Cotidiano / Economia

Após aprovação de acordo, BCE libera mais € 900 milhões para bancos gregos

Eurogrupo concordou em liberar € 7 bi à Grécia, mas só oficializa decisão nesta sexta-feira  

Clayton Neves Publicado em 16/07/2015, às 13h16

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Eurogrupo concordou em liberar € 7 bi à Grécia, mas só oficializa decisão nesta sexta-feira

O BCE (Banco Central Europeu) decidiu aumentar em € 900 milhões por uma semana o limite de empréstimos de emergência a bancos gregos, anunciou nesta quinta-feira (16) o presidente da instituição, Mario Draghi. O aumento é um passo importante na direção da reabertura das instituições. Desde o fim de junho a linha de crédito estava limitada a € 89 bilhões. Segundo Draghi, o BCE parte do princípio de que a Grécia “é e continuará sendo um membro da zona do euro”.

Um empréstimo temporário de € 7 bilhões também já foi acertado pelo Eurogrupo em princípio, mas os detalhes técnicos levarão até sexta-feira para serem fechados, disseram autoridades. O empréstimo, a ser usado para quitar a parcela de € 3,5 bilhões mais juros junto ao BCE, precisa da aprovação de ministros das Finanças da União Europeia.

— O BCE atendeu aos pedidos do Banco da Grécia — afirmou o presidente do BCE, que afirmou esperar que os bancos reabram em breve.

Os bancos gregos estão fechados desde 29 de junho e os saques da população em caixas eletrônicos são limitados a € 60 por dia.

Draghi afirmou que a linha emergencial não é ilimitada e incondicional, e que a exposição dos bancos centrais da zona so euro à Grécia subiu a € 130 bilhões.

Perguntado o que acontecerá se a Grécia não pagar a parcela de 3,5 bilhões na próxima segunda-feira, Draghi disse que a informação que tem é que o pagamento será feito, assim como o que país deve ao FMI. Por isso, afirmou, essa possibilidade está fora de questão.

A certeza de Draghi de que o pagamento do dia 20 será honrado indica que o empréstimo-ponte de € 7 bilhões que está sendo negociado pelo Eurogrupo será concedido à Grécia. Ele mostrou que concorda com a linha de pensamento defendida pelo FMI e a própria Comissão Europeia de que a Grécia precisa de um alívio da dívida:

— Não há controvérsias sobre a necessidade de alívio da dívida. A questão é qual é a melhor forma de alívio. Acho que devemos nos focar nisso.

O premier grego, Alexis Tsipras, conseguiu na madrugada desta quinta-feira (horário local) aprovar novas medidas de austeridade exigidas em troca do socorro. O dinheiro virá do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira, um fundo de resgate da União Europeia, disse a fonte. Ao ser perguntado sobre a confiança do BCE em relação ao novo pacote de socorro se nem Tsipras acredita nele, Draghi afirmou:

— Você realmente quer que nós tomemos decisões baseadas em incertezas políticas? Ou levantando dúvidas sobre a habilidade de um governo de implementar suas decisões? Não, nós cumprimos o nosso mandato.

O presidente do BC europeu disse, ainda, que cabe ao governo grego desfazer as dúvidas sobre a implementação do acordo, assim como sobre a capacidade e a vontade de fazê-lo.

— A união é imperfeita, e sendo imperfeita é frágil, vulnerável e não tem todos os benefícios que poderia ter se fosse completa. No futuro agora poderia haver passos decisivos para uma maior integração.

Depois do aumento da linha emergencial, espera-se que os bancos gregos reabram para para algumas operações e saques limitados, pelo menos até que o pacote de socorro seja aprovado e os bancos recebam uma parte dos € 25 bilhões destinados à recapitalização.

Fontes que pediram o anonimato disseram que o acordo entre os ministros de Finanças da zona do euro será anunciado na sexta-feira, depois que os parlamentos tiverem votado o acordo para liberar até € 86 bilhões à Grécia.

Jornal Midiamax