Cotidiano / Economia

Carne Fraca preocupa setor de MS que exportou US$ 50 milhões em 2 meses

Governo considera hipótese de impacto nas exportações

Guilherme Cavalcante Publicado em 06/03/2018, às 16h07

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Governo considera hipótese de impacto nas exportações

A reação do mercado internacional de importação de carne avícola, em função da terceira fase da operação Carne Fraca, pode trazer grandes consequências para a economia de Mato Grosso do Sul. De acordo com o titular da Semagro (Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), Jayme Verruck, é possível que a operação afete negativamente as exportações de aviários no Estado, que somente em janeiro e fevereiro deste ano lucrou cerca de US$ 50 milhões.

Verruck explica que a pior perspectiva é que o mercado internacional adote restrições à importação da carne de aves de origem brasileira como um todo. “É o pior cenário e já estamos trabalhando essa hipótese. Mas, também é possível que as restrições ocorram somente em relação aos produtos que sejam originários da Brasil Food (BRF)”, explica o secretário.

Carne Fraca preocupa setor de MS que exportou US$ 50 milhões em 2 meses

operação ‘Trapaça’, a terceira fase da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal

Em Mato Grosso do Sul, o setor aviário é responsável pelo abate 643 mil aves ao dia, oriundos de rebanho estimado em 22 milhões de aves, segundo a Semagro. Atualmente, são cinco frigoríficos – 90% da produção está concentrada em três empresas: Seara, Frango Bello e a BRF, localizada no Distrito Industrial de Dourados, a cerca de 225km da Capital.

Todavia, segundo Verruck, o MAPA descredenciaria para exportações apenas as unidades produtivas que são alvo da operação – a de Dourados não está entre elas, a princípio. Ou seja, caso o mercado internacional mantenha as importações, Mato Grosso do Sul não seria afetado.

“Num curto espaço de tempo, isso poderia até beneficiar Mato Grosso do Sul, pois a exportação poderia ser deslocada para essa unidade. Porém, é um impacto pequeno, não é muito relevante neste momento. Nossa preocupação é realmente se os países que importam nossa carne fizerem retaliação devido à origem brasileira”, explica o secretário.

Setor exportou US$ 50 milhões em janeiro e fevereiro em MS (Divulgação/Semagro)

Precauções

Verruck também destaca que o Ministério da Agricultura deverá soltar, nos próximos dias, normas adicionais para aumentar a fiscalização nas unidades produtores de aves do país. Ele também destaca que as unidades da BRF sob investigação são fiscalizadas dentro do SIF (Sistema de Inspeção Federal), ou seja, órgãos estaduais não efetuam vistorias. “Mas isso não quer dizer que não façamos parceria permanente com o Ministério, inclusive para dar apoio para fazer uma fiscalização, principalmente em cima da questão da salmonela, que é um processo permanente”, aponta.

No que competir a Iagro (Agência Estadual de Defeda Sanitária Animal e Vegetal), a propósito, o secretário também destaca que haverá reforço na fiscalização. “O fato das nossas empresas não serem alvo das investigações não as isenta de nada. Além disso, sabemos que atualmente os obstáculos para a exportação de carne não são questões tributárias, mas sanitárias”, aponta.

No último dia 3, foi encerrado o prazo de credenciamento de aviários – locais de criação de aves -, determinado pelo MAPA. O credenciamento obrigou que os produtores adotassem novas medidas sanitárias de biossegurança a fim de combater a contaminação da carne. “Fizemos uma força-tarefa e conseguimos credenciar 84% dos aviários. Quem não efetuou o cadastro não poderá alojar aves enquanto não resolver as pendências”, conclui.

Jornal Midiamax