Geral

Erenice Guerra diz que sofre “sórdida campanha”

A saída da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, do governo foi anunciada no início da tarde desta quinta-feira, depois de um encontro com o presidente Lula. Erenice Guerra nem chegou a sair de casa para trabalhar. Logo cedo, recebeu o ministro Franklin Martins, chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, que foi levar […]

Arquivo Publicado em 17/09/2010, às 00h02

None

A saída da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, do governo foi anunciada no início da tarde desta quinta-feira, depois de um encontro com o presidente Lula.


Erenice Guerra nem chegou a sair de casa para trabalhar. Logo cedo, recebeu o ministro Franklin Martins, chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, que foi levar o recado do presidente Lula.


Horas depois, no Palácio do Planalto, Erenice se reuniu com o presidente e, em seguida, o governo divulgou sua carta de demissão.


No texto, ela diz que sofre uma sórdida campanha para a desconstituição da imagem, do trabalho e da família dela. Erenice também afirma que precisa de paz e tempo para se defender e que isso é incompatível com a carga de trabalho na Casa Civil. No fim, em caráter irrevogável, pede demissão.


Filiada ao Partido dos Trabalhadores desde 1981, Erenice sempre foi uma petista atuante. Mas se tornou conhecida por ter sido o braço direito de Dilma Rousseff no governo Lula. Ela e Dilma se conheceram em 2002, na fase de transição. Erenice trabalhou no Ministério de Minas e Energia, como assessora jurídica, na gestão de Dilma. Depois, virou secretária-executiva da então ministra da Casa Civil.


Em 2008, durante a CPI dos cartões corporativos, foi uma das suspeitas de ter elaborado um dossiê sobre os gastos da família do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em março deste ano, com a saída de Dilma para se lançar candidata à presidência, Erenice assumiu o cargo.


Sempre discreta, há cinco dias, Erenice passou a ser o centro das atenções no mundo político. Uma reportagem da revista Veja, denunciou um esquema de tráfico de influência dentro da Casa Civil, envolvendo o filho dela, Israel Guerra.


Durante a semana, foi revelado que parentes e amigos da ex-ministra ganharam cargos públicas sem concurso após a chegada de Erenice ao governo. O filho de Erenice, Israel Guerra, trabalhou na Anac, a Agência Nacional de Aviação Civil, entre 2006 e 2007. Em 2008, passou a ocupar um cargo de confiança na Terracap, a empresa que cuida das terras públicas do Distrito Federal. Nesta quinta-feira, ele foi demitido.


Vinícius, o compadre de Israel Guerra, também ocupou cargo de confiança na Anac, entre 2006 e 2009, quando foi nomeado assessor jurídico da Casa Civil.


O tio dele, Marco Antônio Marques de Oliveira, foi diretor da Infraero e, depois, dos Correios. Foi responsável pelos contratos com a empresa que contratou os serviços de Israel e Vinicius.


Dois irmãos de Erenice também já trabalharam para órgãos públicos, em cargos comissionados: José Euricélio Alves de Carvalho e Maria Euriza Carvalho. Ela também contratou, sem licitação, o escritório de advocacia de outro irmão, Antônio Alves Carvalho, para prestar serviços ao governo.



Assim que foi anunciada a saída de Erenice Guerra, o primeiro nome cogitado para assumir a Casa Civil foi o de Miriam Belchior. Ela é coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, e amiga pessoal do presidente Lula. Mas o nome de Miriam não foi confirmado. Interinamente, assumiu o secretário-executivo da Casa Civil, Carlos Eduardo Esteves. O novo titular da pasta só deve ser anunciado na semana que vem.

Jornal Midiamax