Cotidiano

Sem asfalto há anos, outro dilema assola o Itamaracá: a falta de segurança

Moradores relatam assaltos, precariedade das ruas e problemas com transporte público

Felipe Ribeiro Publicado em 04/08/2021, às 15h00

Em tempo chuvoso, lamaçal surge nas ruas do bairro
Em tempo chuvoso, lamaçal surge nas ruas do bairro - (Foto: Felipe Ribeiro)

Um problema antigo do bairro Itamaracá, região sul de Campo Grande, tem levado dor de cabeça para os moradores da região. Sem asfalto e policiamento, quem mora na localidade sofre com buracos nas ruas, lamaçal quando chove e assaltos frequentes.

O motorista de caminhão, José Carlos, 57, reside próximo ao rodoanel e afirma que a situação é precária no bairro, que existe há 40 anos e só tem promessas de melhorias. “Esse bairro aqui é esquecido há muitos anos. Foi loteado por volta de 1980. De lá para cá, não evoluiu nada. Só a linha de ônibus é asfaltada. Eu moro aqui há 23 anos e o assalto é constante. Polícia aqui não se vê. Se passa, é só na avenida Guaicurus ou no rodoanel”.

José relatou ainda que sua filha, que mora perto de sua casa, teve o caminhão assaltado enquanto estava entrando na residência. Os criminosos arrombaram a porta do veículo e tentaram furtar panelas que havia na carroceria. Mas, sem sucesso, só levaram alimentos que continham no caminhão.

Morador do bairro, José Carlos

Os moradores do Itamaracá alegam que estão esquecidos pelas autoridades. Benedita Rufina, 59, do lar, disse que recentemente houve um episódio de agressão a uma vizinha e que chamou a polícia. Mas, a corporação não chegou a ir ao local para averiguar o fato denunciado.

“A gente queria que a polícia passasse aqui mais vezes, principalmente no fim de semana que é quando a gente sente mais medo. Às vezes, chamamos a polícia, mas ela não vem. Outra situação é o asfalto. Nunca asfaltaram essas ruas aqui. Quando é época de eleição, os candidatos aparecem, fazem promessas, mas nunca asfaltam nosso bairro”, explicou Rufina.

Com o sentimento de descaso, os vizinhos da localidade também reclamam da pontualidade do transporte público. Rosalva Oliveira, 42, está desempregada e avalia que o valor pago pela passagem não é compatível com a qualidade do transporte público que atende o bairro.

“As linhas de ônibus daqui demoram uma hora para chegar no bairro. A gente fica um bom tempo esperando. Que melhoria tem esse bairro? Toda hora tem que pagar um passe. Se tivéssemos um transporte coletivo bom, até que a gente não reclamaria. Mas, não é o caso”, desabafou a moradora.

Sem pavimentação, quem transita pela região sofre quando chove na cidade. Nas ruas, surgem valetas e motoristas acabam sofrendo com atolamentos, que chegam a impedir a entrada de carros nas residências.

Procurada pela reportagem, a prefeitura de Campo Grande informou que tem buscado captar recursos adicionais para o lançamento de novas frentes de pavimentação, abrangendo bairros como o Jardim Itamaracá.

Uma esperança a quem mora no bairro está relacionada à pavimentação da Avenida Rita Vieira de Andrade, que pode facilitar o acesso ao Itamaracá. No local, é possível perceber as obras em andamento. Segundo a prefeitura, o prolongamento da via, que é o trecho inicial do novo acesso às Moreninhas, está concluído.

Jornal Midiamax