando adquiriu as armas a serem usadas nos ataques, ele as batizou com nomes da mitologia nórdica. “O rifle eu chamei de Gungnir, que é o nome da lança mágica de Odin, que volta depois que você a atira. E a Glock eu chamei de Mjoelnir (…), era o martelo do deus guerreiro Thor.” Ele usou runas (um arcaico alfabeto nórdico) para marcar os nomes nas armas.


Durante a preparação, ele foi morar com mãe, para economizar, e dedicava muitas horas aos games de guerra, o que preocupava a mulher. “É claro que eu não podia dizer a ela que estava tirando um sabático porque ia me explodir dentro de cinco anos (…). Era um sonho que eu tive, e eu queria realizar.”


O julgamento de Breivik deve durar dez semanas. A principal dúvida é se ele será considerado mentalmente apto para ser julgado e cumprir pena. Breivik disse que ser considerado inimputável seria uma humilhação “pior que a morte”.


Uma junta de psiquiatras nomeada pelo tribunal o considerou insano, mas outra o considerou apto.


Na quarta-feira, Breivik disse que deveria ser absolvido ou executado, e que a possibilidade de cumprir pena de prisão é “patética”.


Durante o julgamento, Breivik tem insistido que comanda um movimento nacionalista de resistência, e que em 2002 foi admitido em Londres numa ordem de militantes nacionalistas chamada Cavaleiros Templários. Ele no entanto se recusou a responder mais de cem perguntas sobre o assunto.

Jornal Midiamax