Cotidiano

Para driblar golpe do Pix, comerciantes de Campo Grande dependem da paciência do cliente

QrCode gerado nas máquinas de cartão de crédito é outra forma de garantir a segurança na transação

Dândara Genelhú Publicado em 04/08/2021, às 14h54

Comerciantes temem golpes, mas vantagens fazem uso do Pix continuar.
Comerciantes temem golpes, mas vantagens fazem uso do Pix continuar. - Foto: Arquivo Midiamax.

Com diversas empresas sofrendo golpes com pagamento pelo Pix, comerciantes de Campo Grande apostam em medidas de segurança extra e paciência do cliente. Isso porque o modo mais utilizado para garantir a transação é aguardar que o valor caia na conta da loja.

Um dos últimos casos registrados nas delegacias da Capital é de um petshop, que sofreu golpe na venda de 14 sacos de ração. Após escolher os produtos, uma mulher escolheu pagar os mais de R$ 2 mil por Pix. No entanto, o dinheiro não caiu na conta do estabelecimento, que teve que ir atrás da cliente.

Assim, além de ser uma forma de pagamento instantâneo, o Pix se tornou uma opção que necessita de confiança com o cliente. Como pode demorar alguns minutos, a transação só é confirmada quando o dinheiro aparece como entrada na conta cadastrada na chave.

Além disso, o Sebrae lembra que o Banco Central garante que as instituições financeiras atrasem a transação em até 30 minutos durante o dia e até uma hora durante a noite. Isso acontece quando há suspeita de alguma informação e os dados precisam ser checados antes para que o dinheiro seja efetivamente entregue ao comerciante.

A gerente da Seculus Óptica, Geiziane Azuaga, de 34 anos, afirma que fazem o uso do meio de recebimento desde o lançamento da plataforma, mas que há quatro meses que o Pix começou a ser amplamente utilizado pelos clientes. No estabelecimento, a garantia para driblar os golpes é esperar o valor cair na conta.

“Normalmente avaliamos certinho o nome, horário do envio, se foi enviado realmente”. Mesmo sem ter sofrido golpes deste tipo, a gerente da ótica alerta para detalhes importantes na hora do recebimento. “Porque tem alguns que fica escrito ‘prévia do pagamento’, não o pagamento em si. Aguardamos alguns minutinhos, pois apesar de ser instantâneo, o Pix não cai na hora”, explica.

Geiziane admite que a transação demora alguns minutos para ser confirmada na conta, mas garante que o cliente tem paciência. “Como nós fazemos um trabalho com cadastro muito longo, até a pessoa vir buscar os óculos, dá tempo de verificarmos”. Na ótica, de cada 10 pessoas, oito usam o Pix, sendo que 90% dos pagamentos à vista são feitos pelo Pix.

Vantagens maiores que os golpes

“É vantajoso por conta da rapidez, economia da maquininha, sem dúvidas o Pix veio para ajudar”, afirma Geiziane.

Mesmo há dois meses como responsável pela banca de capinhas e películas Maravilha Cell, Thalia Rodrigues, de 21 anos, já foi instruída pelo chefe sobre como lidar com o recebimento por Pix.

“Confirmo com o comprovante, espero cair na conta. Mando mensagem para meu patrão, ele confirma que caiu no banco e eu já libero a pessoa”, descreve o processo de confirmação. Mais uma vez, o tempo de espera é aliado do serviço prestado e a paciência predomina.

“Enquanto estou fazendo os procedimentos, meu patrão já está verificando e eu terminando o serviço”, explica a responsável. Apesar das alternativas de segurança e facilidades do Pix, na banca situada na Afonso Pena poucos escolhem essa forma de pagamento. “É mais cartão de crédito e débito aqui. Nem dinheiro as pessoas costumam usar”.

Escolha dos parceiros financeiros

Rodrigo Barbosa gera o QrCode na hora para cada compra. Foto: Arquivo Midiamax.

Mas a empresa paga taxa no Pix? De acordo com o Sebrae, “para a pessoa jurídica existe a possibilidade de cobrança de tarifa, por isso é importante o empresário buscar as melhores opções tarifárias junto às diversas instituições disponíveis no mercado”. Foi o que fez o proprietário da loja de roupas infantis Limão Rosa, Rodrigo Barbosa, de 37 anos.

Desde quando o Pix foi lançado, a empresa utiliza a forma de pagamento. Ao contrário dos outros estabelecimentos, ele usa o QrCode como forma de segurança para as transações.

“Com a própria máquina de cartão eu já gero o QrCode, então já sai o comprovante na hora para o funcionário”, afirma o proprietário. Ele explica que no início as pessoas mandavam comprovante para o vendedor, que ainda tinha que esperar cair na conta.

Rodrigo afirma que por causa da sensação de instantaneidade, as pessoas muitas vezes querem pagar e sair. Além disso, existem outros detalhes que o empreendedor aprendeu a reparar. “Tem também alguns bancos que oferecem o estorno do pix. Mas meus funcionários esperavam cair no banco para liberar o cliente”.

No entanto, agora fica mais fácil para ambos os lados. “Eu gero o código aqui e já sai o comprovante na hora se deu certo. Agora com a operação da própria máquina, facilitou muito”.

De acordo com ele, cerca de 45% dos clientes usam o Pix como pagamento para os produtos que consomem na loja de roupas infantis. “Até porque para a gente compensa muito mais o Pix do que o cartão até de débito, porque tem as taxas do cartão”, comenta sobre a escolha de uma empresa que não cobra taxas.

Jornal Midiamax