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Cotidiano

Confusão entre sindicato e frigorífico NFL Food termina em agressão e demissão em massa em Campo Grande

Pelo menos 30 funcionários que atuavam na área de corte de carnes foram demitidos
Liana Feitosa, Karina Campos -
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Protesto em frigorífico (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)

Demissão em massa, xingamentos, confusão e até agressões físicas envolveram funcionários, sindicalistas e o proprietário de um de localizado na saída para São Paulo, na manhã desta sexta-feira (28).

Pelo menos 30 funcionários que atuavam na área de corte de carnes foram demitidos após desentendimento com a administração da empresa. A PM (Polícia Militar) foi chamada e esteve no local com 3 viaturas.

As equipes policiais ainda revistaram os funcionários na saída desses após a dispensa. 

Entenda o caso

Tudo começou após funcionários passarem a reivindicar melhorias nas condições de trabalho e na remuneração após mudanças na empresa, ocorridas no final do ano passado.

O local funcionava sob o nome de Beta Carne, que fechou e, agora, foi assumido pela NFL Food. Segundo o proprietário, essa nova empresa é familiar.

Início da confusão

Em dezembro de 2024, o Sticcg (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes e Derivados de Campo Grande) protocolou um pedido de reajuste no salário dos 150 trabalhadores, premiação por corte – uma espécie de valorização por produtividade, além de reajuste na ajuda para combustível, já que a empresa fica a 6 km à frente das , às margens da

Para isso, a ajuda de custo é de R$ 200 que, segundo os funcionários, não cobria o deslocamento mensal até o frigorífico.

Diante do não atendimento da empresa aos pedidos do sindicato, representantes do Sticcg foram até o frigorífico na manhã desta sexta para pressionar a administração pelo cumprimento das medidas.

Reivindicações

Um dos funcionários do local, Anderson Alves Dias, conta que chegou a trabalhar na Beta Carne, e voltou à empresa após as mudanças, há cerca de 3 meses. 

Segundo Anderson, os trabalhadores foram xingados e humilhados. “Fui entrar para pegar minhas ferramentas e ele (o dono do frigorífico) começou a me xingar, me chamar de vagabundo, falou até que ia dar um tiro na minha cabeça. Eu acho que isso não é de um patrão”, detalhou o funcionário.

“O patrão tem que chegar aqui, se reunir e conversar ‘com nós’. Somos trabalhadores, funcionários dele, tem que conversar numa boa. Agora ficar jurando os outros (de morte), que vai atirar na cabeça dos outros, eu acho que isso não existe”, completou Anderson. 

O trabalhador ainda conta que a empresa atrasa o pagamento de salários, inclusive do auxílio combustível. “Hoje, dia 28, que saiu esse dinheiro que é pra sair todo dia 20. E esses R$ 200 aí não dá pra por gasolina, não dá pra rodar o mês inteiro”, pontua o Anderson.

“Aí nós estamos questionando por causa disso e também mais outras coisas que estão tudo irregular aí dentro. Eu trabalhei na Beta Carne aqui por 11 meses e me chamaram aqui de novo. Mas se eu soubesse que estava essa safadeza toda aqui eu não tinha entrado mais”, finaliza.

O que diz o sindicato

Protesto em frigorífico (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax).

Segundo Wilson Gregório, presidente do Sticcg e da CUT, a Beta Carne ficou fechada por um período e não pagou os trabalhadores. Fez vários acordos na Justiça, mas não cumpriu nenhum.

Assim, o local foi reaberto sob o nome de NFL Food, mas também apresentou irregularidades. “Então chamamos a empresa para negociar e uma reunião foi marcada para esta semana depois de várias insistências, mas o representante da empresa sequer se manifestou. Então a gente veio falar com os trabalhadores e os trabalhadores disseram: ‘então vamos chamar a empresa para negociar’.”

Aumento da tensão

No entanto, segundo o sindicalista, ao chegarem no local para as negociações, a empresa mandou todo mundo sair. “Colocaram os funcionários aqui para fora falando que todos seriam demitidos e que não iriam negociar com o sindicato, tanto que a empresa chamou até a polícia para acompanhar os trabalhadores, para pegar os pertences deles, porque nem equipamento a empresa dá”, afirma Vilson.

Além de não fornecer EPIs (equipamento de proteção individual), a empresa também não tem técnico de Segurança do Trabalho na rotina, segundo os funcionários.

“O que a gente pede é para a Justiça ficar de olho nessa empresa. Não só a Justiça, a Polícia Federal investigar esse tipo de empresa que vem para dentro do nosso estado, vem para o município, contrata e manda embora e não paga, e fecha, Do dia para a noite vai embora e não paga os trabalhadores”, completa Vilson.

“Chegaram invadindo a empresa”

Polícia foi acionada para conter situação em frigorífico (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)

De acordo com o proprietário da empresa, Lucas Oliveira, os salários estão em dia, que o local voltou a funcionar após investimento de R$ 2 milhões e que já existe premiação por corte. Ele ainda alega que o  sindicato chegou no local com agressividade, invadindo a empresa. 

“Eles vieram de forma agressiva nos forçando a assinar o contrato, jogou o contrato em cima da mesa, bateu na mesa e o pessoal começou a invadir, cheio de faca ali fora. Até empurraram meu pai que estava aqui hoje, né? A gente ficou meio constrangido e decidiu chamar a Polícia Militar”, relata o empresário.

“O pessoal (funcionários) devolveu todas as facas, eles estavam levando embora, que a gente fornece como EPI e agora infelizmente a gente teve que demitir todos eles. Todos os acordos estão em dia e a gente se deparou com isso daí, não teve o que fazer a não ser demitir todo mundo”, completa Lucas.

O empresário ainda afirma que a manifestação sindical atrapalhou a produção do dia e que isso renderá “prejuízo enorme” à empresa. “Trinta funcionários da linha de produção a menos é um impacto muito grande. Então a gente preferiu chamar a Polícia Militar”, completa.

Para a supervisora de controle da empresa, Bruna Camargo, as reivindicações levantadas pelo sindicato não são procedentes, já que as reclamações se referem à antiga empresa, e não à nova.

“Não tem nada a ver uma empresa com a outra (Beta Carne com a nova). Não estou questionando os questionamentos deles (colegas). Cada um sabe se o questionamento está aí dentro. Exatamente por isso, porque aqui não é o Betacarnes. Por isso que as pessoas voltaram. Ninguém vai entrar na Justiça contra uma indústria e voltar para dentro dela. Isso é questão de lógica. Então hoje essa indústria não tem nada a ver com essa”, argumenta a funcionária.

Ela ainda defende que os salários não estão atrasados. “Minhas coisas estavam tudo em dia, minha equipe tudo ok. Tudo sempre com descrição, por exemplo”, finaliza.

Diante do embate entre funcionários, o sindicato e o dono da empresa, os ânimos se exaltaram e houve troca de acusações, xingamentos e até agressões físicas. A PM interviu.

Empresário e sindicato afirmaram que vão registrar boletim de ocorrência acerca das acusações trocadas. O sindicato ainda afirmou que também ingressará na Justiça contra a empresa.

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