Cotidiano

Protesto contra Uber em Campo Grande deve ter fura-greve e tarifa dinâmica

Está marcada para esta quarta-feira (8) a paralisação de motoristas da Uber em Campo Grande. A orientação é que os motoristas associados à plataforma permaneçam offline por pelo menos 12h, podendo, neste tempo, rodar por outros aplicativos concorrentes. Em Campo Grande, são ao menos 10 deles. De acordo com a Applic (Associação dos Parceiros de […]

Guilherme Cavalcante Publicado em 08/05/2019, às 08h24 - Atualizado às 09h01

Mobilização mundial quer que motoristas da Uber desliguem o aplicativo durante a estreia da empresa na bolsa. O motivo são as taxas, consideradas abusivas pelos associados (Foto: Associated Press | Reprodução)
Mobilização mundial quer que motoristas da Uber desliguem o aplicativo durante a estreia da empresa na bolsa. O motivo são as taxas, consideradas abusivas pelos associados (Foto: Associated Press | Reprodução) - Mobilização mundial quer que motoristas da Uber desliguem o aplicativo durante a estreia da empresa na bolsa. O motivo são as taxas, consideradas abusivas pelos associados (Foto: Associated Press | Reprodução)

Está marcada para esta quarta-feira (8) a paralisação de motoristas da Uber em Campo Grande. A orientação é que os motoristas associados à plataforma permaneçam offline por pelo menos 12h, podendo, neste tempo, rodar por outros aplicativos concorrentes. Em Campo Grande, são ao menos 10 deles.

De acordo com a Applic (Associação dos Parceiros de Aplicativos de Transporte de Passageiros e Motoristas Autônomos de Mato Grosso do Sul), a diminuição de motoristas deve ser percebida já a partir das 9h – houve orientação para que seja feita concentração nos Altos da Avenida Afonso Pena, próximo à Cidade do Natal. A paralisação, porém, deve ser mais forte à tarde, com maior probabilidade de usuários pegarem corridas com tarifa dinâmica, ou seja, mais caras.

“É claro que vai ter motoristas que vai rodar pelo aplicativo, mas as corridas podem ficar mais caras. Por isso, a gente recomenda que verifiquem as outras plataformas”, aponta Paulo Cesar Teodoro Pinheiro, presidente da Applic.

Ele lembra que a mobilização é mundial, motivada pela acusação de que as taxas cobradas pela plataforma seriam abusivas,e ocorre nesta quarta não por acaso: hoje é a estreia da Uber no mercado de ações, quando títulos da companhia serão ofertadas na Bolsa de Valores de Nova York, nos Estados Unidos.

“É uma manifestação mundial, não foi algo criado por nós. Será motivada pela abertura da empresa no mercado de ações. Se isso acontece, é porque o lucro é exorbitante, mas nós, os motoristas, somos essenciais para o serviço funcionar e praticamente bancamos a plataforma”, conta.

Segundo ele, a Uber tem a maior cobrança de taxa, que varia, em média, de 25% a 30%, a depender da natureza da corrida. Todas as despesas restantes, de manutenção do carro ao combustível, são arcadas pelo motorista. “Queremos que essa política seja revista, assim como é nos demais aplicativos”, aponta Pinheiro.

Números no Brasil

De acordo com documento submetido à Comissão da Valores Mobiliários dos Estados Unidos, que autoriza o ingresso da empresa no mercado de ações, o Brasil é o segundo maior mercado da Uber no mundo, ficando atrás apenas dos EUA. Os dados até então eram inéditos e dão pela primeira vez a dimensão do impacto da empresa no mercado.

Pelos lados de cá, A Uber faturou quase US$ 1 bilhão em 2018 – um crescimento de 115% em relação a 2017. No documento, a empresa afirma que 24% do faturamento da empresa com transporte vem de cinco metrópoles mundiais, dentre as quais está São Paulo.

De acordo com a Aplic, a estimativa é que de 9 mil a 10 mil motoristas trabalhem, atualmente, nas plataformas de caronas remuneradas somente na Capital – um número que flutua bastante, já que são ao menos 10 aplicativos, e todos os dias entram e saem novos usuários.

A reportagem buscou contato com a Uber do Brasil sobre as paralisações, mas não obteve resposta.

Jornal Midiamax