Cotidiano

Em meio a pandemia, profissionais da Saúde indígena de MS são demitidos

Mesmo com aumento de casos de coronavírus em Mato Grosso do Sul, inclusive nos povos indígenas, profissionais de Saúde foram demitidos.

Dândara Genelhú Publicado em 05/01/2021, às 15h49 - Atualizado às 18h15

Foto: Arquivo Midiamax.
Foto: Arquivo Midiamax. - Foto: Arquivo Midiamax.

Mesmo com aumento de casos de coronavírus em Mato Grosso do Sul, inclusive nos povos indígenas, profissionais de Saúde foram demitidos. Ao todo, 17 profissionais que atendem indígenas de Dourados, a 229 km de Campo Grande, foram desligados das atividades.

O caso foi exposto após denúncia do Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil ), nesta terça-feira (05). Em publicação, foi lembrado que o Polo Base de Dourados registrou os primeiros casos de coronavírus entre povos Guarani e Kaiowá. Além disto, a região também teve os primeiros óbitos desta população.

De acordo com a Articulação, este é “um caso de racismo institucional, pois os profissionais demitidos são, principalmente, indígenas que atuam na saúde indígena”. Entre os desligados, está a enfermeira Indianara Kaiowá, que era coordenadora técnica do Polo Base.

A profissional esteve na linha de frente do combate à pandemia, atendendo indígenas que foram infectados por coronavírus. Em 15 dias, 410 indígenas sul-mato-grossenses foram infectados por coronavírus. Assim, MS já registrou 3.453 casos confirmados de Covid-19 em povos nativos.

Os dados são levantados pela Sesai (Secretaria de Saúde Indígena). O recorte de casos foi considerado de 14 a 29 de dezembro.

Motivo das demissões

Segundo relatos da Apib, existe conflito entre os profissionais e o coordenador da Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena) de MS, Joe Saccenti Júnior. Assim, “qualquer profissional da saúde indígena que comente ou questione as decisões tomadas pelo DSEI recebe advertência e/ou demissão”.

O coronel foi nomeado pelo Ministério da Saúde em setembro de 2020. Questionado pela Articulação, Joe negou a situação. Então, afirmou que “apenas psicólogos e técnicos de enfermagem contratados exclusivamente para atuar no combate ao Covid-19 foram desligados”.

Além disto, a Apib destacou que os profissionais seguiram no combate ao coronavírus de forma quase independente. Pois a Casai (Casa da Saúde Indígena) da região permaneceu sem liderança oficial durante um período da pandemia.

Jornal Midiamax