Cotidiano

#CG121: Fazenda que virou bairro, ‘Rita Poeira’ sonha em ser o ‘Novo Carandá’

Quem entende o mínimo sobre investimento em imóveis sabe por A mais B que a região do Rita Vieira é uma das mais promissoras em Campo Grande. Água encanada, bastante verde, tranquilidade, escolas, supermercados, academias, farmácias, segurança e fica a apenas 6km do Centro, com acesso facilitado e rápido. O que complica, mesmo, é a […]

Guilherme Cavalcante Publicado em 19/08/2020, às 14h00 - Atualizado em 20/08/2020, às 11h23

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Quem entende o mínimo sobre investimento em imóveis sabe por A mais B que a região do Rita Vieira é uma das mais promissoras em Campo Grande. Água encanada, bastante verde, tranquilidade, escolas, supermercados, academias, farmácias, segurança e fica a apenas 6km do Centro, com acesso facilitado e rápido.

#CG121: Fazenda que virou bairro, ‘Rita Poeira’ sonha em ser o ‘Novo Carandá’
Rita Vieira tem várias subdivisões e estimativa é de mais de 15 mil residentes | Foto: Google Maps | Reprodução

O que complica, mesmo, é a falta do tal do asfalto – até pra por fim às piadinhas que há décadas chamam a região de “Rita Poeira”: asfalto é o sonho de 10 entre 10 moradores do bairro, que neste ano completa 35 anos e que representa o sonho de ser o “novo Carandá”, como costumava ser prometido por corretores de imóveis no “boom” imobiliário de uns 15 anos atrás.

O surgimento do bairro Rita Vieira data de 1985, quando Zacarias Vieira de Andrade resolveu transformar sua fazenda de criação de vacas leiteiras em um loteamento residencial, aos moldes de outros tantos que surgiam pela mais nova capital brasileira. Rita Vieira de Andrade, à propósito, era a mãe de Zacarias e dá nome à principal avenida do bairro, que tem 15 subdivisões.

“Era tudo mato”

“Era tudo mato, né?”, brinca Vivaldino Ferreira Gonçalves – o seu Bardô – seguramente uma das figuras mais antigas e conhecidas do bairro. Residente do Rita Vieira desde o final da década de 1980, seu Bardô é o que pode ser chamado de entusiasta. Foi o potencial do bairro que o levou a deixar o São Lourenço para investir no Rita Vieira. Porém, foi preciso paciência de Jó e quase duas décadas de espera.

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Rotatória da Avenida Rita Vieira marca principal acesso ao bairro que sonha em se tornar o novo Carandá | Foto: Guilherme Cavalcante | Reprodução

“A gente morava no São Lourenço e eu vinha muito para cá, pois éramos amigos do seu Zacarias. A gente via que tinha muita natureza, tranquilidade, que era gostoso. Uma região plana, sem erosão. Era promissor. Mas, não tinha nada. Mesmo assim arrisquei, comprei alguns lotes, que atualmente são onde eu moro. Minha família toda cresceu aqui. E junto aos vizinhos, a gente foi conquistando as coisas. De escola a posto de saúde, de supermercado e o asfalto, ou parte dele”, conta.

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Seu Bardô (ao centro) e a família que criou no Rita Vieira. Ele é um dos moradores mais antigos do bairro | Foto: Arquivo pessoal | Reprodução

Assim como seu Bardô, não tem morador do Rita Vieira que não esteja no aguardo para o tão sonhado dia em que o asfalto chegue, de fato, na região, já que apenas as vias principais, por onde passam as linhas de ônibus, têm pavimentação asfáltica. São 35 anos de espera e, desde que a especulação imobiliária “descobriu” o potencial da região, essa ansiedade só aumentou.

“Acho que tem uns 15, 16 anos que a gente viu o bairro realmente crescer. Sabe onde tem aquelas torres, ali perto da rotatória? Ali era a sede da fazenda do seu Zacarias, era ali a leiteiria. Eu te juro que eu não acreditei quando vi as obras começarem. Quando que eu ia imaginar que esse bairro ia ter uma torre de 17 andares? Imagina quando o asfalto realmente chegar”, conta seu Bardô.

Sonho do asfalto

O anúncio do asfalto, a propósito, já aconteceu. Primeiro, em fevereiro de 2018, a Prefeitura de Campo disse que pavimentar as ruas do bairro seria prioridade. No ano seguinte, foi sancionada a lei que autorizou o empréstimo de cerca de R$ 30 milhões junto ao BNDES para as obras. Mas a burocracia no órgão fez a Prefeitura desistir e apostar na Caixa como financiadora. Seria onde a solicitação de financiamento emperrou.

