Cotidiano

Trabalhando em Campo Grande, caminhoneiros se dividem sobre paralisações nas estradas

Caminhoneiros acreditam que falta 'ordem mais específica' sobre protestos

Gabriel Neves e Renata Barros Publicado em 09/09/2021, às 09h50

Movimento ocorre em todo o Brasil, com quatro pontos de paralisação em MS
Movimento ocorre em todo o Brasil, com quatro pontos de paralisação em MS - (Foto: Marcos Ermínio/Midiamax)

A manifestação dos caminhoneiros em apoio ao presidente Jair Bolsonaro vem ganhando força em Mato Grosso do Sul nas últimas horas desta quinta-feira (9). Apesar disso, em Campo Grande, os motoristas seguem indecisos sobre a paralisação e dividem opiniões sobre a necessidade do movimento.

Mario Goulart, 47 anos, considera o atual preço dos combustíveis barato e acredita que o protesto é uma ação necessária para mostrar apoio a Bolsonaro. “Só estamos ajudando, não estamos fazendo greve de motoristas, estamos fazendo greve pelo Brasil”.

Sobre o áudio em que o presidente pede pelo fim das paralisações, o caminhoneiro acredita que não se trata da real intenção do chefe do executivo. “Ele falou aquilo, mas não foi com vontade. Tinha pressão em cima dele”, afirma Goulart.

Ainda assim, outros motoristas são contrários ao movimento que se desenha há dois dias em todo o país. Para Claudio Santos, aderir ao movimento seria prejudicial para ele e seus colegas. “Depende da empresa, mas não quero paralisar porque vou perder dinheiro”, afirmou.

Já Alfredo Pereira Matos, 53 anos, ainda segue indeciso sobre a necessidade e futuro das manifestações e admite não possuir muitas informações sobre o assunto. “Não tenho muitas informações, mas se for para melhorar (o trabalho da classe) que tenha manifestação, e, se tiver, que seja pacífica. Se todos aderirem eu vou apoiar”.

Alfredo Pereira Matos se considera indeciso ao falar sobre apoio ao movimento. (Foto: Marcos Ermínio/Midiamax)

Mesmo afirmando apoiar a paralisação caso necessário, Matos ainda vê a ação com receio. “Estamos lidando com o inesperado, pode virar uma coisa ruim que prejudique (a classe)”, ponderou.

Bloqueios em MS

De acordo com a PRF (Polícia Rodoviária Federal), foram formados quatro pontos de bloqueios e dois de concentração em Mato Grosso do Sul. Confira:

BR-158 — Paranaíba, km 91: bloqueio total;

BR-163 — Eldorado, km 38: interdição parcial, com pare e siga;

BR-163 — Naviraí, km 117: interdição total;

BR-163 — Douradina, km 290: interdição total;

BR-262 — Três Lagoas, km 4: ponto de concentração;

BR-163 — São Gabriel do Oeste, km 614: ponto de concentração.

Liminar

A Justiça Federal concedeu decisão liminar determinando o desbloqueio imediato na BR-163 em MS.

Conforme a PRF, a instituição já está de posse da liminar, que determina multa de R$ 10 mil por dia, caso a BR-163 continue interditada. A multa pode ser aplicada ao CNPJ ou CPF dos organizadores.

"Estamos solicitando, também, à Justiça Federal, liminar semelhante para as demais rodovias federais do Estado", informou a assessoria de imprensa da PRF.

Manifestações dos caminhoneiros

Além de MS, pelo menos outros 10 estados registram pontos de bloqueios de caminhoneiros bolsonaristas: SP, RJ, BA, GO, MA, MG, PA, RS, SC e TO. Em vários pontos, os manifestantes liberam a passagem de carros pequenos e veículos de emergência.

Apesar do apoio ao presidente, os caminhoneiros continuam com os protestos mesmo após Bolsonaro gravar um áudio pedindo para que os manifestantes encerrem o movimento, pois "atrapalha a economia" e "prejudica todo mundo, em especial, os mais pobres".

Jornal Midiamax