Cotidiano

CMO envia 226 militares a Roraima para missão de acolhimento a venezuelanos

Foram enviados hoje (25) 226 militares que pertencem ao CMO (Comando Militar do Oeste) para “Operação Acolhida”, responsável por receber refugiados venezuelanos em Roraima. Segundo o CMO, os convocados serão divididos entre às cidades Pacaraima, que fica localizada na divisa com a Venezuela e Boa Vista, capital do estado. A cerimonia teve início às 8h […]

Flávio Veras Publicado em 25/01/2019, às 10h37 - Atualizado às 17h41

Marcos Ermínio/Midiamax
Marcos Ermínio/Midiamax - Marcos Ermínio/Midiamax

Foram enviados hoje (25) 226 militares que pertencem ao CMO (Comando Militar do Oeste) para “Operação Acolhida”, responsável por receber refugiados venezuelanos em Roraima. Segundo o CMO, os convocados serão divididos entre às cidades Pacaraima, que fica localizada na divisa com a Venezuela e Boa Vista, capital do estado.

A cerimonia teve início às 8h da manhã desta sexta-feira, na ALA 5 (antiga Base Aérea da Capital). Outros sete soldados foram encaminhados ao estado na semana passada e mais 14 serão destinados na semana que vem, completando um contingente de 247 militares.

CMO envia 226 militares a Roraima para missão de acolhimento a venezuelanos
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Além da tropa e comandantes, estavam presentes familiares dos selecionados. De acordo com o General do Exército e comandante do CMO, Lourival Carvalho Silva, o grupo passou por treinamento antes de ser designado a missão de três meses. “Com já é o quarto contingente, o órgão já tem uma experiência grande para realizar esse tipo de auxílio aos refugiados. Além disso, nossos comandados poderão sentir de perto como é dura a vida de alguém que é obrigado a deixar o país natal contra a sua vontade, porém eles estão preparados para intermediar está situação”, projetou.

Sobre a crise política e econômica no país vizinho, o comandante comentou que o assunto extrapola sua função dentro do Exército Brasileiro. No entanto, ele afirmou que o Governo Federal irá tomar a decisões cabíveis para monitorar a situação no país vizinho.

“Não acredito que os conflitos que estão acontecendo entre manifestante pró e contrários ao governo de Nicolás Maduro respinguem no país, ou especificamente na região Centro-Oeste. O que posso afirmar é que nossa missão é de ajuda humanitária e hoje é que devemos e possamos fazer”, ponderou.
Primeira Missão

A segundo tenente, Patrícia Aválos, estava bem emocionada com a cerimônia e por ter sido designada em sua primeira missão. A dentista, falou que irá apoiar os militares e, principalmente, os imigrantes. “A minha expectativa é a melhor possível e espero fazer um bom trabalho junto ao povo venezuelano, que está atravessando um momento difícil. Sabemos que estão bem carentes em assistência médica em geral e, por esse motivo, esperamos contribuir com esse trabalho que vem sendo feito há muito tempo”, afirmou.

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O cabo, Mário Sérgio Otsuka Flores, teve a companhia da namorada e do cachorrinho do casal no embarque. Ele enalteceu a característica do Exército Brasileiro de comandar e ajudar em missões humanitárias. “Participar de um trabalho como esse é gratificante, pois lá estaremos cuidando do ser-humano. A Venezuela está em uma situação muito difícil, mas poderia ser a gente, então isso é muito louvável pela parte de nós brasileiros. Claro que existem aqueles contrários a vinda e permanência dos refugiados no nosso país, mas eles têm que entender que essa situação não é culpa do cidadão venezuelano e sim das políticas adotadas pelos país, portanto nosso apoio é fundamental nesse tipo de questão”, enalteceu.

A 3º Sargento Kelly Marques estava acompanhada do marido e da filha, Paloma Marques de Lima. Para Marques é um dos trabalhos mais gratificantes que irá realizar, porém um dos mais difíceis, pois deixará a filha com o pai por três meses. “Sempre viajamos, mas vamos e logo voltamos. Desta veze será 90 dias longe de casa, portanto vou com o coração apertado. Para tentar amenizar a falta que ela sentirá de mim, nós conversamos bastante e expliquei a situação e o objetivo desta missão”, explicou.

A filha, Paloma falou que estava triste, porque ela e a mãe são muito unidas. “Fazemos tudo juntas, será bem difícil, mas sinto orgulho porque eu entendi a situação que ela vai ajudar outras pessoas que estão precisando”, finalizou.

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Operação acolhida

Instrumento de ação do Estado brasileiro, a Operação Acolhida destina-se a apoiar – com pessoal, material e instalações – a montagem de estruturas e a organização das atividades necessárias ao acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade. Tal conjuntura é decorrente do fluxo migratório para o Estado de Roraima, provocado pela crise humanitária na República Bolivariana da Venezuela.

Por meio da Medida Provisória (MP) nº 820, de 15 de fevereiro de 2018, o Brasil instituiu o Comitê Federal de Assistência Emergencial, que decreta emergência social e dispõe de medidas de assistência para acolhimento a esse segmento-alvo. As medidas desempenhadas pelos governos federal, estaduais e municipais acontecerão pela adesão a instrumento de cooperação federativa.

Os Decretos nº 9285 e nº 9286, da mesma data da MP, constituem parte da legalidade e da amplitude impostas aos atores comprometidos com essa ação. Ao todo, são 12 ministérios que integram o Comitê Interministerial. O primeiro decreto reconhece a situação crítica, enquanto que o segundo define a composição, as competências e as normas de funcionamento do Comitê Federal de Assistência Emergencial.

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