Cotidiano

Quantidade de Sputnik V liberada para MS ‘nada acrescentaria’ ao panorama da Covid, diz secretário

Geraldo Resende informou, porém, que aguardará decisão do Consórcio Brasil Central sobre compra experimental de vacina russa

Humberto Marques Publicado em 05/06/2021, às 12h33

Com regras da Anvisa, MS poderia comprar até 28 mil doses da vacina Sputnik V em um primeiro momento
Com regras da Anvisa, MS poderia comprar até 28 mil doses da vacina Sputnik V em um primeiro momento - Laboratório Gamaleya/Reprodução

Embora trate como “bem complexa” a decisão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que autorizou a aquisição de doses de Sputnik V apenas em caráter experimental pelos Estados, limitada a 1% da população, o secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, considera que o quantitativo não colaboraria no cenário de enfrentamento à pandemia de coronavírus em Mato Grosso do Sul.

Apesar da opinião negativa, Geraldo pretende aguardar a orientação do Consórcio Brasil Central, que irá analisar as condicionantes para aquisição da vacina russa contra o coronavírus. A decisão dos demais membros do colegiado deve ser determinante para a compra do imunizante, cuja eficácia apontada é de aproximadamente 91%

Na sexta-feira (4), a Anvisa concluiu análise de pedidos emergenciais para compra das vacinas Sputnik V e Covaxin, indiana. A primeira atendeu à solicitação do Consórcio Nordeste, que lidera iniciativa para compra de 37 milhões de doses da vacina russa e a distribuir a outros Estados –a Covaxin complementaria as políticas de imunização do Ministério da Saúde, sendo autorizada a compra de 4 milhões de doses.

No caso da Sputnik, a compra fica limitada 1 % da população do Estado interessado –no caso de Mato Grosso do Sul, cerca de 28 mil doses. Além disso, somente depois do uso dessas doses e da observação da eficácia e efeitos colaterais é que um novo estudo poderia autorizar a compra de outras doses.

Isso não equivale à autorização emergencial, que permite a compra continuada de vacinas.

As 28 mil doses equivalem a apenas 1,4% das 2 milhões de doses que Mato Grosso do Sul pretendia adquirir, suficientes para imunizar até 1 milhão de pessoas com 2 doses. Com o total liberado, apenas 14 mil pessoas seriam vacinadas com a Sputnik V.

“É uma decisão bem complexa, que devemos buscar informações com o consórcio na segunda-feira. Ainda mais com o percentual de compra, que permitiria 28 mil doses e que temos de levar em conta. Isso nada acrescentaria no panorama de combate à Covid no Estado”, disse Geraldo. “Mas vamos aguardar e como se comportam os demais membros”.

O Consórcio Brasil Central é formado por Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Tocantins, Rondônia e Maranhão. Seu presidente, o vice-governador brasiliense Paco Britto (Avante) confirmou fazer uma “análise criteriosa” da autorização da Anvisa e suas limitações antes de bater o martelo com o Fundo Soberano Russo, que representa o fabricante da Sputnik V.

Além do pedido do Consórcio Nordeste, a Anvisa analisa pedido de distribuição emergencial da Sputnik V feito pela União Química, laboratório paranaense que já fabrica a vacina, mas com foco no mercado latino-americano –que já usa a vacina russa. O processo está parado à espera de novas informações.

Como noticiado mais cedo pelo Jornal Midiamax, o aval para a aquisição experimental da Sputnik V e da Covaxin ocorre em meio ao cenário da pandemia no país, mas tem uma série de limitações. Para o medicamento russo, elas incluíram análise sobre a replicação do adenovírus modificado em doses da vacina. Em nova observação, isso foi observado em quantidade bem menor, capaz de autorizar a aplicação.

Jornal Midiamax