Cotidiano

Queda no valor do auxílio gera apreensão após crescimento do comércio nos bairros de Campo Grande

O auxílio emergencial de R$ 600 movimentou o comércio de Campo Grande nos últimos meses, mesmo depois das incertezas causadas pela pandemia. No entanto, as próximas parcelas de R$ 300 da prorrogação do auxílio emergencial, que já começaram a ser pagas, não tem motivado os pequenos comerciantes em bairros da Capital. Isso porque, acreditam que […]

Dayene Paz Publicado em 06/10/2020, às 12h26 - Atualizado às 16h32

Janaína está preocupada com queda de vendas com redução do valor do auxílio. Imagem: Henrique Arakaki
Janaína está preocupada com queda de vendas com redução do valor do auxílio. Imagem: Henrique Arakaki - Janaína está preocupada com queda de vendas com redução do valor do auxílio. Imagem: Henrique Arakaki

O auxílio emergencial de R$ 600 movimentou o comércio de Campo Grande nos últimos meses, mesmo depois das incertezas causadas pela pandemia. No entanto, as próximas parcelas de R$ 300 da prorrogação do auxílio emergencial, que já começaram a ser pagas, não tem motivado os pequenos comerciantes em bairros da Capital.

Isso porque, acreditam que os consumidores irão poupar e comprar apenas itens essenciais. É o caso da empresária Janaina Roda Ferreira, proprietária da conveniência Barão, no bairro Caiobá. Ela conta que teve que manter apenas um funcionário e que as vendas se mantiveram no período da pandemia, mas com o valor do auxílio reduzido, está preocupada. “A gente tem um pouco de medo da queda, porque, já que não é um produto essencial, as pessoas vão poupar”, afirma.

Queda no valor do auxílio gera apreensão após crescimento do comércio nos bairros de Campo Grande
Loja tem queda no movimento, apesar de flexibilização (Henrique Arakaki, Midiamax)

O mesmo medo é vivido pelo dono de uma loja de utilidades no bairro. Kelson Augusto inaugurou o estabelecimento no período da pandemia. “Não tenho experiência de antes da pandemia, mas depois que anunciaram a redução no valor, já deu queda nas vendas. Como não é utilidade essencial, não é prioridade”, lamenta o dono da Caiobá utilidades.

Já a proprietária da loja de roupa feminina Bella Dona, Aparecida Martins, afirma não aceita o auxílio emergencial em seu estabelecimento. Porém, como muitas pessoas sacam o dinheiro, percebeu um aumento nas vendas. “Se diminuir o valor e as vendas caírem, eu corro risco de fechar as portas”, comenta Aparecida. A mulher também acredita que o dinheiro será usado para o essencial. “Comprar roupa não vai ser prioridade de ninguém”, completa.

A preocupação listada também é a mesma vivida pelo dono de um açougue no mesmo bairro. Ele acredita que mesmo no ramo da comercialização de alimentos, os consumidores, para poupar, irão procurar redes de atacado para fazer as compras. “Já que o valor é menor, vão acabar indo em rede grande, que vai sair mais barato”, finaliza.

Auxílio de R$ 300

Caixa Econômica Federal depositou nesta segunda-feira (5) mais uma parcela do auxílio emergencial de R$ 600 ou de R$ 300, dependendo de quando o beneficiário começou a receber. Recebem aniversariantes de fevereiro que não estão inscritos no Bolsa Família.

Num primeiro momento, os depósitos são feitos via app Caixa Tem e os beneficiários só podem realizar compras via QR Code ou pelo cartão de débito virtual, além de pagar boletos e contas. Em outra data são liberados saques e transferências.

O valor da parcela varia porque depende de quantas vezes o trabalhador recebeu. Assim, o beneficiário recebe a ajuda de R$ 600 até completar cinco parcelas. Após isso, o valor é reduzido para R$ 300, caso o cidadão continue elegível para receber o auxílio pela Caixa.

Quem recebeu a primeira parcela do auxílio em abril deve chegar agora à sexta parcela. Isso significa que o valor já será reduzido para R$ 300 (ou R$ 600 para mulheres chefe de família).

Jornal Midiamax