Cotidiano

VÍDEO: lancha ‘decola’, vira e quase colide em outro barco no Rio Taquari em suposto racha

Acidente não deixou feridos, mas chamou a atenção para exibições de piloteiros e corridas de barcos na região.

Humberto Marques Publicado em 28/01/2021, às 16h10 - Atualizado em 29/01/2021, às 08h11

Lancha decolou e virou no Rio Taquari, indo em direção a outro barco. (Imagem: Reprodução)
Lancha decolou e virou no Rio Taquari, indo em direção a outro barco. (Imagem: Reprodução) - Lancha decolou e virou no Rio Taquari, indo em direção a outro barco. (Imagem: Reprodução)

Vídeo gravado nas águas do Rio Taquari, na região de Coxim –a 260 km de Campo Grande– flagrou o exato momento em que uma lancha “decolou” ao atingir, possivelmente, um pedaço de madeira que boiava nas águas e quase colidiu contra outra embarcação. O acidente, que não deixou feridos, sugeriu que ambas disputavam um racha, algo que seria comum na região nos períodos de proibição de pesca.

Conforme exibido na gravação, as lanchas –que teriam saído de uma região de sítios em direção à cidade de Coxim– fazem uma curva em velocidade e avançam em um local onde há pessoas assistindo. Em certo momento, o barco mais próximo da margem passa por cima da madeira, perde estabilidade e vira.

Em certo momento, parece que os barcos vão colidir. Depois, o que escapou do acidente se afasta e manobra de volta, com o público de olho. Relatos foram de que não houve feridos.

A situação não é nova na região, conforme relataram moradores do município ao Jornal Midiamax. A prática se intensificaria nos períodos de Piracema, onde, sem a pesca, a navegação segue praticada. Em 2017, a Prefeitura de Coxim já alertara piloteiros sobre a proibição e realizarem manobras com barcos e lanchas.

A legislação proíbe manobras radicais com embarcações, com exceção do jet ski –que deve ficar a pelo menos 200 metros de outras embarcações e banhistas. Corridas entre barcos só são autorizadas em eventos oficiais, com fiscalização da Marinha.

“Para fazer esse tipo de evento, tem de comunicar a gente”, afirmou o sargento Marcos Leite, da Marinha do Brasil, lotado na Capitania de Ladário –responsável pela região de Coxim. “Somos informados, vamos ao local e fazemos o isolamento da área para evitar acidentes com banhistas ou outras embarcações”, prosseguiu. Segundo ele, não houve comunicação recente sobre eventos do gênero em Coxim.

Já a aplicação de penalidades, que vão de multa à apreensão da embarcação, depende de apuração e julgamento da Capitania dos Portos. “Há penas administrativas ou punições equivalentes a multas de trânsito”, explicou o sargento, apontando aumento da punição em caso de reincidência.

Marinha prepara ações em 2021 para conscientizar população sobre riscos

Moradores da região de Coxim consideram que “exibições” ou mesmo rachas entre lanchas não são incomuns na região. “Em todo o lugar tem isso”, afirmou um deles. Sobre os envolvidos no acidente, a reportagem apurou que se tratam de pessoas que participam de eventos com frequência, principalmente no Rio Paraná.

O piloto do barco que acompanhava o que se acidentou negou à reportagem que eles disputavam um racha. “Isso não existe, é propaganda falsa”, afirmou. Segundo ele, ambos haviam saído de um rancho e subiam o Taquari, que estava enchendo muito. “Se ver a gravação vai notar que na frente do barco dele vinha rodando um pau, e ele bateu”.

O segundo piloto ainda disse que, apesar da impressão de estarem próximos, estava entre “10 e 15 metros” longe do barco que se acidentou. “Nada a ver isso de que o barco passou por cima de mim”. Ele ainda afirmou que as pessoas na beira do rio foram acionadas para oferecer um barco ao amigo –que não sofreu ferimentos, usava colete salva-vidas e retirou a chave do motor no instante em que foi lançado para fora.

“Foi como um acidente comum em que há dois carros, um deles bate e vai em cima do outro. Ele veio em minha direção, mas eu estava longe”, complementou.

O sargento Moacir Leite afirma que notificações sobre corridas aquáticas irregulares no Estado não ocorrem com frequência. “Recebemos muitas denúncias sobre excesso de passageiros em embarcações, falta de colete e uso de álcool”, afirmou. O desafio é conseguir fiscalizar toda a área de Mato Grosso do Sul que, desde 2018, passou a jurisdição de Ladário, sem ter pessoal suficiente.

“Para este ano, estamos preparando visitas até para coibir esse tipo de coisa e conscientizar o pessoal, preparando a divulgação nas rádios alertando dos perigos, o que cada embarcação deve ter, como agir, o que fazer antes de navegar, usar colete”, complementou. Bataguassu, em fevereiro, deve ser o primeiro lugar vistoriado, sendo seguido por Três Lagoas e Coxim.

*Matéria alterada às 18h32 para acréscimo de informações

Jornal Midiamax