Cotidiano

PMs que evitaram suicídio de jovem de 23 anos em MS contam sobre experiência de salvar uma vida

Protocolo de operação envolve comunicação e vínculo de confiança entre negociador e pai de família

Fernanda Feliciano Publicado em 12/01/2022, às 08h15

A negociação com o homem durou 30 minutos
A negociação com o homem durou 30 minutos - Foto ilustrativa | Reprodução

Preservar a ordem pública, os direitos constitucionais e a integridade física dos cidadãos são valores que a Polícia Militar carrega como missão durante seus dias de trabalho. Com base nesses princípios, a PM de Amambaí, a cerca de 300 quilômetros de distância de Campo Grande, interviu e conseguiu evitar o suicídio de um homem de 23 anos, pai de família, na última segunda-feira (3).

A operação durou 30 minutos. Com paciência, os profissionais conseguiram socorrê-lo em segurança. O Jornal Midiamax conversou com os policiais, que descreveram o processo de sensibilização e explicaram como ocorre a formação para interceder em casos de suicídio.

O sargento Eleno Corrêa, um dos policiais militares de Amambaí que integrou a ação, explica que em tentativas de suicídio é preciso seguir o Protocolo de Operação Padrão, que orienta os profissionais em situações de gerenciamento de crise. Nesse protocolo, na ausência de um interventor especialista, o policial militar mais experiente deve assumir a negociação, como foi o caso do ocorrido na segunda-feira.

O profissional ainda aponta que os primeiros 15 minutos da operação são fundamentais para criar um vínculo de confiança com a pessoa e amenizar o estresse da situação, e que na maioria dos casos a postura da PM obtém resultados positivos.

Junto a Corrêa estava o soldado Jurandir Xavier, da 3ª CIPM (Companhia Independente de Polícia Militar). À reportagem, ele relata que já havia experienciado situações semelhantes e, por isso, juntamente com sua equipe, se sentiu seguro e capacitado para participar da intervenção.

Conforme o soldado, não há um interventor especialista no município de Amambaí e a postura profissional da equipe fez toda a diferença. “Toda experiência e profissionalismo de cada um da equipe policial militar que atendeu a ocorrência foi primordial para que o atendimento tivesse sucesso, evitando que o pai de família realizasse tal ato desastroso”, explicou.

Sobre as ocorrências de suicídio, o sargento Corrêa ainda relata que apesar de serem situações atípicas, a frequência em que ocorrem vem aumentando. “Percebo nos meus mais de 23 anos de serviço um aumento nesses tipos de ocorrências. Amambaí é uma das cidades com os maiores índices de suicídio no MS, principalmente nas comunidades indígenas”. O profissional aponta que os fatores que motivam essas ocorrências são, de forma geral, relacionados a problemas familiares, à falta de perspectiva socioeconômica e ao uso de álcool e drogas.

Formação específica

Aos PMs são oferecidos treinamentos especializados para atuação em casos de gerenciamento de crise, como tentativas de suicídio. Segundo o sargento Corrêa, essa capacitação é fundamental para uma prestação de serviço de qualidade e cita um jargão militar que expressa essa importância: “treinamento difícil, combate fácil”.

De acordo com o Major do Quadro de Oficiais de Policiais Militares e Subcomandante do BOPE/PMMS, Ronaldo Moreira de Araujo, os treinamentos de gerenciamento de crise fazem parte da fase de pré-confrontação que prepara os policiais militares para atendimentos e ocorrências.

“Esses treinamentos são constantes nos cursos de formação, de especialização e de aperfeiçoamento dentro da nossa instituição. Seja para os policiais do BOPE, que é a unidade especializada para suporte operacional nas Crises Policiais, seja para os policiais que atuam diuturnamente nas unidades de área”, explica.

O Major ainda reitera a importância desses treinamentos para uma melhor atuação dos profissionais nas ocorrências. “A PMMS se prepara todos os dias para atender da melhor forma os cidadãos sul-mato-grossenses”, declara.

Procure ajuda

Em Mato Grosso do Sul, o Grupo Amor Vida (GAV) é um dos que prestam serviço gratuito de apoio emocional a pessoas em crise por meio dos telefones (67) 3383-4112, (67) 99266-6560 (Claro) e (67) 99973-8682 (Vivo), todos sem identificador de chamadas. O horário de funcionamento, segundo o site do GAV, é das 7h às 23h, inclusive sábados, domingos e feriados. 

Outra opção é o CVV (Centro de Valorização da Vida), no número 188. O apoio emocional fica disponível 24 horas todos os dias de forma gratuita. “Aqui, como em qualquer outra forma de contato com o CVV, você é atendido por um voluntário, com respeito, anonimato, que guardará estrito sigilo sobre tudo que for dito e de forma gratuita”.

Confira outros locais para atendimento em Campo Grande.

Jornal Midiamax