Cotidiano

Aguardando secretário, indígenas de MS vão dormir na Dsei para tratar de reivindicações

O manifesto deve seguir até a sexta-feira (29), pois os participantes vão passar a noite na Dsei aguardando encontro com o secretário da Sesai, Robson Santos.

Dândara Genelhú Publicado em 28/01/2021, às 16h05 - Atualizado às 18h14

Há líderes de aldeias e vereadores indígenas no local. (Foto: Henrique Arakaki | Midiamax)
Há líderes de aldeias e vereadores indígenas no local. (Foto: Henrique Arakaki | Midiamax) - Há líderes de aldeias e vereadores indígenas no local. (Foto: Henrique Arakaki | Midiamax)

Desde o começo desta quinta-feira (28), lideranças indígenas estão na sede da Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena), em Campo Grande. O manifesto deve seguir até a sexta-feira (29), pois os participantes vão passar a noite no prédio aguardando encontro com o secretário da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), Robson Santos.

Assim, na reunião solicitada pela frente indígena, serão reivindicados o afastamento do coordenador da Dsei, Joe Saccenti Junior e ações efetivas de combate ao coronavírus nas aldeias. Ao Jornal Midiamax, a professora indígena da aldeia Jaguapiru Cristine Machado explicou as decisões tomadas pelos líderes.

“Resolvemos pernoitar, estamos nos organizando e vamos aguardar até sermos atendidos amanhã”. Assim, os indígenas irão passar a noite na própria Dsei. “Depois de muita pressão, eles autorizaram a entrada dos guerreiros. Existe muita resistência em conversar com a gente, mas viemos para um diálogo e nossa própria resistência, para ficar até sermos atendidos”, comentou.

De acordo com ela, a persistência é para aproveitar que o secretário da Sesai está aqui no Estado. Vereador em Coronel Sapucaia e líder na aldeia Taquaperi, Claudemiro Pereira explica que o principal objetivo da manifestação é conseguir dialogar. “Não temos diálogo com o Dsei há cerca de um ano. Afastaram funcionários da área de saúde das aldeias, falta estrutura, a situação é precária e em muitos casos, não temos nem ambulância”, diz.

Liderança na aldeia Bananal, Wilson Terena afirma que há 15 aldeias em Aquidauana e apenas um médico para atendimento. O profissional ainda foi infectado pela Covid-19, deixando as aldeias sem assistência. “A gente pede socorro, perdemos várias pessoas, gente querida, pessoas da família. Está um descaso com a saúde indígena”.

Jornal Midiamax