Cotidiano

Macron se reúne com ‘Dr. Cloroquina’ para discutir uso de medicamento

Defendida com veemência pelo presidente Jair Bolsonaro como tratamento viável contra o novo coronavírus (Covid-19), inclusive em estágios iniciais, a cloroquina e suas variantes ainda geram controvérsias no resto do mundo. Na França, após ter rejeitado o protocolo médico que prescrevia a cloroquina como tratamento viável para a Covid, o presidente francês, Emmanuel Macron, reuni...

Humberto Marques Publicado em 10/04/2020, às 10h20

Macron se reuniu com Raoult para discutir uso da cloroquina em pacientes de Covid-19. (Foto: Politico/Reprodução)
Macron se reuniu com Raoult para discutir uso da cloroquina em pacientes de Covid-19. (Foto: Politico/Reprodução) - Macron se reuniu com Raoult para discutir uso da cloroquina em pacientes de Covid-19. (Foto: Politico/Reprodução)

Defendida com veemência pelo presidente Jair Bolsonaro como tratamento viável contra o novo coronavírus (Covid-19), inclusive em estágios iniciais, a cloroquina e suas variantes ainda geram controvérsias no resto do mundo. Na França, após ter rejeitado o protocolo médico que prescrevia a cloroquina como tratamento viável para a Covid, o presidente francês, Emmanuel Macron, reuniu-se na quinta-feira com o professor Didier Raoult, que coordena um centro de pesquisas no sul da França que tem obtido bons resultados com o medicamento.

Raoult, apelidado de “Dr. Cloroquina” pelo uso do remédio contra a Covid-19, apresentou no Instituto Hospitalar-Universitário do Mediterrâneo, em Marselha um balanço dos tratamentos feitos até agora. Ele publicou dois estudos sobre a hidroxicloroquina (usada contra a malária) que, para ele, indicam eficácia do tratamento contra o coronavírus.

Conforme a Rádio França Internacional, diversas figuras políticas vêm referendando apoio ao especialista e pressionam o Palácio do Eliseu –sede do governo francês– a acelerar protocolos que liberem o uso do remédio. Contudo, outros cientistas consideram “impossível” chegar à conclusão da eficácia da cloroquina contra a Covid-19 com base nos estudos, por conta dos protocolos neles desenvolvidos. No Brasil, o ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) vinha batendo de frente com o Palácio do Planalto quanto ao uso da cloroquina sem estudos científicos seguros, porém, acatou ordem de Bolsonaro para liberar o tratamento experimental com pacientes graves.

Macron também esteve em um hospital para falar com equipes sobre pesquisas clínicas do coronavírus. O presidente francês deve falar à sua nação na segunda-feira (13), quando, espera-se, sejam anunciadas a extensão do prazo de confinamento na França e outras medidas para combate à doença e tratamento de pacientes.

Suécia suspende uso

Se na França há acenos para a liberação da cloroquina, outros países recuam na utilização. Nos Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump é um entusiasta do medicamento, o CDC (Centro de Prevenção e Controle de Doenças) retirou de seu site orientações consideradas “incomuns” que recomendaram o uso do remédio em pacientes de Covid-19.

A medida, conforme agências internacionais, ocorreu após a divulgação sobre dosagens do medicamento sem autoria, no lugar de recomendações assinadas por pesquisadores. No lugar das informações anteriores, foi divulgado apenas que “não há medicamentos ou outros terapêuticos aprovados pela Administração de Alimentos e Medicamentos [a FDA] para prevenir ou tratar a Covid-19”.

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Hospital Sahlgrenska, em Gotemburgo, foi um dos que suspendeu uso do medicamento. (Foto: Reprodução)

Já a Suécia viu hospitais suspenderem o uso da cloroquina em pacientes com coronavírus por conta de efeitos colaterais. Um deles foi o Sahlgrenska, o maior do país, na cidade de Gotemburgo, também de acordo com a RFI. A medida foi tomada diante de relatos de efeitos colaterais como arritmias cardíacas e perda da visão periférica por pacientes que receberam cloroquina ou a hidroxicloroquina.

A suspensão atingiu todos os hospitais da região de Västra Götaland, que inclui Gotemburgo (a segunda maior cidade sueca). Diversas unidades de saúde da capital, Estocolmo, como o Södersjukhuset (um dos maiores da cidade), também seguiram a orientação.

Magnus Gisslén, professor da Universidade de Gotemburgo e chefe do Departamento de Doenças Infecciosas do Hospital Sahlgrenska, explicou que foi registrada “uma série de casos suspeitos de efeitos colaterais severos, sobre os quais tivemos notícia tanto aqui na Suécia como através de colegas de hospitais em outros países”. Um dos principais problemas foi o risco de problemas cardíacos, sobretudo com altas doses do medicamento.

A Suécia vinha seguindo tratamentos feitos em países como China, Itália e França, mas as suspeitas de efeitos colaterais graves levaram as autoridades de saúde do país –um dos poucos que, até dias atrás, rejeitava medidas como o isolamento horizontal da população e manteve os comércios abertos, mediante recomendações– a suspenderem a prática.

“Vamos, portanto, aguardar até que se possa ter provas mais robustas em torno do uso da cloroquina”, disse Gisslén. No país, um paciente de 40 anos que recebeu recomendação de duas doses diárias de cloroquina (não sendo informada pela RFI a concentração do produto) após diagnóstico em 23 de março sofreu fortes dores de cabeça e câimbras, perdendo parte da visão periférica –recuperado do coronavírus, ele ainda afirma ter problemas de vista.

A Suécia também autorizou o uso de anestésicos usados para animais em pacientes nas unidades de terapia intensiva, diante da escassez de medicamentos resultante da pandemia –a medida atinge um medicamento com princípio ativo que tem versão para medicina veterinária, mas é usado também em humanos. A mesma medida havia sido anunciada pela França.

Jornal Midiamax