Cotidiano / Consumidor

Dá para comer bem sem se endividar? Veja dicas para não ter surpresa com gastos de delivery

Facilidade com pagamento via aplicativo fez com que muitos se enrolassem em dívidas

Gabriel Maymone Publicado em 23/05/2021, às 08h32

Serviços delivery aumentaram com pandemia
Serviços delivery aumentaram com pandemia - Leonardo de França / Midiamax

Em tempos de pandemia, sair para comer naquele restaurante preferido  deixou de ser opção para muitos campo-grandenses que, por outro lado, não abriram mão de se alimentar bem.  A substituição pelo delivery e o pagamento via aplicativo de celular fizeram muitos perderem o controle dos gastos. Então, separamos algumas dicas para evitar o comprometimendo da renda com esse tipo de gasto.

Assim, a economista especialista em planejamento de finanças pessoais, Andreia Saragoça, explica que é preciso diferenciar os tipos de gasto. "Precisamos separar a alimentação diária de uma eventual ida ao restaurante. São duas coisas diferentes: uma é necessidade e a outra é lazer (pelo fato de poder ou não ser feita, uma escolha). 

O ponto chave para evitar surpresas desagradáveis na fatura do cartão é identificar todos os gastos ao pedir comida e com compras em supermercado e açougue, por exemplo. "Com a informação correta desses gastos, podemos tomar a decisão de comprar mais marmita pronta, por exemplo, ou preparar em casa e levar mais comida pronta", explica Saragorça.

Apesar da preocupação com as finanças, muitos não abrem mão de pedir um prato mais elaborado como sushi, pizza, massas. Mesmo assim, é possível, com planejamento, não deixar de satisfazer essas vontades. Não existe uma regra do quanto não se deve comprometer da renda mensal, mas "precisam ser condizentes com a realidade financeira de cada um, pois a ideia e não entrar no vermelho para satisfazer vontade (e não necessidades) que podem ser programadas para serem atendidas numa data especial, como por exemplo um aniversário", orienta a economista.

Como se planejar?

A especialista em finanças pessoais explica a melhor forma de se planejar. "Primeiro, precisamos saber o quanto gastamos com a alimentação diária (podemos fazer isso anotando esses gastos diariamente, por 3 meses, para termos uma média desses gastos) e com gastos com restaurante/delivary (que não são necessidades, são escolhas), para posteriormente, ajustar esses valores, de acordo com a realidade".

Aí fica a dúvida cruel: é melhor deixar de lado aquele prato preferido e optar por marmita mais simples todos os dias ou limitar os pratos elaborados? A resposta é que cada um tem que adequar conforme a sua realidade. "Temos sempre que optar pela qualidade de vida nas nossas escolhas financeiras, aproveitar sempre o melhor custo x oportunidade. Sempre peço para meus clientes saírem da casinha: será que não compensaria levar uma marmita bem elaborada de casa? Com a comida que você mesmo preparou? Um lanche que compramos um pão e queijo e montamos (pagamos 1/3 do valor que um salgado, por exemplo, – assim uniríamos qualidade e preço)", conlui Saragoça.

Me endividei, e agora?

A facilidade em pedir comida por aplicativo e pagar com cartão de crédito já cadastrado faz com que muitas famílias se descontrolem nas finanças. O problema é que as taxas do cartão de crédito são altíssimas.

Por ser uma situação que afeta muitas famílias, o Procon-MS atua na conciliação dessas dívidas. "A gente orienta o consumidor a evitar pagar o mínimo do cartão de crédito, isso leva ele para uma armadilha financeira altríssima", diz o superintendente do órgão, Marcelo Salomão.

Assim, em agosto do ano passado foi criado o Nupaces (Núcleo de Atendimento ao Consumidor Endividado/Superendividado) no Procon, que tem como objetivo orientar consumidores e apoiá-los na busca de regularização de sua situação econômico-financeira.


Atendimento a endividados no Procon-MS - Foto: Divulgação

"Sentamos na mesa para renegociar a dívida dele, não importa se é cartão de crédito, banco..o Procon tem o papel de conciliação, intermediação. É um serviço de assistência social, totalmente gratuito", conclui Salomão.

Para se ter uma ideia, até abril, mais de  800 pessoas já haviam passado pelo serviço, sendo 384 somente nos meses de fevereiro e março.

Jornal Midiamax