Cotidiano

Entenda o que significa a transmissão comunitária do coronavírus em MS

O registro do primeiro óbito por Covid-19 em Campo Grande, de uma idosa de 71 anos, confirmado nesta segunda-feira (13) pela SES (Secretaria de Estado de Saúde), não possui nexo causal, ou seja, não foi possível confirmar se a paciente teve contato com casos confirmados de Covid-19. Na prática, isso significa que, em Campo Grande, […]

Guilherme Cavalcante Publicado em 13/04/2020, às 11h50

Foto: Marcos Ermínio | Midiamax
Foto: Marcos Ermínio | Midiamax - Foto: Marcos Ermínio | Midiamax

O registro do primeiro óbito por Covid-19 em Campo Grande, de uma idosa de 71 anos, confirmado nesta segunda-feira (13) pela SES (Secretaria de Estado de Saúde), não possui nexo causal, ou seja, não foi possível confirmar se a paciente teve contato com casos confirmados de Covid-19.

Na prática, isso significa que, em Campo Grande, já há transmissão comunitária do novo coronavírus, quando a Vigilância em Saúde não consegue identificar a rota de circulação do vírus – o que também dificulta qualquer controle sobre o avanço da doença.

Afinal, deixa de ser possível, por exemplo, a determinação de isolamento domiciliar àqueles que tiveram contato com o caso confirmado, o que evitaria novos casos.

Estamos com transmissão comunitária e agora precisamos ter um cuidado muito forte para que nos próximos dias não tenhamos um número maior. O que fizermos hoje terá um impacto muito grande daqui a 14 e 21 dias”, alerta o titular da SES, Geraldo Resende, que recomendou fortemente o regime de quarentena durante uma transmissão ao vivo no Facebook, nesta segunda.

A secretária adjunta da SES também apontou que praticamente a metade dos casos estão em Campo Grande, onde apenas uma única região urbana não tem caso confirmado. “Mas a Vigilância precisa seguir investigando”, apontou Christine Maymone durante a divulgação do boletim epidemiológico.

Problema à vista

O grande problema da transmissão comunitária em MS está associado à baixíssima taxa de isolamento, que nesta segunda-feira foi medida em 40% – o que também colocou MS como o pior Estado brasileiro no quesito. Na prática, circula mais gente na rua, assim como o vírus deixa de ser rastreável. Em outras palavras, é o anúncio de um cenário de caos na saúde ainda neste mês de abril.

No início da pandemia, em 20 de março, o Ministério da Saúde identificou que havia transmissão comunitária (ou sustentada, como é tecnicamente chamado) em algumas regiões, como São Paulo e Rio de Janeiro. Naquela data, uma portaria foi publicada a fim de unificar ações em todos os Estados e tornar mais restritivas as medidas de contenção da Covid-19, principalmente aos grupos de risco, como idosos e portadores de doenças pré-existentes.

Na prática, portanto, qualquer sintoma de gripe (tosse seca, dor de garganta ou dificuldade respiratória, acompanhada ou não de febre) passaria a ser tratado como um potencial caso de Covid-19, antes mesmo de realizar o exame comprobatório. Assim, que apresentar esses sintomas deve automaticamente se manter em isolamento domiciliar. O texto do decreto também garante a possibilidade de atestado médico para a família de pessoas com sintomas de gripe, independente da idade.

“Para contenção da transmissibilidade da covid-19, deverá ser adotada como, medida não-farmacológica, o isolamento domiciliar da pessoa com sintomas respiratórios e das pessoas que residam no mesmo endereço, ainda que estejam assintomáticos, devendo permanecer em isolamento pelo período máximo de 14 (quartorze) dias”, diz o texto do decreto.

Para a SES, portanto, caso a população siga desrespeitando a orientação de quarentena, o cenário no Estado pode ser catastrófico.

“É a terra de onde vem o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que faz um excelente trabalho de combate ao coronavírus no país, mas que nos envergonha porque aqui temos a pior taxa de isolamento do país. As pessoas precisam se conscientizar urgentemente”, ressaltou Resende.

Jornal Midiamax