Cotidiano / Economia

Curva de juros desinclina na semana, na esteira da ata e da eleição no Congresso

O discurso mais ‘hawkish’ do Banco Central, que fez diversas instituições anteciparem as projeções para aumento da Selic, e a aposta da vitória do governo nas eleições do Congresso fizeram com que a curva de juros tivesse desinclinação forte nesta semana. O diferencial entre as taxas do DI para janeiro de 2022 e janeiro de […]

Agência Estado Publicado em 30/01/2021, às 00h25

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O discurso mais ‘hawkish’ do Banco Central, que fez diversas instituições anteciparem as projeções para aumento da Selic, e a aposta da vitória do governo nas eleições do Congresso fizeram com que a curva de juros tivesse desinclinação forte nesta semana. O diferencial entre as taxas do DI para janeiro de 2022 e janeiro de 2027 passou de 411 pontos-base na sexta-feira passada para 371 pontos nesta sexta – nível esse, aliás, mais baixo do que a média do mês de janeiro (385).

A taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 caiu de 3,366% a 3,305% (regular estendida). O janeiro 2023 cedeu de 4,931% para 4,83% (regular, na mínima) e 4,835% (estendida). O janeiro 2025 passou de 6,465% a 6,32% (regular, na mínima) e 6,34% (estendida). E o janeiro 2027 recuou de 7,144% a 7,010% (regular e estendida).

A liquidez da sessão, porém, foi baixa nesta sexta, o que intensificou os movimentos, especialmente na hora final de negócios. Foram negociados nesta sexta-feira 559.765 contratos do janeiro 2022, 302.365 do janeiro 2023, 146.585 do janeiro 2025 e 65.230 do janeiro 2027. As médias do mês foram, respectivamente, 634 mil, 439 mil, 160 mil e 83 mil. De todo modo, as tendências do desenho da curva não se alteraram.

Os juros futuros vieram desinclinando gradualmente desde que o Banco Central retirou o ‘forward guidance’ e manifestou preocupação com a inflação subjacente, no comunicado da decisão da Selic, e expôs o debate a respeito de alta da Selic, na ata divulgada na terça-feira cedo.

A exceção dessa desinclinação gradual desde o Comitê de Política Monetária (Copom) foi a sessão de sexta-feira passada, marcada pelo estresse com as críticas de Rodrigo Pacheco (DEM-MG), candidato do governo ao comando do Senado, ao teto de gastos.

Assim, o mercado acabou absorvendo a declaração de Pacheco e, em meio à aposta da vitória dupla do governo (com Arthur Lira na Câmara dos Deputados), a expectativa é de que a agenda da equipe econômica destrave no Congresso.

Levantamento do jornal O Estado de S. Paulo mostra que o senador pelo DEM de Minas Gerais tem 33 dos 41 votos necessários para vencer e o deputado do Progressistas de Alagoas, 217 dos 257.

Além da questão das reformas, a Capital Economics também cita a preocupação do mercado acerca de um debate em torno de um impeachment de Jair Bolsonaro em caso da vitória de Baleia Rossi (MDB-SP) à Presidência da Câmara.

A consultoria britânica vê o deputado, aliado de Rodrigo Maia (DEM-RJ) e da esquerda, como “mais receptivo” a iniciar esse processo. O emedebista, contudo, tem somente 126 votos declarados.

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