Cada chuva forte que cai no Serraville, na região do Jardim Noroeste, em Campo Grande, é um pesadelo para os moradores, que precisam lidar com a enxurrada invadindo suas casas. Com a chuva desta quinta-feira (4) não foi diferente.
Laura Regina Gimenes, de 37 anos, mora com o filho, de 7, e o marido há três anos na Rua Irene Gutierrez e já cansou de ter a casa invadida pela água que desce do Noroeste. Para cessar a invasão, ela fez um buraco no muro para a enxurrada escoar.
“Na verdade, estamos jogados aqui. Furei o muro se não alaga tudo dentro de casa”, diz ao Jornal Midiamax. A vila se formou em um terreno cedido pela prefeitura para moradores da antiga comunidade Aguadinha.

Correu para a vizinha com crianças
As famílias pagam R$ 110 de aluguel social, mas muitos precisam ‘fugir’ de casa para correr da água. É o caso da babá Cleidi Rodrigues Pereira, de 46 anos, que correu para a casa de Laura quando a própria casa estava sendo invadida pela água enlameada.
Cleidi cuidada de uma criança de 1 ano e estava com o neto de 7 meses e outros menores em casa. Ela precisou acordar eles e correr para a residência da vizinha enquanto a água subia.
Sua geladeira, o tanquinho e um colchão foram atingidos pela lama nesta tarde. “A gente precisa muito de alguém que olhe pela gente”, desabafa à reportagem.

Esposa deixou a casa
As ruas da região estão intransitáveis e com grandes poças de água. O ônibus que faz a linha 519 precisou dar ré por conta do estado da via. As casas são de alvenaria sem acabamento e outras são barracos de madeira.
Como é o caso do motorista Vitor Lima, de 40 anos, que foi deixado pela esposa após uma forte chuva há 6 meses. Ela foi morar com a mãe porque estava farta de passar pela mesma situação.

De lá para cá, Vitor também já perdeu móveis, como geladeira e tanquinho, além de parte da residência de madeira, que foi levada pela enxurrada em outra chuva forte.
Nesta quinta, a lama tomou conta do quintal em que ele cultivava uma horta, com mandioca, cebolinha e alface. Agora, as plantinhas estão cobertas de barro. Moradores cobram uma solução para o problemas, que se arrasta há anos.
