Cotidiano / Consumidor

Com ‘paradeira’ no comércio da capital consumidores aproveitam para pagar contas

Ano novo e dívidas antigas; janeiro é o mesmo dos impostos, como IPTU, IPVA, e ainda, gastos com matrícula e materiais escolares, entre outros.

Arquivo Publicado em 02/01/2012, às 18h36

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Ano novo e dívidas antigas; janeiro é o mesmo dos impostos, como IPTU, IPVA, e ainda, gastos com matrícula e materiais escolares, entre outros.

Já estamos em outro ano (2012), é dia 2 de janeiro, mas a cidade ainda parece com cara de ‘ressaca’. Calçadas e lojas com pouca gente e movimento mesmo somente nos bancos, bancas ou lotéricas de Campo Grande.


Em uma conhecida agência na esquina da Rua Marechal Rondon com a 13 de Maio, menos de 10 clientes na fila e algumas pessoas nos Caixas Eletrônicos.


Na mesma via (Marechal Rondon), centro da capital, uma pequena fila com cerca de 10 consumidores em uma lotérica. Não são pessoas que vão apostar na ‘mega-sena’, a maioria foi para pagar contas.


Maria Inez Ferreira disse que foi apenas conferir o resultado de alguns jogos. Para ela, equilíbrio foi a ‘palavra-chave’ no final de 2011, para não começar o ano novo endividada. “Tem que controlar para não extrapolar, senão a gente se complica mesmo, gasta demais”.


A maior preocupação da dona-de-casa nessa época é com os impostos nesse período. “Tem IPTU, IPVA e assim vai. Todo ano é a mesma coisa, mas tem que pagar, fazer o quê?”, questiona Maria Inez.


Já em uma banca da mesma rua, muitos consumidores com mais contas na mão. Entre eles, Solange Verga, que foi saldar as ‘continhas’ mensais. “Água, luz, telefone, que são meus principais gastos. Comprei sim algumas roupas básicas no Natal, mas não gastei muito, não. Isso pra evitar ficar com dívidas desde o começo do ano”, comentou Solange.


Mesmo não pagando escola particular, já que o filho estuda em colégio estadual, a preocupação dela agora é com os gastos com material escolar do menino de 09 anos. “Não pago mensalidade, mas sabe como é essa criançada, sempre quer uma mochila nova e bonita, mais os materiais da moda e acabamos desembolsando um bocado nessa época”.


Na Caixa Econômica Federal, gente para sacar o FGTS ou para dar entrada no Seguro Desemprego também. Dona Isoldina Maria Nantes foi renovar o contrato de ‘penhor’ da mãe dela. A geógrafa garantiu que teve o ‘pé no chão’ na reta final de 2011, justamente para evitar transtorno no ano novo. “Opa, pé no chão mesmo, só gastando com o essencial! Pra ter uma idéia, amanhã viajo pra Alta Floresta (MT), mas vou e volto de carona. Parece que não, mas isso vai me ajudar a economizar bastante também”.


Tranquila, Isoldina disse que o valor do IPTU dela não é tão alto, mas em compensação aquelas continhas básicas acabam pesando no orçamento, como água, luz, telefone. A geógrafa aproveitou até para fazer uma avaliação da ‘paradeira’ em Campo Grande, nesse início de ano. “É sempre assim, isso é normal. Cidade bem mais tranqüila, as pessoas voltando das festas. Aos poucos vamos retomando o ritmo e começando tudo de novo”.


As dicas da economista


Para não começar o ano novo com a ‘corda no pescoço’, o ideal é anotar e calcular todos os gastos, principalmente aqueles na época das festas de final de ano. O recado é de Andreia Ferreira, economista que traz outras dicas importantes.


“Anote todos os seus gastos, tudo mesmo. Se parcelar, o número de parcelas, quanto vai pagar por mês, quando tem que pagar e assim por diante. E seja bem controlado, pois esses são alguns passos importantes para não virar uma bola de neve”, explicou Andreia.


Para ela, outro fator fundamental nessa luta contra o endividamento é realizar um planejamento, saber quais as reais necessidades e investir naquilo que é mais urgente. “Quando a gente planeja, a gente controla bem mais. É uma forma de equilibrarmos essa balança financeira, seja no final de ano ou no começo também”.


Mas pra quem não passou por essa letra ‘P’ de planejamento e acabou indo direto para o outro ‘P’ de parcelamento e acabou ‘extrapolando’, fique atento. “É fundamental quitar aquelas contas com juros mais altos primeiro, como cartões de crédito e cheque especial. Se for preciso, até procurar um banco para fazer um empréstimo com taxas menores e ir pagando parcelado. Mas tem que abandonar o cartão de crédito por um tempo, para conseguir saldar o negativo primeiro”, finalizou Andreia.

Jornal Midiamax