Cotidiano

Rotina e salário: Confira histórias de campo-grandenses que atuam em ‘profissões do futuro’

Jogos, entregas, unhas, são diversas as áreas que crescem e ganham novos adeptos na Capital

Gabriel Neves Publicado em 01/05/2021, às 07h15

Jovens campo-grandenses estão apostando no ramo do streaming.
Jovens campo-grandenses estão apostando no ramo do streaming. - (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Neste sábado (1º) é comemorado o dia do trabalhador, data em que, na verdade, grande parte das pessoas usam para dar uma descansada, o famoso feriado. Mas porque não pensarmos um pouco nas profissões que surgiram e estão crescendo em Mato Grosso do Sul.

Há anos chamar um carro por aplicativo se tornou algo normal ou então pedir comida com poucos toques no celular, sem falar nos digitais influencer, nos streamer e diversas outras, que crescem cada dia mais no Estado.

O Jornal Midiamax conversou com diversos profissionais que atuam nessas ‘profissões do futuro’ que surgiram há pouco tempo, possuem diversas pessoas na área, mas ainda sim geram dúvidas nas cabeças de muitos. Esses profissionais relataram como são suas rotinas de trabalho, como o dinheiro entra na conta e diversos outros pontos.

Digital Influencer

Nerida Barbosa já possui 1,95 milhões de inscritos no YouTube. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Nerida da Silva Barbosa, 22 anos, ou apenas Nérida Barbosa como muitos conhecem, trabalha com redes sociais desde 2015, ano que começou seu primeiro canal no YouTube.

Seis anos depois, a influencer conta como é sua rotina de trabalho, sem horário para entrar e para sair, o expediente se torna 24 horas por dia. “Quando a gente trabalha com internet não tem horário, é o dia todo respondendo as pessoas, fazendo postagem, falando com empresas, mas o lado é que você faz o seu horário, seu preciso fazer algo em certo dia, basta adiantar tudo e fico livre”, comentou.

Mas é possível ganhar dinheiro postando foto e vídeo? O pai de Nerida se fazia a mesma pergunta, “a ficha dele caiu quando eu comecei a comprar umas roupas melhores, fazer uns trabalhos para marcas”, brincou. Sem revelar quanto ganha, ela explica que sua principal fonte de renda é seu o YouTube, mas as outras redes também trazem o famoso ‘dim dim’ a partir de contratos com marcas e empresas.

Streamer

MW Loyola durante live jogando League of Legends. (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Embora conhecido por poucos, os streamings - lives de jogos - ganharam diversos adeptos nos últimos anos, tanto de profissionais que promovem o conteúdo, como de público.

As pessoas que realizam essas transmissões ao vivo são chamadas de streamers, como é o caso de Matheus William Deloyola, 21 anos, mais conhecido como ‘MW Loyola’ por seu público.

Como em diversos outros casos, esse ramo não proporciona um salário fixo, um horário para entrar ou para sair, mas ainda sim é preciso dedicação. Matheus conta que trabalha para uma produtora em Campo Grande. “Tecnicamente eu faço meu horário, mas também vai de acordo com os disponíveis pela produtora”, comentou o streamer após ‘virar’ a noite jogando e fazendo live.

Sem salário fixo, a renda vem das visualizações. “São diversas plataformas, dentro da Twitch, que eu uso, há várias maneiras de ganhar dinheiro, pelos donettes, uma doação feita na hora, os inscritos que pagam um valor ao site e eu recebo uma porcentagem, doação de bits – uma moeda online – e também por publicidade”.

“Apesar disso, é difícil ganhar dinheiro, na verdade no começo você não ganha nada, pra dizer que um cara já consegue ganhar dinheiro ele precisa de uma média de 1.000 pessoas online assistindo suas lives todos os dias”, explicou MW Loyola.

Entregas por aplicativo

Embora os pedidos por aplicativo já estejam difundidos entre moradores de diversas cidades de Mato Grosso do Sul, poucos são aqueles que entendem a rotina de trabalho dos motociclistas que realizam esse trabalho.

Jorge Luiz da Silva Leal, 32 anos, trabalha há dois anos com entrega por aplicativo, mais especificamente em quatro plataformas, uma delas sendo de entrega de bebidas e o restante de alimentos.

Ele explica que para iniciar, a pessoa precisa realizar um cadastro no site do aplicativo e enviar os documentos necessários. “Mas não é certeza que você vai entrar, porque os cadastros são aceitos com base na quantidade de restaurantes e pedidos na cidade”.

O profissional conta que os horários são decididos pelo próprio entregador, mas se engana quem acha que é moleza, “para a pessoa viver disso, digamos ter uma renda de R$ 2 mil por mês, precisa trabalhar umas 8 horas por dia todo dia, focando no almoço e horário da noite”.

Os pagamentos são feitos pelos aplicativos através de taxas, “eles levam inconsideração a distância e o tempo de espera” para calcular quanto você vai receber”, além disso os custos de manutenção da moto e combustíveis são todos por conta do motociclista.

Nails (Designer de Unhas)

Trabalho realizado por Raquel Oliveira, exposto em seu Instagram. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Nails é outra área de trabalho que gera certas dúvidas na cabeça das pessoas, e muitos podem achar que se trata do mesmo trabalho de uma manicure. Mas as semelhanças terminam nas unhas.

Conforme explica a profissional Raquel Oliveira, as manicures são responsáveis pela limpeza e pintura das unhas, já as Nails são designer de unhas, ou seja, trabalham com o alongamento de unhas.

De forma independente, Raquel trabalha com fibras de vidro e faz seu próprio horário, mas com algumas ressalvas, isso porque, com a agenda lotada, ‘fazer o próprio horário’ não passa de uma ilusão, a realidade é atendimento de terça a sábado.

“Se eu usar toda a capacidade da minha agenda cheia cerca de 100 atendimentos em um mês, mas geralmente nas primeiras semanas são mais fortes, esqueço até meu nome”, brincou.

Para os curiosos, os lucros dependem do número de atendimento, a designer conta que com sua capacidade atual consegue fazer de R$ 2 mil a R$ 10 mil por mês, caso trabalhe com a agenda completamente lotada.

“Mas isso varia de cada profissional, do material que usa, do trabalho proporcionado, esses valores são com base no meu atendimento”, comentou. E se engana quem pensa quem é só pegar uma unha e começar, “eu fiquei um ano treinando, fazendo curso, usando modelos e gastando do meu bolso, pra então começar a atender as pessoas”, explicou Raquel.

Jornal Midiamax