Cotidiano

Conselho se manifesta contra decisão de prefeito que retirou proteção das margens do Rio Formoso

Entidade teme que medida 'possa causar ao município nos aspectos ambientais, sociais e econômicos'

Gabriel Maymone Publicado em 09/04/2021, às 11h03

Rio Formoso é conhecido pelas águas cristalinas
Rio Formoso é conhecido pelas águas cristalinas - Divulgação

O CERH (Conselho Estadual de Recursos Hídricos) enviou moção contrária à decisão do prefeito de Bonito, Josmail Rodrigues (PSB), que retirou proteção ambiental das margens do rio Formoso. Conforme o documento, a medida pode causar impactos "nos aspectos ambientais, sociais e econômicos”, e fazem um apelo para que repense o ato.

O decreto publicado na quarta-feira (07) revoga decisão anterior, de 2018, do então prefeito Odilson Soares. Esse decreto declarava como “área de interesse social as margens direita e esquerda do Rio Formoso, desde a nascente até a sua foz no Rio Miranda, incluindo as áreas de banhado, consideradas áreas de preservação permanente”.

De acordo com o documento, a medida foi tomada num momento em que Bonito sofria as consequência de dese desequilíbrio ambiental que levaram as águas cristalinas de alguns principais atrativos turísticos ficarem turvas devido a sedimentos arrastados pela enxurrada. 

Para os conselheiros, a retirada da proteção das margens do rio Formoso pode fazer retroceder o que já estava adequado às normas ambientais. A medida causou surpresa também porque já havia uma cooperação ampla envolvendo Estado, município, Ministério Público, produtores rurais, entidades ambientais e a sociedade em geral, todos conscientes da necessidade de adotar medidas sustentáveis para conservar os atrativos naturais de Bonito e permitir a exploração econômica com equilíbrio.

“A ideia é aliar a proteção do solo e das águas de Bonito aliada às atividades turísticas e também da vinculação com as atividades dos produtores rurais, de modo que haja proteção ambiental e desenvolvimento sustentável. Para isso estabelecemos mecanismos de governança envolvendo Estado, município e a sociedade. Portanto, a revogação desse decreto fragiliza muito esse sistema de governança que tinha se estabelecido em longo prazo para que a gente continue fazendo o desenvolvimento sustentável de Bonito, que é o principal destino do ecoturismo do Brasil e um dos principais do mundo”, disse o secretário de Meio Ambiente, Jaime Verruck, que também preside o Conselho Estadual de Recursos Hídricos.

Jornal Midiamax