Cotidiano

Crédito não chega ao pequeno e comerciantes do Centro amargam prejuízos

Desde o início da pandemia do coronavírus, o comércio foi um dos setores mais afetados em Campo Grande, muitos fecharam as portas e os que se mantiveram, vivem uma batalha diária para continuar com o comércio aberto. Como ajuda, o governo federal criou o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno […]

Ranziel Oliveira Publicado em 14/07/2020, às 07h30 - Atualizado às 13h05

Trabalhadoras na loja de bijuteria (Foto: Leonardo de França/ Midiamax)
Trabalhadoras na loja de bijuteria (Foto: Leonardo de França/ Midiamax) - Trabalhadoras na loja de bijuteria (Foto: Leonardo de França/ Midiamax)

Desde o início da pandemia do coronavírus, o comércio foi um dos setores mais afetados em Campo Grande, muitos fecharam as portas e os que se mantiveram, vivem uma batalha diária para continuar com o comércio aberto. Como ajuda, o governo federal criou o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), com objetivo de fornecer crédito  ao pequeno empreendedor, mas de acordo com comerciantes do Centro, esse dinheiro não tem chegado ao seu destino final.

Crédito não chega ao pequeno e comerciantes do Centro amargam prejuízos
Rení Garcia, proprietária do salão de beleza (Foto: Leonardo de França/ Midiamax)

O Jornal Midiamax percorreu o Centro da cidade para conversar com esses trabalhadores. Rení Garcia, de 45 anos, é proprietária de um salão de beleza, enquadrado no regime MEI (microempreendedor individual).

Ela diz ter feito o cadastro no site da Caixa Econômica Federal e depois enviado por e-mail os documentos solicitados, mas desde o dia 22 de maio aguarda a reposta sobre a concessão do crédito. Ela conta que foi em uma agência do banco, mas os atendentes disseram que deveria esperar a resposta por e-mail.

A empreendedora já amarga um prejuízo de mais de R$ 10 mil e reforça a importância do empréstimo. “Meu movimento caiu 90%, o dinheiro é para a gente colocar em ordem o aluguel, água e luz”, disse ela.

Crédito não chega ao pequeno e comerciantes do Centro amargam prejuízos
Maria das Graças, proprietária da lanchonete (Foto: Leonardo de França/ Midiamax)

Maria das Graças, de 60 anos, é sócia de uma lanchonete, qualificada como ME (microempresa). De acordo com ela, o comércio teve uma queda de 40% no movimento, e suas contas estão no limite. Para piorar a situação, ela teve o pedido do crédito negado pela Caixa, que justificou que ela não preenche os requisitos do Pronampe.

Sem o mesmo fluxo de caixa, ela tem medo de uma possível falência “Sem essa ajuda e sem o retorno do movimento, corro o risco de fechar” desabafou.

Willian dos Santos, de 24 anos, também fez pedido de empréstimo em outra linha de crédito da Caixa, e continua à espera de uma resposta. Sócio de uma empresa de bijuterias e aviamentos, enquadrada como ME (microempresa), ele também tem dificuldades em manter seu empreendimento.

Crédito não chega ao pequeno e comerciantes do Centro amargam prejuízos
Willian dos Santos, proprietário da loja de bijuterias (Foto: Leonardo de França/ Midiamax)

De acordo com ele, também foi feito o cadastro pelo site da Caixa e todos os documentos enviados online. A última posição obtida foi no dia 20 de maio, que informava que o seu pedido estava em análise e que deveria aguardar.

Atualmente, ele sofre com a falta de capital giro, sem conseguir abastecer os produtos nas prateleiras. “Estou perdendo venda porque não tenho dinheiro para comprar mercadoria”, disse ele.

O que diz a Caixa

Segundo o banco, durante a pandemia do novo coronavírus, a Caixa já destinou mais de R$ 5 bilhões nas linhas de crédito do Programa de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) e do Fundo de Aval para as Micro e Pequenas Empresas (Fampe). Esse último, em parceria com o Sebrae.

Na semana passada, o Pronampe bateu o marco de R$ 3,18 bilhões de reais em créditos contratados – esgotando todo o limite que havia sido liberado para operar pela linha de crédito. Com isso, a Caixa recebeu do Ministério da Economia um acréscimo de limite, que passou a ser de R$ 4,24 bilhões.

“Os recursos estão disponíveis para contratação por clientes e não clientes, abrangendo empresas de diferentes portes. Aproximadamente 70% da demanda recebida pelo banco é proveniente de clientes que ainda não possuíam relacionamento com a Caixa”, reforça o presidente Pedro Guimarães.

Jornal Midiamax