Cotidiano

Profissionais da saúde com medo: Em 3 dias, três pacientes vão ao Caps armados

Após o decreto do presidente Jair Bolsonaro nº 9.761 de 11 de abril de 2019, sobre a Nova Política de Drogas, as unidades de saúde passaram a atender usuários de drogas e álcool em Campo Grande. A situação tem preocupado os profissionais da saúde já que eles alegam falta de estrutura e segurança tanto para […]

Ana Paula Chuva Publicado em 13/09/2019, às 17h04 - Atualizado em 14/09/2019, às 10h00

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Após o decreto do presidente Jair Bolsonaro nº 9.761 de 11 de abril de 2019, sobre a Nova Política de Drogas, as unidades de saúde passaram a atender usuários de drogas e álcool em Campo Grande. A situação tem preocupado os profissionais da saúde já que eles alegam falta de estrutura e segurança tanto para os outros pacientes quanto para os funcionários dos locais. Nos últimos dias, três casos de pacientes com faca em unidade de saúde foram registrados na Capital.

De acordo com o Sinte-PMCG (Sindicato dos Trabalhadores Públicos em Enfermagem de Campo Grande), o atendimento sempre foi prestado nas unidades a este tipo de paciente na Capital, mas o aumento da demanda tem preocupado os profissionais, pois nenhuma unidade teria condições de manejar adequadamente os pacientes.

Conforme relatos dos profissionais, além da agressão ao enfermeiro que atua no Caps (Centro de Atenção Psicossocial) do Aero Rancho na quarta-feira (11), dois novos casos de pacientes armados com faca foram registrados no CRS (Centro Regional de Saúde) anexado ao local.

Nesta quinta-feira (12), uma paciente mulher esteve no local e com ela foi apreendida uma faca e na manhã desta sexta-feira (13), foi a vez de um homem ser atendido portando uma outra faca no local. Segundo os funcionários as duas ocorrências teriam sido atendidas pela GCM (Guarda Civil Metropolitana), mas através da assessoria da GCM, apenas a ocorrência desta sexta-feira foi confirmada.

Em nenhum dos dois casos houve ameaça ou vítimas, mas os servidores ficaram temerosos com a situação. “Muitos pacientes desse tipo vão pela comida oferecida, claro que temos os que querem tratamento, mas se uma pessoa quer mesmo ajuda para que ir armada? Eles já vão pensando em fazer maldade, colocando a vida dos funcionários e dos outros pacientes em risco. Nós já fomos roubados, quebram vidros e portas da unidade é uma situação complicada”, disse um profissional que preferiu não se identificar.

Ao Jornal Midiamax, o Sinte-PMCG informou que os fatos estão sendo acompanhados com muita preocupação, e confirmou que além do enfermeiro ferido outros dois episódios de pacientes com arma branca aconteceram. A categoria espera não ser necessária uma paralisação e tem buscado junto aos gestores uma alternativa até que um projeto de lei seja votado.

Para o sindicato, é preciso rever a questão do atendimento. “Já teve veículo de colega no local riscado com a palavra morte. É preciso rever estas questões.  A princípio foi tratado como algo isolado, mais outros dois casos demonstraram que existe um problema que já alertávamos há muito tempo sobre o perigo com a falta de segurança e manejo dado a saúde mental”, explicaram.

À reportagem, o sindicato ainda ressaltou que em Campo Grande as unidades estão sem condições de absorver a demanda pela falta de profissionais, falta de segurança, falta de estrutura. “Mudou se a dinâmica do tratamento no humaniza SUS e a saúde mental foi instituída com um outro olhar e com uma proposta de resgatar e tratar de forma a dar ao paciente uma vida normal, mas a proposta está longe da realidade necessária para alcançar os objetivos de forma ordeira e pacífica”.

“Caso não se faça nada, irão acontecer coisas piores. O problema não é só no Aero Rancho, agressões acontecem em outras unidades”, ressaltou o representante do sindicato.

O que diz o município

Em nota ao Jornal Midiamax, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) informou que não houve nenhum registro de pacientes armados com faca ou qualquer objeto perfuro cortante no CAPS AD, que pudesse oferecer riscos aos pacientes e servidores. E afirma que a informação é inverídica, mas já esperada em virtude do ocorrido recente com o enfermeiro na unidade do Aero Rancho.

A pasta ressalta que o atendimento do CAPS é de porta aberta, portanto não há restrição quanto ao acesso do paciente, porém os critérios e avaliação clínica irão determinar a necessidade de permanência e tratamento. E a função da unidade não é simplesmente acolher este paciente e ofertar comida e hospedagem e isso não ocorre, uma vez que são priorizados os pacientes com critérios.

O que houve foi um episódio de uma pessoa armada com uma faca no CRS Aero Rancho, porém também pode ser considerado um fato isolado e passível de ocorrer em qualquer estrutura de atendimento. A Sesau destaca ainda que, no complexo em questão, onde estão localizados o CAPS, o CRS e a unidade básica, já foi designado o aumento de efetivo da Guarda Municipal resguardar usuários e servidores.

E também, até o fim do ano o município deve contar com mais uma Residência Terapêutica oportunizando a criação de 10 leitos de internação permanente e no primeiro semestre de 2020 mais um CAPS AD IV deve ser aberto com 20 leitos.

Jornal Midiamax