Cotidiano

Você conhece? Museu da FEB em Campo Grande tem acervo limitado após mudanças

Com troca de local de exposição, alguns itens do acervo estão sem destino certo

Fábio Oruê Publicado em 23/10/2021, às 08h00

Itens doados por pracinhas e familiares são considerados objetos raros
Itens doados por pracinhas e familiares são considerados objetos raros - Foto: Reprodução/ Jornalismo de Guerra

Quem quiser ver de perto uma exposição do acervo da FEB (Força Expedicionária Brasileira) em Campo Grande vai ter dificuldade de conferir os itens usados pelos pracinhas durante a 2ª Guerra Mundial. Isto porque depois que o Sesc Cultura Mello e Cáceres começou a funcionar no prédio histórico na Avenida Afonso Pena, a exposição se limitou a informações do Exército e uniformes militares. 

Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, sobre os veteranos de guerra que lutaram na Itália, somente uma réplica do uniforme usado pelos militares e informações em um painel sobre o combate está exposto no local, onde funcionou o quartel da 9ª (RM (Região Militar), instalado em 1922.  

Uma parceria foi firmada em 2016 entre a diretoria regional do Sesc/MS (Serviço Social do Comércio), o CMO (Comando Militar do Oeste) e a 9ª RM para revitalização do prédio e sua transformação em espaço cultural. Com isso, grande parte o acervo dos pracinhas foi retirado do prédio. 

Objetos que fazem parte do acervo da FEB (Foto: Reprodução/ Jornalismo de Guerra)

'Sumiço' de peças

Alguns itens que estavam expostos teriam sumido quando foram retirados do prédio, segundo levantamento feito pelo site especializado Jornalismo de Guerra. Conforme o site, o acervo teria saído de Campo Grande e realocado para a sala de exposição no 9º Batalhão de Engenharia de Combate, em Aquidauana. 

A investigação cruzou imagens de objetos que haviam sido fotografados em 2015 quando eles ainda estavam no espaço Mello e Cáceres com uma lista obtida pela reportagem com os itens que foram para o batalhão em Aquidauana. Mais de 65 itens fotografados não estavam na lista de materiais, como medalhas, uniformes, kit médico, jornais da época, placas, distintivos e etc - muitos desses objetos são considerados raros. 

O Jornal Midiamax questionou o CMO a respeito dos objetos, mas até a publicação da reportagem não havia dado retorno. Não há informações sobre o paradeiro dos objetos.

Veteranos 

Mais de 25 mil militares brasileiros lutaram na guerra, mas atualmente, segundo a AnvFeb-MS (Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira), há somente quatro veteranos vivos em MS: Agostinho Gonçalves da Mota, de 96 anos, Januário Antunes Maciel, de 99, André Ragalzi, de 99, e Justino Pires de Arruda, de 101. 

Outros três ex-combatentes, que viviam em MS, morreram durante a pandemia do coronavírus. Antônio Fermiano, em 6 de abril deste ano, aos 98 anos, Isidoro Teodoro da Silva, que morreu aos 100, em outubro de 2020, e Divo Pires Peixoto, que também faleceu aos 100, em agosto do ano passado. 

Os pracinhas: Agostinho, Januário, André e Justino. (Foto: Divulgação/ AnvFeb-MS)

Dia da FAB e Aviador

A Ala-5 da FAB (Força Aérea Brasileira), que fica em Campo Grande, não terá programação em alusão a data. Tradicionalmente, a Base Aérea abria os portões para fazer exposições e a apresentação da esquadrilha da fumaça. Porém, assim como no ano passado, a comemoração foi somente interna. 

Em 2020, o dia foi celabrado com um Culto Inter-Religioso e uma Cerimônia Militar presidida pelo Comandante da Unidade, Brigadeiro do Ar Luiz Cláudio Macedo Santos. A leitura da Ordem do Dia do Comandante da Aeronáutica, alusiva ao evento, foi lida pelo Comandante da Ala 5.

Em seguida, foi entregue a Medalha da Ordem do Mérito Aeronáutico (OMA), a mais alta distinção concedida pelo Comando da Aeronáutica, ao Chefe do Estado-Maior da Ala 5, Coronel Aviador Mateus Barros de Andrade, e ao Suboficial Alexandre Henrique Chaves, por terem se distinguido no exercício de sua profissão.

Jornal Midiamax