Cotidiano

Amigos citam falta de medicação e paciente morre no Hospital do Câncer em Campo Grande

Hospital relata que paciente era metastática desde o início do tratamento

Mylena Rocha Publicado em 13/09/2021, às 10h42

Amigos e familiares fizeram campanha nas redes sociais para conseguir o medicamento
Amigos e familiares fizeram campanha nas redes sociais para conseguir o medicamento - Divulgação/Redes Sociais

Uma paciente, de 27 anos, morreu em decorrência do câncer de pulmão no Hospital do Câncer Alfredo Abrão, em Campo Grande. Há alguns dias, amigos e familiares faziam campanha nas redes sociais para conseguir o medicamento Alectinibe, que estava em falta e era benéfico para o tratamento da paciente, chegando a custar mais de R$ 30 mil.

Em nota, o hospital explicou que a paciente era metastática e que apesar dos bons resultados com o medicamento, o câncer era incurável. 

"Ela está em tratamento de câncer e está em falta de seu medicamento há 1 mês, sendo que da outra vez ficou 3 meses. Custo de R$ 33 mil o medicamento, por que tanta demora?", questionavam os amigos. Infelizmente, ela faleceu no domingo (12). 

A paciente Edimara Santos de Almeida era portadora de adenocarcinoma de pulmão, com estadiamento IVB (metástase para Sistema Nervoso Central, peritônio e ossos), conforme informou o Hospital do Câncer. Segundo informações divulgadas, a paciente já era metastática desde o início do tratamento, sendo uma paciente paliativa. 

“Foi realizada análise molecular do tumor da paciente, que mostrou a presença de mutação no gene ALK. Para tumores de pulmão com esta mutação, está indicado o uso da medicação alectinibe”, informou o HCAA. 

É preciso reforçar que o medicamento alectinibe, mesmo aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), não está disponível pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O Hospital alega que não existe outra droga que possa substituí-lo com resultados comparáveis. “O tratamento disponível no SUS é a quimioterapia com Carboplatina e Paclitaxel, que foi realizada para a paciente em questão, sem bom resultado”.

Edimara começou a receber o medicamento alectinibe no fim do ano passado, obtido por vias judiciais. O tratamento apresentou melhora para a paciente, mas o fornecimento era irregular. O Hospital defende que fez todo o possível para garantir o melhor tratamento à Edimara.

“A paciente em questão teve o tratamento padrão ouro através de um relatório do hospital. Ressalto também que paciente era metastática desde o início do tratamento, sendo portadora de quadro de câncer de pulmão incurável, apesar da boa resposta inicial ao Alectinibe”.

Jornal Midiamax