Cotidiano

Curva atrasada: MS estabiliza pandemia, mas com taxa de transmissão alta, queda do coronavírus ainda é incerta

Mato Grosso do Sul está entre os estados com as maiores taxas de transmissão do coronavírus e, mesmo com a situação estabilizada, ainda não é possível prever quando haverá uma queda no número de casos no Estado. Com uma curva atrasada em comparação a outros estados, MS ainda não chegou no chamado ‘platô’, portanto o […]

Mylena Rocha Publicado em 29/08/2020, às 08h50 - Atualizado em 30/08/2020, às 07h18

(Foto: Henrique Arakaki)
(Foto: Henrique Arakaki) - (Foto: Henrique Arakaki)

Mato Grosso do Sul está entre os estados com as maiores taxas de transmissão do coronavírus e, mesmo com a situação estabilizada, ainda não é possível prever quando haverá uma queda no número de casos no Estado. Com uma curva atrasada em comparação a outros estados, MS ainda não chegou no chamado ‘platô’, portanto o cenário da pandemia ainda é incerto por aqui.

Curva atrasada: MS estabiliza pandemia, mas com taxa de transmissão alta, queda do coronavírus ainda é incerta
(Fonte: Covid-19 Analytics)

Com uma taxa de transmissão em 1,09, de acordo com a plataforma Covid-19 Analytics, Mato Grosso do Sul é o terceiro estado com o maior índice – fica atrás apenas do Rio de Janeiro e do Tocantins. A taxa de transmissão é importante para revelar para quantas pessoas um paciente infectado transmite o vírus.

No caso de Mato Grosso do Sul, cada 100 pacientes infectados podem contaminar 109 pessoas. Para que o coronavírus seja considerado controlado, a taxa precisa ficar abaixo de 1.

O infectologista Júlio Croda, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), explica que o número de casos e mortes de coronavírus está estável no Estado, mas ainda não há sinais de que a doença foi controlada.

“O que podemos falar de MS é que está em estabilização, mas sem sinal de controle da doença. Não registramos queda na média móvel e não temos taxa de contágio abaixo de 1. Por isso, não temos indicadores que demonstrem que a gente atingiu o controle”, afirma.

O infectologista afirma que Mato Grosso do Sul ainda não chegou no chamado platô da pandemia. Segundo ele, sem queda, não há platô. “Só vai virar platô se cair casos. Pode ser que volte a subir, aí não era platô. Não temos como dizer agora, só quando começar a queda”, diz. 

Croda lembra que Campo Grande passou por uma redução na taxa de ocupação de leitos nesta semana, mas o índice voltou a aumentar poucos dias depois. Por isso, ele afirma que é difícil prever se o número de casos pode voltar a aumentar ou se podem diminuir nos próximos dias. 

Outro fator para se levar em conta é que Mato Grosso do Sul tem uma ‘curva atrasada’ da pandemia, já que os casos começaram a reproduzir tardiamente, em comparação a outros estados. “No sul, como Paraná e Santa Catarina, já temos uma tendência de queda. Mato Grosso do Sul é um estado atrasado em relação à curva epidemiológica”.

Jornal Midiamax