Cotidiano

Reajuste de dez centavos em Campo Grande entra em vigor apesar de reclamações sobre lotação e atrasos

Está em vigor a partir desta quarta-feira (30) a nova tarifa do transporte coletivo de Campo Grande. A passagem ficou 10 centavos mais cara e agora custa R$ 4,20 para os usuários de ônibus da Capital. A tarifa ficou mais cara, mas os passageiros continuam denunciando os inúmeros problemas no transporte coletivo e apontam que […]

Mylena Rocha Publicado em 30/12/2020, às 08h58 - Atualizado às 15h03

Passageiros do transporte coletivo; imagem ilustrativa. (Foto: Henrique Arakaki/Arquivo Midiamax).
Passageiros do transporte coletivo; imagem ilustrativa. (Foto: Henrique Arakaki/Arquivo Midiamax). - Passageiros do transporte coletivo; imagem ilustrativa. (Foto: Henrique Arakaki/Arquivo Midiamax).

Está em vigor a partir desta quarta-feira (30) a nova tarifa do transporte coletivo de Campo Grande. A passagem ficou 10 centavos mais cara e agora custa R$ 4,20 para os usuários de ônibus da Capital. A tarifa ficou mais cara, mas os passageiros continuam denunciando os inúmeros problemas no transporte coletivo e apontam que o reajuste não é ‘merecido’.

O reajuste de 2,43% na tarifa do transporte coletivo foi publicado na terça-feira (29), no Diário Oficial. O passe custa R$ 4,20 para linhas convencionais e R$ 5,15 para executivas. Em feriados, o valor cai para R$ 1,68, cobrado no cartão. O troco máximo segue em R$ 20.

Para quem utiliza o ônibus todos os dias, o aumento não é justo para os maus serviços prestados pelo Consórcio Guaicurus. A vendedora Isabela Cristina, de 27 anos, usa o ônibus da linha 061 todos os dias para trabalhar e explica que os ‘perrengues’ são cotidianos. 

“No horário que eu preciso, não tem. Sempre espero pelo menos 40 minutos para o ônibus passar. Todo dia, ele vem lotado. Tínhamos o 062, que era a linha expressa, facilitava a vida. Só que na pandemia, cortaram. Diminuíram os ônibus, por isso todos vêm lotados, muita gente aglomerada em plena pandemia, um desrespeito com os usuários”, reclama. 

A vendedora ambulante Maria Olga, de 60 anos, trabalha na Praça Ary Coelho e comenta que vê quase todos os ônibus lotados. Ela afirma que a passagem não deveria aumentar, em vista das péssimas condições do transporte coletivo. 

Já a professora Eliete Cristina, de 39 anos, comenta que muitas vezes vale mais a pena pagar por um motorista de aplicativo. “Muitas vezes eu pego o ônibus no terminal e ainda tenho que pagar mais um passe porque a integração não funciona. Para o trabalhador, tá difícil começar 2021, é só aumento e despesa”.

O atendente Bruno de Souza, de 37 anos, também precisa dos ônibus para se locomover, mas reclama que durante a pandemia, o Consórcio não tem respeitado as normas de biossegurança. Por isso, ele considera que não há justificativa para aumentar o preço da passagem. 

“Acho um absurdo o aumento, pela má qualidade do serviço. Falta ônibus, mas quando tem, vêm lotados, não respeitam o decreto. O Consórcio tem que melhorar muito, para aumentar o preço tem que aumentar a qualidade”, diz.

No geral, os usuários estão cansados do descaso no transporte coletivo. A pandemia escancarou ainda mais os problemas, já que é praticamente impossível manter o distanciamento em ônibus lotados. Além disso, apontam que os veículos são velhos e sempre chegam atrasados. 

Como reajuste foi calculado

O diretor-presidente da Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos), Vinícius Campos, conversou com o Midiamax e explicou que o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) foi o que mais impactou na alta.

“O ISS [Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza, ISSQN] não foi incluído. Se fosse, a tarifa iria para R$ 4,40”, disse. O Consórcio Guaicurus, concessionária que opera o serviço, tenta na Justiça incluir o tributo na fórmula de reajuste.

Na reunião do Conselho de Regulação, o grupo de empresas apresentou proposta de passe de R$ 5,15, mas conforme Campos, o colegiado levou em conta o valor resultante da fórmula.

Essa fórmula leva em conta vários fatores, desde a inflação medida pelo INPC, a oscilação no preço do combustível medida pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível), a variação no preço das peças e carrocerias medida pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e o IPKe (Índice de Passageiros por Quilômetro Efetivo).

Jornal Midiamax