Cotidiano

Após superar 1º surto de covid em MS, Guia Lopes luta para convencer população a tomar 2ª dose

Cidade era líder no ranking de incidência de coronavírus e agora ocupa o 41º lugar

Mylena Rocha Publicado em 03/07/2021, às 08h35

Cidade foi a primeira a viver um surto de coronavírus e população ficou em quarentena em casa.
Cidade foi a primeira a viver um surto de coronavírus e população ficou em quarentena em casa. - Divulgação/Prefeitura de Guia Lopes da Laguna

Com uma população estimada em 9,8 mil pessoas, Guia Lopes da Laguna foi a primeira cidade sul-mato-grossense a vivenciar o surto de casos de coronavírus. Localizado a 234 km de Campo Grande, o município já vacina adultos a partir de 30 anos e vive um cenário muito diferente do caos enfrentado em maio do ano passado. Os bons resultados no enfrentamento da doença se devem às medidas restritivas e ao avanço da vacinação, mas o atraso das pessoas em tomar a segunda dose ainda preocupa. 

Em maio do ano passado, Guia Lopes da Laguna vivia um surto da doença. Mesmo com menos de 10 mil habitantes, a cidade tinha incidência de casos 11 vezes maior do que Campo Grande, cidade mais populosa do Estado. Na época, o medo era presente entre os moradores, que seguiram as restrições impostas no município. 

Durante o surto, foi decretado lockdown na cidade, em um sistema mais rigoroso do que as regras impostas pela bandeira cinza do Prosseguir (Programa Saúde e Segurança na Economia). Na quarentena, a população só podia sair duas vezes por semana para ir ao supermercado ou farmácia, em dia determinado de acordo com a data de aniversário. Em caso de desobediência, o morador deveria ser abordado por um policial e conduzido de volta para casa imediatamente. As regras ainda previam prisão para pacientes diagnosticados com Covid-19 que descumprissem as orientações para permanecerem em quarentena. 

O prefeito Jair Scapini (PSDB) conversou com o Jornal Midiamax e explica que a cidade conseguiu superar a crise ao seguir as recomendações das autoridades de saúde. “[Guia Lopes] foi uma das primeiras cidades onde apareceu essa doença terrível. Tomamos medidas drásticas de isolamento e uso de máscaras, tudo conforme a saúde previa. Naquele tempo, a população aderiu ao que foi pedido, deu certo”, afirma. 

Na ocasião, o coronavírus havia se disseminado pela cidade principalmente entre trabalhadores de frigoríficos. Os locais chegaram a ser interditados por conta do surto da doença. Guia Lopes da Laguna tinha uma incidência de 202,1 casos a cada 100 mil habitantes, enquanto a incidência em Campo Grande era de 17 casos.

Atualmente, o cenário é bem diferente. Se naquele período, Guia Lopes da Laguna era líder em incidência de casos, hoje o município ocupa a 41ª posição do ranking no Estado. Conforme dados do boletim epidemiológico da SES (Secretaria de Estado de Saúde), Ivinhema lidera a lista com 19.611 casos a cada 100 mil pessoas. Guia Lopes da Laguna tem 9.467 casos a cada 100 mil habitantes. 

Apesar da melhora, o prefeito da cidade afirma que não é possível relaxar nos cuidados com o coronavírus. Na última semana, a cidade registrou mais de 50 casos novos. “Atualmente, há essa terceira onda, temos que ter muito cuidado. De 15 dias para cá, apertou de novo, tivemos mais casos”, ressalta.

Preocupação com 2ª dose da vacina

Guia Lopes da Laguna superou o surto vivido no ano passado e já vacina adultos a partir dos 30 anos. Conforme dados do Vacinômetro da SES, 49,8% da população no município já recebeu pelo menos a primeira dose. Com relação à 2ª dose, a cidade tem 19,5% da população com o ciclo vacinal completo. Ainda segundo dados da secretaria estadual de saúde, Guia Lopes ocupa o 44ª lugar no ranking da vacinação, 88,84% das doses recebidas pelo município foram aplicadas. 

O prefeito Jair Scapini comenta que o ritmo de vacinação é bom, mas pontua preocupação com pacientes que faltam e deixam de tomar a segunda dose da vacina. 

“A preocupação é que a população não está voltando para a segunda dose, eu peço que a população volte para tomar. Agora chegaram mais vacinas, mas tem gente faltando, acredito que de 10% a 15% faltaram para a 2ª dose”, explica. 

Jornal Midiamax