Cotidiano / Economia

JBS comprou gado de fazenda com trabalho escravo, diz jornal

Empresa alega ter suspendido compras após denúncias

Joaquim Padilha Publicado em 08/06/2017, às 12h07

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Empresa alega ter suspendido compras após denúncias

A JBS comprou gado de fazendas do Pará que foram flagradas com trabalho escravo e desmatamento ilegal, denunciadas pelo Ministério Público Federal, Polícia Federal e pelo Ibama.

A revelação foi feita pelo Repórter Brasil, em parceria com o jornal britânico “The Guardian”. A fazenda foi investigada na operação Rios Voadores, em 2015. 

A operação encontrou trabalhadores dormindo em barracos sem paredes, portas, ou qualquer proteção contra cobras e insetos. Os homens tiravam a água para beber do mesmo rio onde os bois bebiam e defecavam, e viviam sem o mínimo de condições de higiente e alimentação adequada.

A fazenda, chamada de Curuá se localizava em Altamira, cidade considerada a mais violenta do Brasil no último relatório nacional da violência divulgado pelo IPEA. 

Documentos trazidos pelos jornalistas mostram que a JBS comprou R$ 5,9 milhões em gado da fazenda Curuá, entre 2013 e 2014. A empresa frigorífica afirma ter suspendido as compras após a revelação das investigações.

“A JBS não compra gado de fazendas que tenham qualquer associação com o trabalho escravo, de acordo com a lista divulgada pelo governo brasileiro”, afirmou a empresa em nota.

O coordenador do grupo de combate ao trabalho escravo da OIT (Organização Internacional do Trabalho no Brasil), criticou a postura da empresa, que segundo ele, deveria parar de se ancorar nas listas oficiais do governo e monitorar seus fornecedores por conta própria.

“Todos os setores econômicos têm que fazer sua própria regulação, além de usar a lista suja, para chegar se há trabalho escravo entre seus fornecedores”, afirma o coordenador Antônio Carlos de Mello Rosa. 

(com supervisão de Evelin Cáceres)

Jornal Midiamax