Cotidiano

Preços triplicam nos aplicativos em Campo Grande com paralisação de motoristas

Os motoristas de aplicativos decidiram fazer uma paralisação nesta quarta-feira. Com menos motoristas nas ruas, o preço dispara. 

Mylena Rocha Publicado em 17/03/2021, às 07h23 - Atualizado às 13h57

Lotação nos ônibus expõe passageiros ao risco de infecção pelo coronavírus. (Foto: Marcos Ermínio)
Lotação nos ônibus expõe passageiros ao risco de infecção pelo coronavírus. (Foto: Marcos Ermínio) - Lotação nos ônibus expõe passageiros ao risco de infecção pelo coronavírus. (Foto: Marcos Ermínio)

Os motoristas de aplicativo decidiram fazer uma paralisação nesta quarta-feira (17) como protesto contra o preço da gasolina em Mato Grosso do Sul. Porém, a mobilização já tem causado impacto para os usuários de aplicativos nesta manhã em Campo Grande. Com menos motoristas nas ruas, o preço dispara e alguns passageiros têm até que apelar para outras opções, como carona ou ônibus. 

Preços triplicam nos aplicativos em Campo Grande com paralisação de motoristas
Passageiro que geralmente paga de R$ 10 a R$ 11 viu preço da tarifa quase triplicar nesta manhã de quarta-feira. (Foto: Reprodução)

Um morador do bairro Santo Amaro, que geralmente utiliza o transporte por aplicativos para chegar ao trabalho no centro, costuma pagar R$ 11 no trajeto. Porém, logo no início da manhã, o valor já estava maior do que o normal e conforme o tempo foi passando, os preços aumentaram cada vez mais. 

O preço mais baixo foi identificado logo no início da manhã, às 6h19 no valor de R$ 16,92 – quase R$ 6 a mais do que o preço de costume. Às 6h25 o preço do trajeto já aumentou para R$ 25,95. Às 6h55, o preço para ir do Santo Amaro ao Centro sofreu uma leve queda e foi para R$ 21,74.

O motivo da paralisação dos motoristas é o alto preço da gasolina no Estado. Cerca de 500 motoristas devem cruzar os braços por 24 horas em Campo Grande. Além disso, a categoria ainda deve realizar uma carreata ás 8 horas desta quarta-feira (17), com mobilização na governadoria. 

O presidente a Applic-MS (Associação de Parceiros de Aplicativos de Transporte de Passageiros e Motorista Autônomo de Mato Grosso do Sul), Paulo Pinheiro, diz que o objetivo é pressionar a redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços).

“A ideia é reunir o máximo possível, em torno de 500 veículos. Esperamos que seja um protesto como sempre fizemos, com ordem e respeitando o direito de ir e vir da população”, pontuou o presidente da associação.

Arrecadação de ICMS no Estado

Uma das alternativas para continuar trabalhando, segundo o presidente da Applic-MS, é a adesão do etanol nas bombas. Porém, se o Governo do Estado cooperasse com os trabalhadores, os impostos sob a gasolina aliviaria o bolso dos motoristas. “As refinarias não ajudam e o Estado muito menos. O nosso estado cobra uma das taxas [ICMS] mais caras do Brasil na gasolina”, disse Paulo.

Em reportagem publicada no dia 22 de fevereiro pelo Midiamax mostrou que, somente em janeiro, o governo de Mato Grosso do Sul arrecadou R$ 266,8 milhões emICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre a venda de gasolina e outros combustíveis nos postos. O valor supera o levantado por São Paulo, Minas Gerais e outros 13 estados no mesmo período.

Questionado, o governador Reinaldo Azambuja disse que, se retirar recursos da arrecadação, ‘o Estado quebra’.  O governador mencionou que Mato Grosso do Sul baixou a alíquota do diesel de 17% pra 12%, bem como a do álcool. “Expliquei o por que. Mato Grosso do Sul é produtor de álcool, não de petróleo, e aumentamos o da gasolina. Hoje é vantajoso abastecer com álcool”, disse o chefe do Executivo estadual.

Jornal Midiamax