Cotidiano

Dia da aeromoça: Aline vendeu doces no semáforo para realizar sonho de ser comissária de bordo

Com a venda dos doces, Aline pagou à vista o curso de comissária em Campo Grande

Mariane Chianezi Publicado em 31/05/2021, às 08h00

Aline durante o curso de comissária em escola de aviação de Campo Grande
Aline durante o curso de comissária em escola de aviação de Campo Grande - Divulgação/de arquivo pessoal

“Senhores passageiros, apertem os cintos, o avião vai decolar”. Para quem já viajou de avião, essa frase é sempre dita pelos profissionais que orientam os passageiros durante o voo: o comissário de bordo. Habituada com a rotina de trabalho ‘nas alturas’, Aline Izzidoro, de 31 anos, comemora o seu 1° Dia do Comissário de Bordo trabalhando, nesta segunda-feira (31), após uma história de determinação e superação para se tornar uma aeromoça.

Para realizar o sonho da profissão, Aline foi às ruas de Campo Grande vender doces e contar seu sonho de ser aeromoça aos motoristas que paravam no semáforo. A iniciativa de não deixar o sonho morrer aconteceu após ela ver que o valor do curso de comissário de bordo não era tão acessível quanto imaginava.

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Aline vendendo balas no semáforo para realizar o sonho de ser comissária de bordo | Foto: de arquivo pessoal

“Ao ver os valores, vi que era fora da realidade. Eu não trabalhava registrava, trabalhava apenas em eventos e os valores do curso e para custear a ida até a prova da Anac não fechava. Saí da escola de aviação bem triste, mas não me desanimei por causa disso”, afirmou.

Ela conta que após sair da escola, chegou em casa e passou a pesquisar os conteúdos do curso na internet. Ao conseguir os conteúdos, passou a estudar diariamente enquanto realiza simulados das matérias e pensava em algo para ‘fazer dinheiro’.

“Quando vi que estava preparada para realizar o curso, pois precisava do diploma para realizar a prova da Anac, pensei que poderia vender algo que eu soubesse fazer e, pesquisando, pensei nas carolinas”, comentou Aline.

Os doces recheados e cobertos com chocolate foram o que garantiram o dinheiro suficiente para Aline retornar na escola de aviação e pagar o curso à vista. “Das 18 matérias, 15 fechei com nota 10”, disse a jovem.

Agora formada e habilitada como comissária, Aline soube da oportunidade de ingressar em uma empresa de aviação, mas a seleção para o cargo seria em São Paulo. Mais uma luta viria por aí. “Eu não tinha aquele dinheiro para viajar até a seleção. Foi aí que fui até um supermercado atacadista, comprei balas e comecei a vender nos semáforos. Vendendo valar, consegui o valor da viagem em cinco meses”, revelou a aeromoça.

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Foto: de arquivo pessoal

Para a felicidade e realização, Aline foi aprovada como comissária na empresa onde trabalha até hoje. Apesar de ter sido contratada pela companhia aérea em setembro de 2019, Aline precisou interromper o trabalho por cinco meses devido à pandemia, onde retornou às atividades em julho de 2020 e segue atuando até então. Diante disso, a comissária comemora o seu 1º Dia da Aeromoça trabalhando efetivamente.

"A expectativa das pessoas de que eu iria chegar lá no meu objetivo era muito baixa. Mas eu nunca deixei me abater com as dificuldades e com a falta de apoio. Mas é como eu sempre digo: nada é tão nosso quanto os nossos sonhos", finalizou a comissária.

Do estudo até voar como comissário

Em Campo Grande, existem algumas escolas de aviação que oferecem o curso para quem deseja se tornar comissário de bordo. Uma dessas escolas, a Alfa Aviação, há 6 anos no mercado, forma anualmente dezenas de alunos aptos a realizarem a prova profissional da ANAC.

A instrutora da escola, Rebeca Castello, comenta que apesar da pandemia ter impactado o cenário da aviação, a procura de alunos para o curso de formação de comissários de bordo é consideravelmente boa.

Em sua maioria mulheres, a escola está prestes a formar uma turma com oito futuras aeromoças e dois comissários. A nova turma que irá começar o curso em breve, tem a mesma quantidade de pessoas.

“Mesmo com as limitações, conseguimos formar turmas no ano passado e neste ano. No ano passado, devido a limitação de 50% da capacidade das salas, abrimos inclusive uma turma de manhã para poder atender todos. Tivemos aula on-line também e foi necessária essa adaptação”, disse a instrutora.

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Foto: Divulgação/Alfa

A expectativa é que, com o cenário da aviação retomando à normalidade, a procura de novos alunos para a formação pode crescer. “A partir do meio do ano as empresas devem voltar a contratar, tem uma companhia aérea que já anunciou novas contratações. As empresas estão retomando as quantidades de voos”, comentou.

O curso para comissário de bordo tem uma duração de quatro meses e o aluno precisa ter requisitos para se candidatar. Para realizar o curso, basta ter 16 anos, mas para a profissão, é exigido que o profissional tenha 18 anos, tenha entre 1,58 e 1,80 de altura se for mulher, ter entre 1,65 e 1,85 caso seja homem, ter o certificado de conclusão do ensino médio e claro, saber outro idioma, que faz toda a diferença no currículo.

“O idioma é recomendado. Temos um curso de inglês aqui na escola para preparar para o dia a dia do comissário e para o processo seletivo. Outros idiomas são bem-vindos, mas o inglês é o principal e outro idioma para o comissário permite que as portas sejam abertas”, explicou Rebeca.

O investimento no curso é entre R$ 2,5 mil a R$ 3 mil e a prova para ser qualificado para a profissão de comissário de bordo da ANAC custa R$ 272,83. Além disso, o aluno que prestar a prova na ANAC precisara do CMA, que é uma ‘bateria’ de exames médicos.

Após ser aprovado na ANAC, o aluno se torna comissário de bordo profissional e só então recebe a sua carteirinha e pode começar a distribuir currículo às companhias aéreas.

Jornal Midiamax