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Após ouro, Érika Miranda espera acabar com as crises de ansiedade no judô

Érika superou a canadense Ecaterina Guida na final com um ippon neste sábado.

Kemila Pellin Publicado em 12/07/2015, às 12h14

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Érika superou a canadense Ecaterina Guida na final com um ippon neste sábado.

Érika Miranda sempre foi uma judoca talentosa. No Brasil, domina sua categoria há anos. Mas não conseguia controlar a cabeça quando lutava contra atletas que considerava mais fortes. Era ansiedade mesmo. Aquela pressa de colocar em prática tudo o que foi treinado, para mostrar que o bicho-papão não é tão feio quanto as pessoas contam. Não dava certo. “Eu sou ansiosa demais. Todo mundo na seleção sabe disso. E isso acaba atrapalhando”.

Na noite de sábado, quando ela conquistou a primeira medalha de ouro do Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, foi possível ver isso. Ela venceu a canadenses Ecaterina Guica com dois waza-aris. Foram dois golpes parecidos, em que a rival caiu, mas não exatamente com as costas no chão. “Eu queria que o primeiro golpe já tivesse sido ippon”, admitiu, para que a luta terminasse logo.

“Isso sempre atrapalhou muito. Nunca ninguém duvidou do talento que ela tem. Mas essa ansiedade sempre custava caro, uma hora ou outra. Quando a americana caiu e quase perdeu, eu tinha certeza que o golpe tinha saído. Avisei: tá vendo, você precisa ficar concentrada. Não pode achar que a luta acabou antes do tempo”, analisa a técnica Rosicléia Campos.

A americana de que a treinadora fala é Angelica Delgado. Ela venceu a dominicana Maria Garcia nas punições. Mas, assim que o cronômetro zerou, ela foi derrubada. Seria um ippon se o cronômetro estivesse correndo.

Pensando nesse jeito de ser agitado de sua nova campeã pan-americana, desde 2012 a Confederação Brasileira de Judô fez com que a psicóloga da equipe, Luciana Castelo Branco, trabalhasse diretamente com a atleta. Funcionou. Em 2013, ela chegou pela primeira vez em uma final de Campeonato Mundial. Foi vice-campeã. Em 2014, terminou em terceiro lugar.

“Quando perdi na estreia nas Olimpíadas de 2012, percebi que precisava fazer alguma coisa. Resolvi apostar nesse trabalho psicológico. Já evolui muito, mas ainda posso melhorar. O Pan, por exemplo, é o meu maior teste. Não pelo resultado em si, mas pelo clima. Eu avisei que só iria ter uma chance para lutar assim, com torcida, com pressão da família, com o tablado no alto e todo mundo olhando. Tudo para evitar a decepção das duas últimas Olimpíadas”.

Lembrando: em 2007, aos 20 anos, ela foi a quinta colocada no Campeonato Mundial e se classificou para os Jogos Olímpicos de Pequim. No ano seguinte, ela se machucou nas vésperas da Olimpíada e acabou cortada depois de já ter entrado com a deleção na China.

Jornal Midiamax