Cotidiano

Síndrome pós-covid: Saiba quando é preciso ficar atento e que exames fazer no check-up

Sinais variam da dificuldade para respirar até a síndrome do pânico

Mylena Rocha Publicado em 23/04/2021, às 14h00

Inflamação causada pela Covid-19 pode durar até 90 dias.
Inflamação causada pela Covid-19 pode durar até 90 dias. - Leonardo de França/Midiamax

Mato Grosso do Sul está há mais de um mês com média móvel acima de mil casos de coronavírus por dia. Com tantos casos de infectados pela doença, tem crescido a procura de pacientes pelo check-up médico, com sintomas que vão da dificuldade para respirar até a síndrome do pânico. A lista de sintomas depois que o paciente já se recuperou da Covid-19 é extensa, por isso a recomendação é procurar um médico e fazer exames o quanto antes. 

O pneumologista Ronaldo Perches Queiroz já atendeu mais de mil pacientes no tratamento da síndrome pós-covid em Mato Grosso do Sul e explica que têm sido comuns casos de pacientes que apresentam queixas mesmo depois de serem curados do coronavírus. “Os trabalhos internacionais indicam que de 40 a 60% dos pacientes que tiveram a covid resolvida, nos quadros leves e moderados, apresentam sintomas. Esses sintomas configuram a síndrome pós-covid”, explica. 

O médico afirma que o coronavírus tem um ciclo da doença composto por três fases, especialmente nos casos leves e moderados. Nos primeiros cinco dias ocorre a fase da replicação viral, quando o vírus se multiplica até chegar aos pulmões e causa um processo inflamatório em todo o corpo. Do 6º ao 12º dia, ocorre a fase de alto risco, a chamada inflamatória pulmonar. 

“O vírus chegou ao pulmão e pode apresentar grandes processos inflamatórios. Nesta segunda fase, há risco de pneumonia, trombose e inflamação nos pulmões, levando à internação e até à UTI (Unidade de Terapia Intensiva)”, explica o pneumologista. Por fim, chega a fase de resolução da Covid-19. 

Quais são os sintomas pós-covid? 

A pneumologista Amanda Almirão Alves explica que os pacientes podem apresentar uma série de sintomas após serem infectados pelo coronavírus. Os pacientes apresentam dores de cabeça, tontura, turvação visual, disfunção cognitiva como o esquecimento, perda do olfato e paladar, distorção dos gostos, dormência ou formigamento de mãos, zumbido nos ouvidos, dores musculares e dores no corpo em geral, fadiga, falta de ar, ansiedade, insônia e medo excessivo. 

A médica ressalta que há tratamento para os sintomas pós-covid. “Há tratamento medicamentoso, fisioterapia respiratória e motora, recomendo exercícios físicos, boa alimentação, higiene do sono e acompanhamento psicológico”, diz. 

Quando procurar um médico? 

A orientação para pacientes que se recuperaram do coronavírus é procurar o médico para fazer um check-up. A médica Amanda orienta procurar o médico da família, que já está familiarizado com o paciente e conhece seu histórico. 

O pneumologista Ronaldo Perches recomenda que os pacientes que tiveram coronavírus procurem um médico até uma semana depois da alta. Ele explica que a principal preocupação é com as queixas respiratórias, quando o paciente apresenta fadiga, fôlego curto e dificuldade para respirar. 

“Precisa fazer tomografia de tórax, fazer exame de espirometria, para avaliação funcional dos pulmões, exame de imagem como ecocardiograma, ultrassom e exames laboratoriais. O foco que nos preocupa são as complicações pulmonares, quando a inflamação pulmonar é intensa, o risco de evoluir mal no pós-covid é grande”, ressalta.

Há chance de sequelas permanentes? 

O pneumologista afirma que a inflamação pulmonar causada pelo coronavírus pode durar até 90 dias. Porém, há chances de que o paciente tenha sequelas pelo resto da vida. 

Isso acontece porque a inflamação pulmonar pode evoluir para fibrose. “Pacientes que tiveram comprometimento pulmonar podem evoluir com fibrose, tendo lesão irreversível, com queda da sua capacidade respiratória até o fim da vida. Existem vários tratamentos multidisciplinares e medicamentos que vão ajudar o paciente que venceu a covid também vença essas complicações pulmonares”, conclui Ronaldo Perches.

Jornal Midiamax