Cotidiano

MS em alerta: nova cepa indiana é até 50% mais transmissível e requer cuidados dobrados

Variante do coronavírus foi confirmada no Maranhão, mas pode estar circulando em todos os estados

Gabriel Maymone Publicado em 25/05/2021, às 14h30

Nova cepa indiana já foi confirmada no Maranhão na semana passada
Nova cepa indiana já foi confirmada no Maranhão na semana passada - Divulgação

Classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma “preocupação global”, a variante indiana do coronavírus já pode estar circulando em Mato Grosso do Sul e em todo o país. Apesar de não haver ainda a confirmação, especialistas afirmam que é inevitável que a nova cepa (B.1.617) se espalhe rapidamente pelo país, agravando até mesmo uma 3ª onda da pandemia.

Conforme a pneumologista e pesquisadora da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Margareth Dalcolmo, o país não será capaz  de controlar a transmissão da cepa indiana no país. Para a médica, mesmo com as medidas de controle estabelecidas após a descoberta – controle de fronteiras e testagem em massa – a restrição de voos vindos da Índia demorou muito para acontecer.

No Brasil, o 1º estado a confirmar a variante foi o Maranhão, na quinta-feira da semana passada (20), quando um tripulante do navio MV Shandong da Zhi, que veio da Malásia para o Brasil precisou ser internado. Outros 15 dos 23 tripulantes estão contaminados também. 

“Acho que é só uma questão de tempo e nós vamos descobrir a variante da Índia circulando em outros locais, é muito difícil conter”, afirmou a pesquisadora, que ressaltou a falta de fiscalização sanitária no país indiano.

Especialistas da OMS classificaram a cepa indiana como "variante de atenção em nível global”. Ainda não  há estudos relatando aumento de letalidade entre os infectados da B.1.617, ou seja, ainda não é possível afirmar que a nova cepa seja mais mortal. Entretanto, cientistas britânicos concluíram que a variante é até 50% mais transmissível.

A OMS classificou apenas outras três cepas como variantes de atenção além da indiana: B.1.1.7(Reino Unido), B.1.351 (África do Sul), e P1 (de Manaus).

Vigilância

A SES (Secretaria Estadual de Saúde) de Mato Grosso do Sul recebeu orientações do CIEVS (Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde) sobre o monitoramento da nova cepa. A secretaria reforçou a importância das ações de distanciamento social para prevenção ao coronavírus.

“A Secretaria de Estado de Saúde encaminhou aos municípios comunicado em relação à nova variante. Mato Grosso do Sul mantém o sequenciamento genômico das variantes do covid-19”, disse em nota.

Vacinação

Até o momento, um estudo realizado pelo governo do Reino Unido mostrou que as vacinas contra a Covid-19 da Pfizer e da Universidade de Oxford/AstraZeneca, aplicadas no Brasil, são eficazes contra a variante B.1.617.2 originada na Índia.

Duas doses dos imunizantes ofereceram cerca de 81% de proteção contra a variante, segundo análise do Nervtag (New and Emerging Respiratory Virus Threats Advisory Group), que monitora as doenças respiratórias virais. 

Apenas uma dose da vacina ofereceu proteção de 33% contra a cepa. Os dados ainda não foram publicados e analisados por outros cientistas.

A OMS afirmou que todas as vacinas aprovadas pelo órgão são eficázes contra a variante. Entretanto, vale ressaltar que tanto a Sputinik V quanto a CoronaVac não foram aprovadas pela OMS.

Dessa forma, as medidas já recomondadas devem ser seguidas à risca como o uso de máscara, distanciamento social, higienização das mãos até que a vacinação avance.

Jornal Midiamax