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Yara literalmente veste a camisa do bairro e há dois anos lidera a associação de moradores | Foto: Câmara dos Vereadores | Reprodução

“É uma conquista do bairro, pois nos articulamos isso desde sempre. Fizemos abaixo assinado, falamos com quem podia para mostrar que a gente estava organizado para esse sonho acontecer. Foi coisa de união, mesmo”, revela a presidente da Associação dos Moradores do Rita Vieira, a empresária Yara Freitas, de 40 anos, moradora do bairro há 13.

“Toda semana a gente entra em contato com o prefeito, com senador, com secretário… A última coisa que soube é que estava dependendo do Paulo Guedes (ministro da Economia) para liberar os recursos. Só não entrei em contato com ele porque não tenho o WhatsApp dele”, brinca Yara, que está há dois anos à frente da representação dos moradores.

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Feira Livre ocorre às quintas-feiras | Foto: Guilherme Cavalcante | Midiamax

Assim como seu Bardô, também foi a tranquilidade do bairro que trouxe a empresária para a região. “Eu nasci e cresci em Campo Grande, trabalhava aqui perto. O preço baixo foi algo que chamou atenção, né? E a localização. A gente queria um lugar mais tranquilo e achamos. Mas aqui é cheio de potencial, falavam muito, na época, que seria o ‘novo Carandá Bosque’. Quando a gente chegou, imagina, tinha vaca, coelho, galinha na rua… Era um grande sítio. E aos poucos a gente vê a modernidade chegando”, conta.

Sem dúvidas, o progresso em forma de concreto chegou no bairro, que viu a população subir de 6 mil para cerca de 15 mil habitantes em cerca de 10 anos. Praticamente todas as ruas têm obras – a maioria residencial. Mas, nas avenidas e ruas asfaltadas, há bastante investimento em salas comerciais. Enquanto isso, quem mora na região já pode aproveitar desde a feira livre, às quintas-feiras, até ao principal ponto turístico – a imponente estrutura do Mosteiro dos Arautos do Evangelho, na Rua Roterdam.

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Pareceu um castelo: mosteiro dos Arautos do Evangelho, na Rua Roterdam, faz as vezes de ponto turístico do bairro | Foto: Reprodução

Promessa de corredor

As obras, que ganharam as vistas dos moradores mais antigos há cerca de 15 anos, se intensificaram há pouco tempo, por assim dizer. Desde então o Rita Vieira se tornou uma espécie de canteiro de obras, sem data para terminar. O motivo é a grande valorização dos lotes, principalmente depois que foi anunciado que a Avenida Rita Vieira vai ser parte do corredor entre as Moreninhas e o Centro da cidade.

Há cerca de 10 anos, o engenheiro Rogério Wolf investe na construção de residências na região do Rita Vieira. A proximidade do centro e as promessas para a região são alguns dos atrativos. O que atrapalha, no caso, é o preço dos terrenos, que praticamente só aumenta.

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Canteiro de obras: investidores apostam e moradores se animam com o que pode estar por vir | Foto: Guilherme Cavalcante | Midiamax

“Preço está sempre subindo e agora a gente está com um pouco mais de dificuldade de encontrar terreno porque a grande maioria dos proprietários tiraram os anúncios esperando a promessa do asfalto acontecer. As casas que construímos são vendidas mais para jovens, pessoas entre 25 e 35 anos, recém-casados”, revela.

Sobre o tal corredor, a Avenida Rita Vieira de Andrade será peça fundamental para a criação de um acesso às Moreninhas, um dos bairros mais populosos e afastados da Capital. Conforme anúncio feito em janeiro pela Prefeitura de Campo Grande, serão investidos R$ 2,5 milhões na construção. Antes disso, um trecho de 2 km da Avenida Rita Vieira precisa ser terminada.

“Vim para cá em 2009 e tinha poucas casas nessa região. Sai em 2012 porque tinha muita poeira, era terrível. Mas acabamos voltando em 2018 e já estava tudo bem diferente. A gente viu que foi mais construção de casa, mesmo. Casa simples, casa mais robusta, até mansão. A rua tinha muita área vazia e hoje acho que na minha quadra tem só um lote vago. É barulho de obra o tempo todo, a gente até acostumou”, conta o advogado Eduardo Macêdo, de 43 anos.

Jornal Midiamax