Cotidiano

Fruto do cerrado, guavira vira a estrela de novembro em MS e tem procura até de gente fora do Estado

Fruta só amadurece no final do ano e tem até evento em homenagem

Fábio Oruê Publicado em 24/11/2021, às 07h30

Amantes da guavira esperam o ano todo para degustar o fruto
Amantes da guavira esperam o ano todo para degustar o fruto - Foto: Leonardo de França/ Jornal Midiamax

Fruto símbolo de Mato Grosso do Sul, a guavira é a estrela que marca os meses do final do ano no Estado. Típica do cerrado, a fruta só aparece durante o período de chuvas, ou seja, tem uma época específica para frutificar, criando a expectativa nos amantes da guavira durante o resto do ano. 

Pelo fato de só amadurecer nos últimos meses do ano, o sul-mato-grossense criou um verdadeiro evento em torno da colheita da guavira. São eventos gastronômicos, comércio para todo o Estado e até reunião para fazer a colheita da fruta. Seja para vender ou só para adoçar o paladar depois do almoço de domingo, dezenas de grupos de todas as idades enfrentam os guavirais — área com muitos pés de guavira — e saem de lá com baldes cheinhos. 

Como o pé de guavira é baixo e volumoso, 'catar' guavira não é tarefa difícil e é tradição, inclusive, em muitas famílias que se aventuram nos pomares. Essa também é uma época para os vendedores de frutas faturarem. Durante todo o ano, o vendedor Weverton Formazieri, de 20 anos, vende diversas frutas. Porém, em novembro ele se dedica inteiramente à guavira. 

"Sempre dá uma boa grana. A guavira está num outro nível, ela dá bem mais lucro. O pessoal espera o ano todo para comer e eu já tenho até cliente fiel que sempre compra", disse ele ao Jornal Midiamax.

Para facilitar a venda, a fruta é comercializada em litros, que custam R$ 10. "Quando o pessoal vem comprar já levam de 2 a 3 litros por vez", contou Weverton, que fica no começo da Avenida Gunter Hans. Até por volta de 14h, o vendedor já tinha faturado mais de R$ 700.

Guavira é vendida em vários lugares de Campo Grande. (Foto: Leonardo de França/ Jornal Midiamax)

Sucesso fora de MS

Enquanto a reportagem conversava com Weverton, um grupo de quatro turistas, que chegava a Campo Grande, parou para comprar guavira. Eles moram em Ribeirão Preto (SP) e esperaram para visitar MS em novembro para poder comer a fruta. "Eu não resisto. A gente ama guavira", disse uma das mulheres. 

"Minha cunhada lá do Rio Grande do Sul quer que a gente compre e mande para ela por Sedex", brincou outra. O grupo é exemplo de que não só os sul-mato-grossenses amam a fruta, mas que a doçura e o aroma dela ultrapassam as fronteiras de MS. Não é à toa que a guavira virou símbolo do Estado em 2017, em projeto de lei de autoria do deputado Renato Câmara.

Guavira também conquista turistas de outros estados. (Foto: Leonardo de França/ Jornal Midiamax)

Nutritiva e versátil

O sucesso da guavira não é em vão: ela é rica em vitamina C, abundante em água e é um antioxidante natural. A fruta também é versátil e bastante consumida in natural, mas sem a casca. Porém, também serve como elemento em salada de frutas, sucos e doce em compota. Além disso, a folha e casca podem ser usados para fazer chá.

Segundo Weverton, a procura é sempre grande e os clientes a usam bastante para fazer licor. "Me procuram bastante o pessoal que trabalha com bebida alcoólica; drinks. Eles usam a guavira para fazer licor e tomar com bebidas", revelou Weverton. 

Festival da Guavira

Por conta da tradição e importância que a fruta tem em MS, Bonito comemora há mais de 15 anos o Festival da Guavira — a 17ª edição ocorre nos próximos dias 26 e 27 de novembro e irá marcar o retorno dos eventos no município. 

A programação do Festival da Guavira inclui a degustação gratuita da frutinha símbolo, exposição de artesanatos, música ao vivo e o famoso concurso da 'Maior Guavira de Bonito'.

Dentro do Festival da Guavira, em 2014, surgiu o 'Cata Guavira', um evento gastronômico anual criado pela Chef Letícia Krause. Neste ano, o evento está acontecendo desde o dia 22

Fruto típico do Cerrado faz sucesso em todo lugar do Brasil. (Foto: Leonardo de França/ Jornal Midiamax)

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