Os 400 hectares que, normalmente, ficam cobertos de amarelo no campo de girassóis da Fazenda Cinco Estrelas, em Campo Grande, neste ano abrigam uma plantação de feijão e milho. A pausa na produção de flores é temporária, por conta da rotação de culturas.
Quando estão floridos, os girassóis viram atração turística da Capital e cenário de fotos para as redes sociais. A lavoura da Fazenda Cinco Estrelas, que fica na saída para Sidrolândia, a menos de 40 minutos da cidade, representa quase metade da produção do grão de girassol em Mato Grosso do Sul, com colheita maior que 800 toneladas em 2023.
Já em 2024, a safra do girassol ficou prejudicada pela seca que assolou o Estado. A entrada de visitantes continuou liberada, mas as flores não se desenvolveram tão bem. O plantio de girassóis na fazenda vai para consumo da semente por humanos e passarinhos; e fabricação de óleo. Além disso, ano passado, o proprietário plantou também trigo, centeio e cevada, em menor quantidade.
Ao Jornal Midiamax, o agrônomo e proprietário da Fazenda Cinco Estrelas, João Carlos Stefanello, confirmou que o local está fechado para visitação em 2025. “Este ano, os girassóis não foram plantados, é rotação de cultura. Está com feijão e milho”, afirmou.
Rotação de culturas
O plantio do girassol na propriedade começou em 2016, em mais um processo de rotatividade de cultura para melhor aproveitamento e recuperação da terra. Em 2018, um grupo de ciclistas que fazia trilha por ali descobriu a plantação, e o local virou cenário de ensaios fotográficos. Contudo, foi só em 2023 que o número de visitantes explodiu, chegando a 6 mil pessoas por dia, segundo o fazendeiro João Carlos Stefanello.
A rotação é necessária para “purificar” o solo, porque, quando se faz apenas uma cultura na lavoura, a terra fica mais suscetível a pragas específicas. Por isso, não seria saudável emendar o cultivo de girassol no mesmo solo por longos períodos. No entanto, a flor é uma alternativa lucrativa à monocultura. No caso da alternância entre grãos, como feijão e milho, o modelo se chama produção integrada e garante uma espécie de “respiro” ao solo.
Na Fazenda Cinco Estrelas, João Carlos Stefanello aplica a técnica de produção integrada. Ele planta, por exemplo, milho e braquiária ao mesmo tempo, para que a braquiária seque após a colheita, transformando-se em palhada, que proporciona cobertura ao solo e diminui o risco de erosão. Já o girassol geralmente se planta na entressafra, para manter o solo produtivo e renovado após a colheita de outros grãos.
Após um ciclo de 120 dias, retira-se apenas a flor da planta, que atinge até dois metros. Assim, o restante do caule e das folhas seca e se transforma na palhada que protege o solo, virando, também, um adubo natural para o próximo plantio. Além disso, por ser uma planta oleaginosa, o girassol neutraliza gases do efeito estufa, fixa nitrogênio no solo e, dessa forma, aumenta a qualidade de próximos cultivos.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)