Cotidiano

Pode dar água para tatu? Vídeo viraliza e biólogo explica como ajudar em MS

Morador teve boa intenção ao hidratar o animal, mas especialista dá alternativas mais seguras

Mylena Rocha Publicado em 20/08/2021, às 12h15

Morador filmou momento em que ajuda tatuzinho a se hidratar.
Morador filmou momento em que ajuda tatuzinho a se hidratar. - Reprodução

Se para os humanos já tem sido difícil lidar com o calor intenso e o tempo seco, imagine o que os animais silvestres passam em Mato Grosso do Sul. Muitas vezes, eles acabam avançando para as áreas urbanas. Pensando no sofrimento dos animais, um morador resolveu hidratar um tatuzinho em Pedro Gomes, a 296 quilômetros de Campo Grande. Apesar de a iniciativa ser de boa-fé, biólogo alerta para riscos e dá alternativas para ajudar os animais.

José Francisco explica que é antenista e costura circular muito por conta de seu trabalho, inclusive na zona rural. Ele conta que sempre tenta ajudar os animais da maneira que pode. “Eu sempre encontro os animais na estrada, andando. Como vejo que é um horário muito quente, sempre carrego água no meu carro”, diz. 

Apaixonado pelos animais silvestres, desta vez ele resolveu filmar o momento em que dá água para um tatuzinho perto de sua casa. “Eu vi ele parado em uma vala, percebi que ele estava ofegante. Então, resolvi dar água e tive a ideia de fazer o vídeo”, explica. 

Mas, afinal, pode dar água para o tatu? 

O biólogo José Milton Longo explicou ao Jornal Midiamax que é possível perceber que o morador de Pedro Gomes teve boa-fé, afinal, os animais também sofrem com o tempo seco. Contudo, ele não recomenda pegar o animal como o vídeo mostra. Longo ressalta que a legislação não permite manusear os animais silvestres sem a autorização. “Você pode passar doenças suas para ele e o contrário também pode acontecer. Você pode disponibilizar a água ao lado do local por onde ele passa, mas não interagir desta forma”, orienta. 

Para o biólogo, uma boa alternativa é deixar a água em um vasilhame ou cocho no local onde o animal costuma circular. “Vi cenas assim nos incêndios do Pantanal, mas o animal estava em risco mesmo, era uma situação emergencial”. 

Para concluir, o biólogo reconhece a boa intenção em ajudar os animais, mas é preciso ficar atento. “A ideia foi boa, mas não pode”. 

Jornal Midiamax